Quinta-feira é marcada por manifestações e paralisações em Florianópolis

Ônibus, servidores e grupo Fora, Temer tomaram as ruas da cidade em dia nacional de paralização

Fábio Bispo e Felipe Alves Florianópolis

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A quinta-feira foi de manifestações e paralisações em Florianópolis. Os primeiros atos foram registrados ainda na madrugada, com a paralisação do transporte coletivo entre 4h e 6h. Durante a tarde, servidores públicos de diversos segmentos realizaram ato na praça Tancredo Neves. Eles se juntaram depois ao ato “Fora, Temer”, já por volta das 17h30. A manifestação que chegou a contar com cerca de 3.000 pessoas durante à tarde, terminou com pouco mais de 300 manifestantes na avenida Beira-Mar Norte.

Manifestações paralisaram o Centro de Florianópolis nesta quinta-feira - Fábio Bispo
Manifestações paralisaram o Centro de Florianópolis nesta quinta-feira – Fábio Bispo

O principal efeito da manifestação que reuniu estudantes e trabalhadores no Largo da Alfândega foi no trânsito. O grupo saiu em caminhada por volta das 19h30, interditando o tráfego de veículos nas avenidas Paulo Fontes e Beira-Mar Norte, provocando filas para quem tentava deixar a cidade.

Os manifestantes pediam a saída de Michel Temer e também lançaram palavras de ordem contra as políticas sinalizadas para a mudança nos regimes previdenciário e trabalhista. O grupo foi acompanhado de perto pela Polícia Militar, que afirmou não ter recebido nenhuma manifestação das lideranças sobre trajeto e horário das manifestações.

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Depois de interditarem os dois sentidos da Beira-Mar, o grupo chegou a cogitar ir às pontes, mas foi voto vencido pela maioria. O ato se dispersou no Ticen. Não foram registrados atos de vandalismo ou confrontos.

Sem ônibus no Dia Mundial sem Carro

Quem acordou cedo para pegar ônibus foi surpreendido com a paralisação do transporte coletivo na Grande Florianópolis. Das 4h às 6h, os ônibus não circularam pelos municípios como forma de protesto. Ontem, no mundo inteiro, foi comemorado o Dia Mundial sem Carro, para promover formas alternativas de transporte.

À tarde, motoristas e cobradores voltaram a paralisar o serviço das 15h às 16h30, antes do ato unificado com centrais sindicais no Centro da Capital. A cuidadora Silvana Ferreira, 47 anos, estava indignada com a falta de aviso prévio à população. Ela foi afetada pela paralisação pela manhã e à tarde. A moradora da Tapera chegou uma hora atrasada ao trabalho, no Centro. Na volta para casa, saiu mais cedo do trabalho, antes das 15h, na tentativa de embarcar no ônibus, mas teve que esperar até 16h30. “Não sou contra protesto, mas o mínimo que se espera é que avisem a população. É uma falta de respeito enorme”, disse.

Por meio de nota, o Consórcio Fênix, responsável pelo transporte coletivo na Capital, afirmou que respeita manifestações pacíficas, “mas lamenta que isto ocorra sem prévio comunicado à população” e que “desaprova qualquer suspensão do transporte coletivo e ainda mais que tal atitude seja tomada justamente no Dia Mundial sem Carro”. (Felipe Alves)

Mais paralisações nas próximas semanas

Durante a tarde, centrais sindicais se espalharam em diferentes pontos da cidade para reunir manifestantes e definir como seria o ato unificado. Além de se manifestar contra o governo do presidente Michel Temer, o grupo se mostrou contrário a diversas propostas. Entre elas, estão as flexibilizações de direitos trabalhistas, a ampliação das terceirizações em todo o país, o aumento da jornada de trabalho e a reforma da previdência.

“Essa luta é para todos. Quem não tiver sindicato organizado vai perder. Estamos mostrando que esse governo veio para tirar direitos dos trabalhadores”, destacou Deonísio Linder, diretor do Sintraturb. “São direitos trabalhistas que estão sendo roubados da população brasileira. Por isso, todos estão aqui com o mesmo intuito: não à retirada de direitos”, afirmou Luiz Carlos Vieira, secretário do Sinte-SC. Durante o protesto, representantes das centrais chamaram os manifestantes para mais atos de protesto para as próximas semanas, que deverá culminar em uma grande greve geral em todo o país em novembro. (Felipe Alves)

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