Um grande atrativo turístico: os beach clubs de Jurerê Internacional

ND defendeu a manutenção dos estabelecimentos no Norte da Ilha, que atraem milhares de turistas a cada temporada

Foto de PAULO CLÓVIS SCHMITZ

PAULO CLÓVIS SCHMITZ Especial para o ND

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O ND acompanhou os problemas judiciais dos beach clubs de Jurerê Internacional e defendeu que houvesse um retorno mais consistente da atividade para a cidade, desde que assegurada a preservação ambiental.

Hoje, Florianópolis tem nos clubes de praia mais um grande atrativo turístico que atrai milhares de pessoas a cada temporada de verão, por causa dos eventos ali realizados. A defesa de sua manutenção foi uma das principais bandeiras do jornal nesta década.

Beach clubs são um grande atrativo de Florianópolis, que atraem milhares de turistas – Marcelo Flebe/RICTVBeach clubs são um grande atrativo de Florianópolis, que atraem milhares de turistas – Marcelo Flebe/RICTV

Em dezembro de 2013, quatro beach clubs do Norte da Ilha tiveram suspensas as licenças de funcionamento pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), com sede em Porto Alegre.

A alegação, baseada em ação dos moradores, era de que eles estavam instalados em APPs (Áreas de preservação permanente) em Jurerê Internacional, causavam poluição sonora e tomavam conta das passarelas de acesso à praia.

Começava aí uma queda de braço entre a associação de moradores do bairro, que alegava que os estabelecimentos ocupavam indevidamente a faixa de areia, e o grupo Habitasul, proprietário dos imóveis.

Em editorial, o ND defendeu o funcionamento dos beach clubs por entender que a cidade estava às vésperas de uma grande temporada turística e que impedir o seu funcionamento equivalia a jogar no lixo os milhões investidos pelos empresários do setor. Além disso, havia uma negociação em andamento para ajustar o funcionamento das casas.

Um dos cinco beach clubs em Jurerê Internacional alvos da Justiça Federal, que chegou a determinar a demolição e suspender as licenças – Eduardo Valente/Arquivo/NDUm dos cinco beach clubs em Jurerê Internacional alvos da Justiça Federal, que chegou a determinar a demolição e suspender as licenças – Eduardo Valente/Arquivo/ND

O jornal também pregava equilíbrio e bom senso no sentido de respeitar a questão ambiental sem prejudicar o turismo local. Estimava-se que os empreendimentos geravam mais de 1 mil empregos diretos e indiretos e geravam R$ 5,5 milhões em arrecadação de impostos.

Entraves ambientais

Em novo editorial (desta vez de página inteira) na edição de 21 de junho de 2016, o ND culpava os entraves ambientais pelas dificuldades de Florianópolis assumir a condição de um dos destinos turísticos mais importantes do país.

Além de prejudicar os empresários do setor, o rigor da Justiça causava insegurança jurídica, inibindo futuros investimentos na cidade. Os beach clubs, dizia o jornal, ajudam a dar emprego e renda a um grande número de pessoas e também divulga o nome da capital catarinense em outros Estados e países.

Se houve excessos, que os culpados fossem penalizados, mas o ideal seria buscar uma conciliação que atendesse os interesses de todos.

LINHA DO TEMPO

Década de 1990 – Os beach clubs iniciam suas atividades em Jurerê Internacional.

2005 – Clubes de praia firmam um acordo com a União e o Ministério Público Federal no qual a Habitasul se compromete a realizar um plano de recuperação de áreas degradadas no loteamento com o intuito de manter as estruturas em operação.

2008 – Associação de Moradores de Jurerê Internacional e MPF entram com ação civil pública por causa do barulho, dos transtornos causados pelas festas e pela suspeita de ocupação de área de marinha.

2012 – Laudo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) mostra que os terrenos estavam em área de marinha ou em APP, dando início a uma longa disputa judicial.

Dezembro de 2013 – Em plena semana de Natal, a Justiça interdita e depois libera o funcionamento dos beach clubs no Norte da Ilha. O trade turístico emite nota repudiando o fechamento dos estabelecimentos.

Março de 2014 – Situação legal dos beach clubs permanecia sem solução. Associação de Moradores de Jurerê Internacional não aceita uma proposta de compensação ambiental feita pelo grupo Habitasul.

Junho de 2016 – TRF4 suspende a demolição solicitada de cinco estabelecimentos em Jurerê Internacional, por entender que o cumprimento imediato da sentença poderia trazer perdas irreparáveis aos investidores. Havia uma perspectiva de solução negociada entre as partes.

Dezembro de 2016 – Obra do Café de La Musique é embargada pela Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) sob a alegação de que a cobertura metálica não tinha licença para ser construída.

Junho de 2017 – Operação Moeda Verde, que investiga pagamento de propinas para obter licenças ambientais, alcança cinco beach clubs e um hotel em Jurerê, o que leva a Justiça Federal a pedir a demolição de todos eles, além de condenar 16 pessoas e quatro empresas do ramo.

Agosto de 2017 – Depois de derrubar uma liminar dos beach clubs, TRF4 volta a autorizar demolição das estruturas situadas em APPs.

Outubro de 2017 – Por decisão unânime dos juízes, o TRF4 garante operação dos beach clubs e determina que ampliações feitas a partir de 2005 devem ser demolidas.

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