A liderança do reitor Ferreira Lima

No momento em que se questiona o papel do Professor João David Ferreira Lima, fundador e primeiro reitor da Universidade Federal de Santa Catarina faz-se necessário destacar sua liderança e efetiva contribuição na educação superior brasileira, em tempos conturbados durante o regime militar no país.

Refiro-me a sua liderança como reitor, eleito por seus pares, para presidir o Crub (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras) entre 1967 e 1969. O Crub foi criado em 1966, por iniciativa dos reitores das principais universidades brasileiras à época, visando representar os interesses das universidades federais, estaduais e privadas, promovendo a cooperação e integração entre estas instituições e as políticas e diretrizes do MEC durante o governo militar.

Neste cenário é que o reitor Ferreira Lima se tornou referência nacional sendo eleito, em 1967, presidente do Crub. O ambiente universitário à época caracterizava-se por pressões crescentes, com demandas de expansão das instituições, melhoria da qualidade dos serviços, escassez de recursos públicos e reformas na educação superior.

Neste contexto, destaco reunião na sede do Crub, no Rio de Janeiro, momento em que as universidades brasileiras vivenciavam situação constrangedora face a séria escassez de recursos orçamentários.

A atuação do Reitor Ferreira Lima foi fundamental, pressionando o Ministério da Educação e Cultura a atender às urgentes demandas das universidades. Como presidente do Crub, presidiu reunião em que foi elaborado importante documento dirigido ao então ministro de Educação Tarso Dutra, com as principais reivindicações das universidades brasileiras.

Ato contínuo, em entrevista ao destacado jornal carioca Correio da Manhã, o reitor Ferreira Lima denunciou a precária situação orçamentária vivenciada pelas universidades à época, apontando o risco de interrupção do funcionamento das mesmas.

Tais fatos revelam clara demonstração da liderança e compromisso do reitor Ferreira Lima na defesa dos interesses da educação superior, em período em que a autonomia universitária e a liberdade de expressão não eram asseguradas.