Cem anos de Aldo Nunes: o amor incondicional pela terra natal
A Fundação Catarinense de Cultura, a Diretoria de Patrimônio Cultural, o Atecor e o Masc unem-se para homenagear Aldo Nunes no seu centenário de nascimento, celebrado neste dia 3 de junho, inaugurando uma exposição de seu acervo artístico depositado no Atecor e na sua família que bem traduz o seu amor por Florianópolis.
Falar de Aldo Nunes e todo o seu perambular criativo pela arte, desenhos, ilustrações e aquarelas, na educação, respeitado professor de desenho e gestor do IEE, e sua trajetória singular como especialista em restauração de bens culturais móveis, não é tarefa fácil.
Aldo Nunes escreveu as mais belas crônicas sobre a cultura insular e o desenvolvimento urbano de Florianópolis portando um caderno, um lápis e o talento ímpar no desenho.
Entre penas e pincéis, Aldo Nunes deixou para o amanhã o seu olhar sensível, ora embevecido e apaixonado, ora crítico e desapontado, testemunhando a transformação que a sua cidade, a sua Ilha de Santa Catarina sofria.
No périplo diário por ruas e praças, registrava incansável na folha imaculada a paisagem urbana da provinciana Florianópolis que se apagava, e com ela a memória coletiva.
Homem inquieto e de vanguarda. Fez parte do Movimento de Arte Moderna de Santa Catarina, integrando o icônico Grupo Sul, ilustrou a Revista Sul – consolidando o diálogo plural entre arte e literatura que acontece desde sempre.
Aldo Nunes foi diretor de Artes da Fundação Catarinense de Cultura (1982-1984) e criou o Atecor (Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis), sendo seu responsável desde 1983 até 1995.
Quarenta e dois anos depois, o Atecor mantém uma equipe qualificada e muito dedicada a proteger e salvaguardar o patrimônio artístico de Santa Catarina com fervor, tal qual idealizou seu criador.
Uma exposição que celebra o aniversário de 100 anos de Aldo Nunes carrega consigo a expressão de reconhecimento, de afeto e de gratidão manifesta por seus alunos, colegas, amigos e familiares. Traz também um bocadinho de saudade – aquele delicioso pungir de acerbo espinho, no dizer do poeta Almeida Garret. Obrigada, Aldo Nunes!