Os mistérios dos Petroglifos catarinenses

O litoral catarinense vem sendo  habitado por diversas culturas há milênios. E foram os sambaquianos quem inauguraram a história da ocupação humana em nosso território.

Sua  origem ainda é tema de estudo, mas se infere que chegaram ao litoral sul/sudeste do atual Brasil há pelo menos 8.000 anos, desenvolvendo uma cultura profundamente adaptada ao ambiente litorâneo. Essa adaptação levou à formação dos sambaquis – grandes montes de conchas, ossos e outros materiais orgânicos, usados tanto como moradias quanto sepultamentos e locais cerimoniais, o que revela sua conexão com a dimensão espiritual.

Este povo do mar deixou marcas que ainda ressoam neste cenário, onde a Ilha de Santa Catarina se manifesta como uma hierofania. Algumas pistas sugerem que a Ilha pode ter sido buscada como lugar sagrado, território de peregrinação (mais tarde buscada pelo Guarani como a Terra Sem Males), onde clãs sambaquianos se reuniam anualmente para festividades, cerimônias, ritos de passagem, iniciação e planejamento dos anciãos para a movimentação pelo território no ano seguinte. Entre conchas e pedras, celebravam a fertilidade da terra e do mar, a vastidão do oceano, a infinitude do céu e os ritmos dos astros.

Os ecos  desses encontros gravados na memória das pedras no convidam a refletir sobre a eterna dança entre o humano e o divino, onde o xamanismo nas tradições dos sambaquianos ressoa como um eterno cântico ao mistério da vida, sussurrando segredos ancestrais na maior concentração de petroglifos do litoral brasileiro.

Estes registros rupestres são um testemunho silencioso de um tempo em que o sagrado era manifestado na pedra, deixando pistas resultantes de processos xamânicos.

Os padrões nos traços, espirais, círculos, formas geométricas,  elementos universais muitas vezes repetitivos, podem ser vistos como mapas espirituais, indicando as jornadas de transformações  espirituais, conectando as profundezas da consciência, em seus estados alterados, aos caminhos que nos ligam  ao sol ardente, a lua serena e o mar infinito.

Em suma, a simbologia da arte rupestre catarinense é um convite para compreender uma visão de mundo em que o divino e o terreno se entrelaçam.