Senhores, ponham-se em seus lugares

Tentei pela primeira vez! Ensaiei as primeiras palavras, mas eles apenas olhavam entre si, mesmo estando em uma roda de conversa. Quando balbuciei, sequer viraram os rostos para saber de onde viriam aquelas poucas palavras que, com muito esforço, conseguiram sair de mim. Parecia invisível.

Novamente, esperei um momento de pausa na respiração para poder me fazer ouvir. Nada. Aprendi em casa que, enquanto um fala, o outro silencia. Aprendi que é falta de respeito e educação interromper a fala do outro. Então, esperei mais uma vez a pausa na respiração para engatar minha opinião. Aumentei o tom de voz e fui atropelando quem não me deixava falar. Deixei de lado os bons modos e segui olhando firme, com raciocínio concatenado.

Desenvolvi meu raciocínio, dei minha opinião, meu ponto de vista. Quanto esforço! Quanta energia despendida! Vai além do intelectual, é uma mistura de esforço físico, emocional e intelectual.

O fato vivido ontem pela ministra Marina Silva é corriqueiro na vida de Maria, de Joana, de Larissa. É corriqueiro na minha vida. Por isso, paro tudo para me juntar à voz de todas as mulheres brasileiras que não se deixam calar. Os ataques misóginos e racistas dos senadores da região Norte do país (Marcos Rogério – PL/RO, Omar Aziz – PSD/AM e Plínio Valério – PSDB/AM) jamais serão ignorados. Por isso, senadores, ponham-se em seus lugares.

Marina Silva saiu fortalecida em sua causa e na causa da prosperidade das gerações futuras. Sim, o debate era sobre a proteção da Amazônia, mas poderia ser qualquer outro assunto do nosso dia a dia: decisões que precisamos tomar e que nos impactam, seja na vida profissional ou pessoal.

Microfone cortado, fala interrompida, há ainda aqueles que, depois que conseguimos ter nosso momento de fala, resolvem explicar o que falamos. Patético? No mínimo. Por isso, Marina, faço das suas palavras minha bandeira de luta: “o meu lugar é defendendo aquilo que acredito, combatendo a desigualdade”. Marina, Joana, Francisca … todas nós!