Dados preocupantes do Avalia Floripa

O fato de apenas 16% dos estudantes do segundo ano da rede municipal de ensino de Florianópolis terem iniciado 2025 com conhecimento adequado em português e matemática para seguirem os aprendizados da série que frequentam, é preocupante.

Assim como é estarrecedora a informação de que apenas 61 (3%) dos 2.142 alunos do nono ano têm nível adequado de português e matemática – os outros 97% têm dificuldade de calcular descontos de promoções, por exemplo.

Dados como estes sobre a Educação da Capital foram apresentados com exclusividade ao Grupo ND pelo secretário municipal da Educação, Thiago Peixoto, pela subsecretária de Gestão de Educação, Fabrícia Luiz Souza, e pela diretora de Educação Fundamental, Karla Hermans, e demonstram uma realidade que há alguns anos estava oculta: enquanto pais, professores, diretores e sindicatos reclamavam por questões de infraestrutura, a educação de fato era deixada de lado – a ponto de os estudantes terem mais aulas de história, ciências e geografia do que de português e matemática, disciplinas essenciais para a formação de qualquer cidadão.

O resultado está à mostra: ao mesmo tempo em que tem uma das melhores infraestruturas do país, a Educação na Capital não era levada a sério. Os desafios agora se tornaram urgentes.

E por isso a Secretaria Municipal de Educação criou o Avalia Floripa, uma prova que será aplicada três vezes ao ano nas turmas de 2º, 5º e 9º anos para avaliar o avanço no nível de conhecimento dos alunos. Medir, avaliar e melhorar.

Além das provas, outras iniciativas já começaram a ser aplicadas, como, por exemplo, o ensino integral, a ampliação das aulas de língua portuguesa e matemática de quatro para seis aulas semanais, quantidade que já é comum em todo Brasil, além da qualificação dos professores e do apoio pedagógico aos estudantes.

Outra ação que já começou é o trabalho com letras e números na pré-escola, algo que envolve inclusive questões ideológicas – muitos pais e professores acreditam que as crianças têm de viver a infância e começar a alfabetização no primeiro ano.

Educação é assunto sério e precisa ser priorizado. Florianópolis agora tem um plano que pretende reduzir o déficit educacional em até 60% nos próximos três anos. Que a cidade não se entregue à ótica da resistência e da ideologia. Já perdemos muito. É hora de recuperarmos o tempo perdido.