O custo do tabagismo no Brasil

O Brasil gasta R$ 153,5 bilhões por ano com os danos provocados pelo tabagismo, somando custos com tratamento médico e perdas econômicas por morte prematura, incapacidades e cuidados informais. O valor equivale a 1,55% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

Os dados estão no levantamento “A conta que a indústria do tabaco não conta”, divulgado nesta semana pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pelo Ministério da Saúde, que alerta para a conscientização dos males causados pelo tabaco.

O estudo mostra ainda que para cada R$ 1 de lucro da indústria de tabaco, o país gasta R$ 5 tratando as doenças causadas pelo consumo – doenças cardíacas isquêmicas, AVC (acidente vascular cerebral), doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão atribuível ao tabagismo, por exemplo.

E nos últimos anos, entraram em cena os dispositivos eletrônicos para fumar, que são proibidos desde 2009 no Brasil e parecem inofensivos, mas que são igualmente cancerígenos.

Neste sábado, Dia Mundial Sem Tabaco, a Secretaria de Estado da Saúde, com o tema “Desmascarando a indústria do tabaco: expondo as táticas das empresas para deixar os produtos de tabaco e nicotina mais atrativos”, ressalta a importância de repensar o vício em tabaco – e os custos que ele traz. A dependência ultrapassa o aspecto físico, afeta também o bem-estar emocional, as relações sociais e a qualidade de vida do indivíduo.

Não se pode esquecer, entretanto, que nos últimos 20 anos o Brasil consolidou avanços relevantes no controle do tabaco, incluindo a adoção de ambientes livres do cigarro, a ampliação das advertências sanitárias nas embalagens e nos pontos de venda, e os programas oferecidos pelo SUS e pelos municípios para ajudar a parar de fumar. Mesmo assim, uma pesquisa de 2023 anotou quase 20 milhões de fumantes.

O tabagismo é responsável por 477 mortes por dia no Brasil, o que representa 174 mil mortes evitáveis por ano. Podemos mudar esses números.

Proteger a saúde da população, especialmente das futuras gerações, é uma missão coletiva. A luta contra o tabagismo é, antes de tudo, uma luta pela vida. E ela começa com informação, atitude e políticas públicas eficazes.