A aposta na trapaça

Todo mundo sabe que no 7 de setembro de 2021 houve uma das maiores manifestações de rua que esse país já viu

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Os conspiradores de boa aparência resolveram apostar tudo na tese de que o 7 de setembro será uma manifestação golpista, tendo como eminência parda o presidente da República. Eles já tentaram todas as teses, e é claro que a criatividade vai se esgotando.

Presidente Jair Bolsonaro (PL) vai concorrer à reeleição neste ano – Foto: Marcos Correa/PR/NDPresidente Jair Bolsonaro (PL) vai concorrer à reeleição neste ano – Foto: Marcos Correa/PR/ND

Todo mundo sabe que no 7 de setembro de 2021 houve uma das maiores manifestações de rua que esse país já viu, absolutamente pacífica e orgânica, ou seja, sem mobilização partidária. O fato de continuar havendo uma maioria de brasileiros disposta a defender a agenda aprovada pelas urnas, que tem resultados macroeconômicos incontestáveis, é um pesadelo para os que já desistiram desse negócio de democracia. E o fato de que essa maioria quer liberdade contra o autoritarismo do STF, contra a censura velada da imprensa e outros absurdos do momento é um estorvo para os que sonham com suas boquinhas particulares no Estado.

Um ano atrás o ex-presidente Temer foi ao presidente Bolsonaro em missão de paz com o STF (foi ele quem indicou Alexandre de Moraes, o protagonista das tensões atuais). Não deu em nada. Os que apostam na ruptura envenenam qualquer movimento de harmonização. O próprio Temer acabou preferindo ficar na trincheira antibolsonarista sistemática, curtindo os afagos daquela imprensa que passou mais de um ano tentando derrubá-lo. Temer, cujo governo iniciou algumas das reformas importantes que estão em curso, ainda fez um aceno patético a Dilma Rousseff, chamando-a de honestíssima. Recebeu de volta um passa-fora da delicadíssima “ex-presidenta”, sendo chamado de golpista, e desistiu de jogar charme para o PT.

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Para os que quiserem derrotar Bolsonaro sem trapaças, o primeiro passo seria parar de achar que o povo é idiota. E parar de fingir que o presidente não é uma representação democrática desse povo. Se não fosse, já teria caído. Isso não muda até a eleição. Então os que continuam a criar teses fantasiosas – os mesmos que disseram que a gigantesca manifestação cívica de 7 de setembro de 2021 foi um “ato antidemocrático” – só podem estar apostando na trapaça.

Vale alertar enquanto é tempo: essa hipótese não é viável no Brasil. Muitos sabotadores em pele de cordeiro viram a bagunça feita na eleição dos EUA e acham que esse pode ser o novo normal. Por isso teimam em desprezar e descaracterizar a enorme capacidade de mobilização que a população brasileira tem hoje, bastante mais esclarecida sobre os seus direitos e sobre a sua força.

Muitos dos que até já foram tratados como reserva moral, ou ao menos como referência de civilidade, estão hoje assinando manifestos mal escritos contra o fascismo imaginário. Vamos ver se o surto de irresponsabilidade termina a tempo, antes que o pior aconteça.

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