A escolha de Dória e os desafios da unidade no PSDB

Cisões internas aumentaram com prévias dos tucanos

Receba as principais notícias no WhatsApp

Depois de uma semana de desgaste politico, causado pelo fiasco do aplicativo das prévias, o PSDB anunciou a vitória do governador João Dória, escolhido candidato a Presidência da República. Arrastando-se nas pesquisas ao redor de um dígito, o paulista terá inúmeros obstáculos a enfrentar para se tornar a chamada terceira via. A primeira e mais desafiador está na visível desunião interna, do comando aos filiados nos Estados.

Discurso da vitória: inconvincente – Foto: DivulgaçãoDiscurso da vitória: inconvincente – Foto: Divulgação
Fernando Henrique Cardoso, o presidente de honra do tucanato, já batalhou pela candidatura do apresentador Luciano Huck, preferência que agredia a lógica política, e depois abraçou-se ao ex-presidiário, sinalizando que não acreditava na terceira via agora pretendida por seu afilhado politico. Geraldo Alckmin, outra expressiva liderança do PSDB nacional, revelou total descrença com as prévias e com o futuro dos tucanos, ao admitir aliança com a esquerda para ser vice do ex-presidiário petista. Aécio Neves, o ex-presidente nacional, prefere ver o diabo a abraçar-se com Dória. E o próprio Eduardo Leite proclamou durante a campanha das prévias que a escolha de João Dória “seria uma derrota eleitoral antecipada de 2022”.
O discurso de Dória no final da reunião das prévias foi um poço de incoerência. Assumiu postura de vítima de 64, mas foi presidente da Embratur durante o regime militar. Disparou contra o PT, chamando Lula de ladrão, mas vem namorando as esquerdas com seus ídolos tucanos. Atacou Bolsonaro, queimando a língua e a história na tentativa de sepultar o “bolsodória”.
Com esta retórica e o passado do “fecha tudo” durante a pandemia, liquidando com milhares de empresas e milhões de empregos em São Paulo, dificilmente vai oxigenar a pretendida terceira via.
*