A janela infiel

A Justiça Eleitoral e até o STF já declararam que o mandato não pertence individualmente ao candidato, mas ao partido

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Não tem jeito. A Justiça Eleitoral e até o STF já declararam que o mandato não pertence individualmente ao candidato, mas ao partido. Em pura perda.

Para saltar de galho em galho, em busca de vantagens – sejam votos ou propinas, vale tudo- os donos de mandatos continuam trocando de acampamento como quem troca de camisa.

TSE – Tribunal Superior EleitoralUrna eletrônica – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/NDTSE – Tribunal Superior EleitoralUrna eletrônica – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/ND

Em março abre-se a prodigiosa “janela” de um mês para que os deputados troquem de legenda sem infringir as regras da “fidelidade” (?)…Nunca se viu fidelidade mais permissiva e infiel.

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Vale dizer: instala-se em dois meses o “mercado persa” cuja moeda de troca é a endêmica propina, incrivelmente disfarçada com a máscara de Fundo Eleitoral.

No Brasil é assim: ser oposição ou governo não responde a motivos programáticos ou ideológicos. Vincula-se, sim, a impulsos pessoais, ou ao estímulo daquele órgão mais sensível do corpo humano– que aqui jamais foi o coração, mas o bolso.

Marcel Proust – o romancista que se valia do tempo para perscrutar a alma – definiu a memória como uma espécie de “farmácia” no curso da aventura humana:- Em sua prateleira, ao acaso, o homem põe a mão ora sobre um calmante, ora sobre um veneno perigoso.

No Brasil, assim como o “coronavírus” e o zikavírus – que atacam os organismos vulneráveis- os políticos optam sempre pelo facilitário da “desmemória” popular. E valem-se dessa fraqueza para trocar de “uniforme” de 15 em 15 minutos.

Surfando no que acreditam ser o “vácuo encefálico” do eleitor, os políticos recontam a sua história e a de seu partido “novo” nos chamados “Horários Gratuitos da TV”, que, como se sabe, nada têm de gratuitos. Não pode dar certo – ainda mais no absurdo universo de 35 partidos, a maioria dos quais “entes” de pura ficção.

Os candidatos recomeçam a cada nova temporada, “recriando” a história, assim como fazia o personagem Winston do clássico “1984”, de George Orwell. De15 em 15 minutos, um inimigo era reabilitado pelo Grande Irmão, tornando-se um “novo amigo”. Ou um amigo era açoitado como “o mais novo inimigo” – e, assim, transformado em alvo durante os exercícios diários dos “Dois Minutos de Ódio”.

Contra este mal, a “desmemória”, ainda não se fabricaram vacinas eficazes. Nem adianta chamar o doutor Albert Sabin, o exorcista da poliomielite, ou o doutor Alexander Fleming, o pai da penicilina. Essa falta de senso da própria honradez e de fosfato histórico, moléstias que assolam o Brasil de hoje, requerem educação política- algo muito mais denso e complexo, num país que tanto carece de simples educação

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