Não reconheço como “a minha pátria” esta terra de instituições humanas tão pobres em ética, em compostura, em humanismo. A minha pátria não é a mesma desses poderosos que estão na saliva de sórdidos delatores, tão corruptos quanto os seus denunciados – um dia “aliados” na infame missão de assaltar os brasileiros de bem.
Há 40 anos o Brasil se despedia de um dos maiores artistas brasileiros, Vinícius de Moraes. Ele é dono de obras na literatura, na música, no teatro e no cinema.A minha pátria não é a que amarga todos os dias um pote de fel, as orelhas rubras de tanta vergonha. Mesmo sendo tais delatores criminosos pós-graduados, o que dizer dos “representantes do povo” (e até magistrados), que deles se tornaram reféns?
A minha pátria não é a mesma de certos agentes dos poderes do Estado, que se instalaram em Brasília e se deixaram corromper pela corrosão do caráter e pela degenerescência moral.
SeguirA minha bela pátria do Brasil não é a roubalheira nos recursos de saúde, nos respiradores “comprados” e não entregues, a maracutaia dos propinodutos, a contínua chantagem das “bases aliadas”, exigindo vantagens para não votar contra os interesses do país. Não.
A minha pátria é a de Vinicius de Moraes nos versos imortais de “Pátria Minha”:“Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa/ Que brinca em teus cabelos e te alisa/ Pátria minha, e perfuma o teu chão…/Que vontade me vem de adormecer-me entre teus doces montes, Pátria minha/ Atento à fome em tuas entranhas/ E ao batuque em teu coração/ Não te direi o nome, Pátria minha/Teu nome é pátria amada, é patriazinha, não rima com mãe gentil/ Vives em mim como uma filha/ Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez…”
A nossa pátria não convive bem com a cleptocracia, nem aceita a vitória da corrupção.Este Brasil, vergastado por um vírus apocalíptico, ainda assiste a prevalência do crime sobre as leis, transformando quem era bandido em herói, e quem era virtuoso em marginal.
É o velho Brasil que ressuscita, para desgosto dos que pagam os impostos com correção.Ao povo, resta viver numa desolada esquina chamada “esperança”.
Não podemos viver nem aceitar regimes como o de “1984” (George Orwell), em que em nome da democracia adotava-se a ditadura. Reescrevia-se a história com o disfarce da mentira repetida – que, de tanto repetir-se, virava uma verdade.
Invertiam-se todos os valores e conceitos. “Guerra” passava a significar paz. “Mentira” era verdade. “Morte” era vida. Uma pátria que seja amada não sobrevive a uma virose moral como a que transforma uma democracia em tirania.