Alesp arquiva denúncia contra Capitão Telhada por homenagear médico condenado por estupro

Decisão por não admissibilidade durou menos de cinco minutos; deputado alega que não sabia da condenação e organização foi de associação que já cassou a medalha

Foto de Adriano Assis

Adriano Assis São Paulo

Receba as principais notícias no WhatsApp
Denúncia contra Capitão TelhadaDenúncia contra Capitão Telhada (PP) por quebra de decoro foi arquivada por cinco votos a um – Foto: odrigo Costa/Alesp/ND

O conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) não precisou de cinco minutos para arquivar a denúncia contra Capitão Telhada (PP), protocolada pelos deputados Ediane Maria (Psol) e Paulo Fiorilo (PT). Por cinco votos a um, os integrantes do conselho decidiram na manhã desta terça-feira (10) pela não admissibilidade do processo.

Capitão Telhada era acusado de quebrar o decoro da Alesp ao homenagear um homem condenado em duas instâncias por estupro de vulnerável entre os agraciados pela Medalha Cinquentenário das Forças de Paz do Brasil, em parceria com a ABFIP (Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz), em março deste ano.

“A verdade prevaleceu e mostrou o que todos já sabiam, até mesmo a esquerda. Ficou claro, e foi comprovado através de notas oficiais, que eu não tive qualquer participação na escolha do homenageado. Eu sempre estou atendo a moralidade e correção dos atos em meu mandato. A medalha já foi cassada pela ABFIP atendendo a ofício de nosso gabinete”, comemorou o deputado.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) foi um dos autores da denúncia e lamentou o arquivamento – Foto: Rodrigo Romeo/Alesp/NDDeputado estadual Paulo Fiorilo (PT) foi um dos autores da denúncia e lamentou o arquivamento – Foto: Rodrigo Romeo/Alesp/ND

Paulo Fiorilo, um dos autores da denúncia contra Capitão Telhada, lamentou a decisão do conselho de Ética. “Em que pese as normativas que a presidência da Alesp deliberou após o grave incidente, é papel do Conselho apurar o fato ocorrido e tomar as devidas providências diante de situações que comprometem a ética e a integridade do legislativo. Não podemos ignorar o que aconteceu”, afirmou.

Denúncia contra Capitão Telhada

A pedido do deputado estadual Capitão Telhada, a Alesp sediou um ato solene para entregar a Medalha Cinquentenário das Forças de Paz do Brasil para representantes da sociedade civil, organizado pela ABFIP.

O deputado participou e ajudou a entregar as homenagens para médicos, delegados de polícia e profissionais de diferentes áreas. Um dos homenageados foi o médico Milton Seigi Hayashi. Ele tinha sido condenado a 16 anos e 4 meses de reclusão pela 1ª Vara Criminal de Birigui por estupro de uma sobrinha de 9 anos.

Depois, a 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação, mas reduziu a pena para 14 anos e 4 meses. O médico ainda recorre do caso. Paulo Fiorilo e Ediane Maria acionaram o deputado no conselho de Ética alegando que a honraria a um condenado em duas instâncias quebra o decoro da Casa.

Alvo da denúncia foi a homenagem ao médico Milton Seigi Hayashi no fim de março – Foto: Larissa Navarro/Alesp/NDAlvo da denúncia foi a homenagem ao médico Milton Seigi Hayashi no fim de março – Foto: Larissa Navarro/Alesp/ND

Capitão Telhada, na época da denúncia, afirmou por nota que não sabia das condenações, que o gabinete “não teve qualquer participação na escolha dos homenageados, uma atribuição exclusiva da ABFIP” e “determinou que a associação seja formalmente acionada para o imediato cancelamento da honraria concedida à pessoa em questão.”

Também por nota, no início de abril, a associação alegou que soube das condenações pela imprensa, uma vez que o caso corre sobre segredo de justiça, e que abriu procedimento interno para averiguar os fatos.

No dia 29 de maio, a ABFIP encerrou o procedimento e decidiu por unanimidade cassar a homenagem ao médico.

Reunião rápida

A denúncia contra Capitão Telhada foi o único item da reunião desta terça-feira do conselho de Ética da Alesp. O deputado Carlos Cezar (PL) solicitou a dispensa da leitura da ata do encontro anterior, o que foi aprovado.

O presidente, deputado Delegado Olim, afirmou na sequência que não tinha integrante inscrito para discutir a admissibilidade ou não do processo e abriu a votação, nominal, a pedido da deputada Paula da Bancada Feminista (Psol). Ela foi a única a votar pela admissibilidade da denúncia contra Capitão Telhada.

Votaram contra: Delegado Olim (PP), Carlos Cezar, Rafael Saraiva (União), Oseias de Madureira (PSD) e Dr. Eduardo Nóbrega (Podemos). Na sequência, a reunião foi encerrada.

A Alesp tem nesta terça-feira sessões ordinárias e extraordinárias com pauta focada em vetos do governo do estado, não incluído ainda o programa SuperAção SP. Deputados ainda aguardam a sanção ou não dos projetos de lei aprovados no fim de maio, como novas adaptações para alunos autistas e com deficiências e a criação de fundo para promover direitos da comunidade negra.

Tópicos relacionados