Deputadas estaduais de São Paulo recebem ameaças por e-mail

Segundo nota conjunta das parlamentares, foi um ‘ataque misógino, racista e capacitista’; mulheres ocupam 25% das cadeiras na Alesp

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Adriano Assis São Paulo

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Ataque às deputadas estaduais de SPParlamentares divulgaram nota conjunta sobre ataque às deputadas estaduais de SP – Foto: Reprodução/ND

As parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foram ameaçadas por e-mail, que segundo nota oficial tinha teor “misógino, racista e capacitista”. O ataque às deputadas estaduais de SP ocorreu no sábado (31) e será investigado pela Casa.

Na noite desta segunda-feira (2), várias das parlamentares publicaram nas redes sociais nota oficial em nomes de todas as mulheres que cumprem mandato na Alesp. A bancada feminina ocupa 24 das 94 cadeiras da Casa, mas não ocupa nenhum cargo na mesa diretora, presidida por André do Prado (PL), aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ataque às deputadas estaduais de SP ocorreu de forma anônima.

“O e-mail é um ataque claro ao direito de mulheres exercerem seus espaços de poder na política institucional, um espaço já tão reduzido na Alesp, onde somos 24 em 94 deputados. É também um ataque direcionado a pessoas com deficiência, a pessoas negras, a pessoas idosas, públicos já historicamente vulnerabilizados em um país como o nosso”, afirma Andréa Werner (PSB).

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‘O e-mail é um ataque claro ao direito de mulheres exercerem seus espaços de poder’, entende Andréa Werner (PSB) – Foto: Larissa Navarro/Alesp/ND‘O e-mail é um ataque claro ao direito de mulheres exercerem seus espaços de poder’, entende Andréa Werner (PSB) – Foto: Larissa Navarro/Alesp/ND

Para a parlamentar, o ataque às deputadas estaduais de SP ocorre porque criminosos se sentem seguros para atuar na internet. “Essa é uma situação que revela o quão urgente também se faz a adoção de políticas públicas mais eficazes sobre o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens. Não é possível que criminosos ajam impunes no ambiente digital, ou fora dele”, defende.

Ataque às deputadas estaduais de SP

Até a publicação desta reportagem, oito parlamentares já tinham feito a publicação da nota conjunta sobre o ataque às deputadas estaduais de SP: Andréa Werner (PSB), Beth Sahão (PT), Ediane Maria (Psol), Maria Lucia Amary (PSDB), Marina Helou (Rede), Monica Seixas do Movimento Pretas (Psol), Paula da Bancada Feminista (Psol) e Prof. Bebel (PT).

O texto sobre o ataque às deputadas estaduais de SP diz que o e-mail continha “ameaças aviltantes que, além de atingir a todas, ainda citava nominalmente algumas parlamentares. Infelizmente, casos de violência política como esse, organizados por grupos na internet, têm sido cada vez mais comuns.”

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Alesp, Dani Alonso (PL), discursou semana passada sobre violência política sofrida por mulheres – Foto: Marco A. Cardelino/Alesp/NDPresidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Alesp, Dani Alonso (PL), discursou semana passada sobre violência política sofrida por mulheres – Foto: Marco A. Cardelino/Alesp/ND

Ainda segundo a nota, algumas parlamentares já tinham recebido ameaças do tipo, mas foi a primeira vez um ataque foi direcionado à todas as mulheres da Casa. Elas informam que a polícia e a presidência da Alesp foram imediatamente acionadas.

“Intimidações desse tipo não podem ser aceitas sob o regime democrático em que vivemos, mas elas mostram o quão urgente também se faz a adoção de políticas públicas de enfrentamento à violência política de gênero”, finaliza o texto.

Violência política contra mulheres

O ataque às deputadas estaduais de SP ocorre há menos de uma semana da eleição para a da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Alesp. Na oportunidade, a deputada Dani Alonso (PL) como presidente, e Márcia Lia (PT) foi eleita para a vice-presidência.

Apesar das diferenças ideológicas da bancada, o clima foi de união e preocupação com a violência de gênero no ambiente político. “Vamos lutar para que as mulheres ocupem os espaços na política e que também tenham a garantia de serem protegidas. Que elas exerçam o direito de estar nesse espaço. A gente vê hoje o quanto as mulheres são atacadas, desmotivadas e muitas vezes incentivadas a desistirem”, afirmou a presidente.

Vice-presidente da comissão, Márcia Lia defendeu que “projetos de lei de temas que dizem respeito às mulheres têm que ser discutidos por mulheres. Essa comissão é fundamental para que a gente possa garantir cada vez mais a preservação dos direitos.”

Na reunião, as deputadas lembraram dos tons agressivos adotado por senadores em discussão com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 24% das mulheres que atuam na política já sofreram violência.