Nada de cartão e nem de Disney: como Lei Magnitsky pode afetar a vida pessoal de Moraes

Mais do que o efeito político, uma eventual sanção dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, como articula Eduardo Bolsonaro, pode afetar a vida pessoal de Moraes.

Foto de Tatiana Azevedo

Tatiana Azevedo Brasília

Receba as principais notícias no WhatsApp
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal – Foto: Felipe Sampaio/STF/NDAlexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal – Foto: Felipe Sampaio/STF/ND

A eventual aplicação da Lei Magnitisky ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, conforme ventilou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pode ter consequências que irão além de mera pressão política, e causar sérias consequências na vida pessoal e financeira do magistrado.

Conhecida por alguns como ‘pena de morte financeira’, a legislação permite ao governo norte-americano a punição de estrangeiros envolvidos em casos de violações de direitos humanos e em casos de corrupção, com sanções como o bloqueio de contas bancárias, cancelamento de cartões de crédito e restrições de entrada nos Estados Unidos.

Após a ida do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para os Estados Unidos, sob a alegação de que estaria sendo perseguido e poderia ser preso; o Secretário de Estado dos EUA afirmou, durante audiência no Congresso americano, que há “grande possibilidade” dos EUA aplicarem sanções contra Moraes com base na Lei Global Magnitsky.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Possibilidade de sanção a Moraes é confirmada por secretário dos EUA – Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência BrasilPossibilidade de sanção a Moraes é confirmada por secretário dos EUA – Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro poderia ser ‘enquadrado’ por tomar decisões contra fake news e discursos de ódio nas redes sociais brasileiras. Moraes é relator de inquéritos no STF que tratam das manifestações do 8 de janeiro, e acusado principalmente por bolsonaristas e políticos de direita de violar direitos humanos.

No Brasil, não é raro ouvir antagonistas se queixarem da atuação do ministro por exacerbar suas funções de magistrado. No próprio parlamento existe um requerimento que pede a criação de uma CPI do Abuso de Autoridade por ministros da Suprema Corte, especialmente para apurar atos de Moraes, mas o pedido está parado, na fila de CPIs.

Como surgiu a Lei Magnitisky, que pode afetar a vida de Alexandre de Moraes

Enquanto isso, a oposição viu na legislação estrangeira uma maneira de tentar conter Moraes. A Lei Magnitisky foi aprovada em 2012, durante o governo de Barack Obama, e prevê sanções como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo norte-americano, além da proibição de entrada no país.

A norma foi criada após a morte de Sergei Magnitsky, advogado russo que denunciou um esquema de corrupção envolvendo autoridades de seu país e morreu em uma prisão de Moscou, em 2009. Inicialmente, a lei tinha como foco punir apenas os responsáveis por sua morte, mas seu alcance foi ampliado por uma emenda em 2016, ganhando maior alcance.

Lei norte-americana pode impedir Alexandre de Moraes de visitar os Estados UnidosA Casa Branca, localizada em Washington, é a atual ‘casa’ do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: Pixabay/ND

Desde então, passou a ser aplicada globalmente pelo Governo dos Estados Unidos, autorizando o governo a aplicar sanções unilaterais àqueles que violam direitos humanos, congelando seus bens e proibindo-os de entrar em território estadunidense.

Decano do STF reage e diz que estrangeiros não podem restringir  exercício da jurisdição doméstica

Depois da fala do secretário de Donald Trump, o ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, saiu em defesa de Moraes. Numa publicação no X, Gilmar Mendes afirmou que agentes estrangeiros não podem restringir o “exercício da jurisdição doméstica” no Brasil.

No texto, o decano do STF destacou  que o trabalho de regulamentação e fiscalização de discursos de ódio nas redes e plataformas digitais, como o expresso em decisões recentes de Alexandre de Moraes, é fundamental para a soberania nacional.

“A regulamentação das plataformas digitais e o estabelecimento de parâmetros para discursos odiosos constitui elemento basilar da soberania nacional para qualquer nação contemporânea. Não há paradigma universal”, completou Mendes.

Na avaliação de autoridades, a aplicação da lei seria uma intromissão no Brasil, e poderia gerar uma crise diplomática, mas o grande prejudicado mesmo seria Alexandre de Moraes, ou seja, a pessoa física do ministro.

Tópicos relacionados