Anistia do 8 de janeiro: partido de Bolsonaro muda estratégia após veto do presidente da Câmara

Líder do PL na Câmara dos deputados, Sóstenes Cavalcante, está recolhendo assinaturas para solicitar urgência no projeto da anistia do 8 de janeiro

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Redação ND* Florianópolis

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), orientou aos líderes de partido a não assinassem o requerimento de urgência do Projeto de Lei da anistia do 8 de janeiro. A atitude de Motta reverberou e forçou o Partido Liberal, de Jair Bolsonaro, principal interessado no projeto, a mudar sua estratégia.

Hugo MottaHugo Motta (Republicanos-PB) solicitou que líderes de partidos não assinassem requerimento de urgência para o projeto da anistia do 8 de janeiro – Foto: Reprodução/R7/ND

PL articula urgência para lei da anistia do 8 de janeiro

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido mudou de planos. Agora, em vez das assinaturas dos líderes, o PL irá coletar as assinaturas individuais dos deputados para votar o projeto em urgência. As informações são do portal Metrópoles.

O requerimento de urgência permite que o projeto seja enviado diretamente para votação em plenário sem antes passar pelas comissões. A intenção, conforme indicou Cavalcante, é alcançar o apoio para uma votação de urgência já na primeira quinzena de abril. O líder do PL afirma que já foram coletadas 163 das 257 assinaturas necessárias para aprovar o requerimento.

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Apesar do movimento de Motta, Cavalcante expressou apoio ao presidente da Câmara. “Quero deixar claro que o presidente Hugo Motta é, continua sendo e será sempre aliado do PL em todas as nossas bandeiras, inclusive na anistia. Entretanto, a gente tem que entender as situações e a pressão que a cadeira de um presidente sofre”, disse.

Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), articula o requerimento de urgência da anistia do 8 de janeiro – Foto: Reprodução/R7/ND

Boicote a projetos

Para pressionar a votação da anistia do 8 de janeiro, o partido passou a semana obstruindo pautas na Câmara. Apesar de não ter impedido as votações, Cavalcante afirma que o partido ira manter a estratégia, mas de forma responsável.

“Tem matérias que não dá para parar. Por exemplo, vai ter as comissões de orçamento. Lógico que se a gente obstruir lá, nós estamos complicando a vida de toda a Casa e nós estamos precisando dos votos das pessoas para a anistia”, argumentou o líder do PL.

Líderes do centrão irritados com PL

Como informado pelo portal Uol, Cavalcante estava afirmando ter apoio do centrão para aprovação da lei da anistia do 8 de janeiro. Essa declaração irritou lideranças da Câmara. Conforme informado, apesar de entenderem a movimentação do PL como legitima, muitos líderes de partido não querem assinar o documento.

PT descredibiliza

Para Lindbergh Farias (RJ), liderança do PT na Câmara, o projeto da anistia do 8 de janeiro foi derrotado, segundo informou o portal CNN. “Passaram a semana inteira dizendo que iam apresentar isso, apresentar os nomes, apresentar o requerimento, na verdade eles não apresentaram. Essa semana essa tese da anistia foi derrotada aqui”, afirmou Farias.

Deputado Lindbergh Farias (PT), afirma que projeto da anistia do 8 de janeiro foi derrotadoDeputado Lindbergh Farias (PT), afirma que projeto da anistia do 8 de janeiro foi derrotado – Foto: R7/ND

Base do governo assina

Apesar da posição da liderança do partido, 50 deputados de partidos da base do governo assinaram pedido para levar o projeto de anistia do 8 de janeiro direto a plenário. A lista considera apoios concedidos até o início da tarde desta sexta-feira (4).

A relação considera partidos com nomes em ministérios, como caso do União Brasil, Republicanos e PSD. Até o momento, o União é o partido que cedeu mais assinaturas: 24 parlamentares. A sigla conta com duas cadeiras na Esplanada de Lula, com a indicação do ministro do Turismo, Celso Sabino, e o das Comunicações, Juscelino Filho.

Na sequência estão o Republicanos, com 14 deputados em apoio à urgência, e o PSD, com 12. As legendas ocupam, respectivamente, os ministérios de Portos e Aeroportos e o da Agricultura.

Zanin nega habeas corpus

Ainda nesta nesta sexta-feira (4), deputados de oposição na Câmara lamentaram a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin, de negar o pedido de habeas corpus coletivo apresentado pelo grupo em favor de investigados do 8 de janeiro que estão presos.

“No fundo, havia um fio de esperança de que o ministro sorteado para analisar o HC tivesse mais sensibilidade. Infelizmente, a política domina a mais alta corte jurídica do país”, reclamou o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS).

Ministro Cristiano ZaninMinistro Cristiano Zanin negou o pedido de Habeas Corpus coletivo do PL – Foto: Fellipe Sampaio/ STF/ Reprodução/ ND

O comunicado veio após Zanin negar a solicitação de que investigados pelo 8 de janeiro que ainda não foram condenados possam cumprir prisão domiciliar em vez de aguardarem pelo julgamento em prisão preventiva.

*Com informações do R7