O vice-presidente da CPI da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou, nesta quarta-feira (6), uma denúncia enviada por uma médica da Prevent Senior à ANS, em abril do ano passado, sobre falta de autonomia médica e obrigatoriedade da prescrição do chamado ‘kit Covid’, composto de medicamentos sem comprovação de eficácia contra a doença.
Depoimento ocorreu nesta quarta-feira – Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Divulgação/NDA informação contraria a alegação do diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Rebello Filho, depoente na CPI nesta quarta, que disse que a agência só soube de denúncias sobre a operadora após as acusações feitas no âmbito da CPI, recentemente.
Segundo o senador, a profissional fez denúncias em março e maio do ano passado. Depois, voltou a fazer uma denúncia em abril deste ano, e a agência só respondeu em outubro.
SeguirApós a resposta da ANS, com uma série de questionamentos, a médica enviou mensagens de WhatsApp comprovado as suas denúncias, nas quais ela aponta que havia imposição por parte da operadora de que os “profissionais de saúde prescrevessem determinados medicamentos aos pacientes com Covid-19, restringindo a autonomia médica”.
Mensagens do caso
“Importante: nesse minuto, iniciaremos um protocolo para pacientes internados para tratamento do Covid! Quem tiver paciente internado, favor prescrever para todos os casos no momento da internação: sulfato de hidroxicloroquina via oral associado a azitromicina”, dizia uma das mensagens encaminhadas pela médica.
Em nova mensagem, de março do ano passado, acrescenta: “Todos os pacientes com sintomas gripais e/ou sinais tomográficos sugestivos de pneumonia pelo Covid-19 deverão receber o esquema com hidroxicloroquina”.
Já outro texto, considerada grave por Randolfe, diz que uma médica orienta a prescrição de cloroquina a quem espirrar. “Espirrou, toma. Os resultados estão ótimos. Bora prescrever”.
O senador ainda mostrou uma mensagem de maio do ano passado na qual uma plantonista não prescreveu hidroxicloroquina a uma paciente com alteração eletrocardiográfica.
Isso contraindicaria o uso dessa medicação, e um diretor enviou mensagem a outra pessoa para que fosse verificar com um diretor da operadora, que é cardiologista, se ele autorizaria o uso. Segundo o senador, no final das mensagens, mesmo com as advertências, é recomendado que se aplique a hidroxicloroquina.
A Prevent Senior passou a ser um dos focos de apuração da CPI após médicos da operadora fazerem uma série de denúncias, entre elas a de que eram obrigados a receitar o “kit Covid” a todo paciente com suspeita ou confirmação da infecção pelo coronavírus.
A advogada do grupo de médicos, Bruna Morato, prestou depoimento à CPI e na ocasião afirmou que a Prevent adotou a disponibilização de medicamentos ineficazes no combate à Covid-19 como uma estratégia de redução de custos.
Segundo ela, a empresa preferia entregar o kit a internar pacientes. “Era uma estratégia para redução de custos, uma vez que é muito mais barato para a operadora de saúde disponibilizar determinados medicamentos do que efetivamente fazer a internação daqueles pacientes que usariam aquele conjunto de medicamentos”, afirmou.
Depoimento
A CPI da Covid ouviu, nesta quarta-feira (6), o diretor da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Paulo Roberto Rebello Filho. Os senadores desejavam entender se houve omissão da agência, responsável por fiscalizar planos de saúde, no caso Prevent Senior.
Diretor da ANS depõe na CPI da Covid – Foto: Reporudução TV SenadoA Prevent Senior, plano focado no atendimento a idosos, é investigada por supostamente ocultar mortes de pacientes por Covid-10 e por pressionar médicos a indicarem remédios comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, segundo estudos internacionais. A empresa nega.
A CPI ainda deve questionar Paulo Roberto sobre o relacionamento com o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um dos investigados na comissão. Paulo Rebello foi chefe de gabinete do Ministério da Saúde quando Ricardo Barros chefiava a pasta.
Confira o depoimento na íntegra:
*Com informações de R7.