Após escândalo de propina, secretário e presidente da Floram pedem afastamento em Florianópolis

Representantes não são citados, mas deixaram as funções para colaborar com as investigações; nova etapa de auditorias iniciou nesta segunda-feira (2)

Foto de Laura Machado

Laura Machado Florianópolis

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O titular da SMDU (Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis), Nelson Mattos e a presidente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Beatriz Kowalski, pediram afastamento dos respectivos cargos que ocupavam na Prefeitura de Florianópolis. Eles tomaram a decisão, segundo a Prefeitura, para ajudar nas investigações envolvendo um servidor da Floram flagrado recebendo propina para evitar a demolição de uma construção irregular.

Prefeito Topázio se reuniu com representantes da SMDH e da Floram, em Florianópolis – Foto: PMF/Divulgação/NDPrefeito Topázio se reuniu com representantes da SMDH e da Floram, em Florianópolis – Foto: PMF/Divulgação/ND

Dança das cadeiras após escândalo de propina

Em nota, a Prefeitura explica que Nelson Mattos e Beatriz Kowalski não possuem envolvimento no caso, mas decidiram sair das funções para cooperar no andamento das investigações.

“Sobre eles, não pesa nenhum indício de irregularidade, mas preferiram estar de fora para demonstrar lisura nos processos. Vão, inclusive, procurar a polícia espontaneamente para ajudar nas investigações”, detalhou o prefeito Topázio Neto.

A arquiteta e servidora da PMF Ivana Tomasi assume a SMDU de forma temporária pelos próximos 60 dias. Já à frente da Floram, quem assume o cargo de presidente é o engenheiro sanitarista de carreira Bruno Vieira Luiz.

Pente-fino

A Prefeitura de Florianópolis iniciou, nesta segunda-feira (2), uma nova etapa da auditoria que apura os processos da Floram depois que um servidor foi flagrado recebendo propina para evitar a demolição de uma construção irregular.

Vídeo mostra funcionário da Floram cobrando propinaVídeo mostra funcionário da Floram cobrando propina

A nova fase do ‘pente-fino’ vai analisar os processos de licenciamento e fiscalização que tenham ligação com os servidores investigados no escândalo, a partir da Controladoria-Geral de Florianópolis.

A PMF informou que não exclui a possibilidade de outros desdobramentos para apurar ações relacionadas ao esquema de propina. Também explicou, em nota, que as novas denúncias também serão compartilhadas com a PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina).

“Tanto do caso da Floram quanto de outras possíveis irregularidades, estamos apurando qualquer indício. Não descartamos novas ações para combater a corrupção em Florianópolis”, completou o prefeito.

Relembre o caso Floram

O servidor da Floram Felipe Pereira foi flagrado em vídeo recebendo propina de um construtor para fazer a liberação de uma obra irregular, em Florianópolis.

Ele foi preso no dia 15 de setembro, durante uma operação da Polícia Civil e a prefeitura informou que teve conhecimento do caso na mesma noite.

Conforme a investigação, Felipe Pereira, que atua como servidor público no município há oito anos, teria abordado um construtor envolvido em obras irregulares na área do Ribeirão da Ilha, na região Sul da Ilha de Santa Catarina.

ND+ teve acesso ao vídeo do momento em que Felipe recebe a propina. O servidor afirma que o valor acertado seria de R$ 90 mil caso o pagamento fosse realizado à vista, ou R$ 110 mil se fosse parcelado.

O ND+ teve acesso ao vídeo do momento em que Felipe recebe a propina. O servidor afirma que o valor acertado seria de R$ 90 mil caso o pagamento fosse realizado à vista, ou R$ 110 mil se fosse parcelado – Vídeo: Divulgação/ND

Durante a conversa, o construtor rebate que o valor acertado seria de R$ 30 mil à vista para cada unidade ou R$ 35 mil parcelado. O dinheiro em conversa, segundo a Polícia Civil, seria para a liberação de uma construção sem licença.

Nei João da Silva, outro investigado pelo esquema de pagamento de propina, era nomeado pelo Governo de Santa Catarina como diretor de tecnologia e inovação do Detran.

Ele foi exonerado do cargo com salário de R$ 8 mil. O decreto, assinado pelo governador Jorginho Mello (PL), foi publicado na segunda-feira (18) no Diário Oficial do Estado.

O advogado Eduardo Herculano, que representa Felipe Pereira, informou que não irá se manifestar sobre o caso.

A defesa de Nei João da Silva emitiu uma nota de resposta às acusações de corrupção.

“Vamos colaborar com a investigação. A gente pretende provar a inocência dele e mostrar a verdadeira intenção por trás dessa notícia”, afirmou o advogado André Kinchescki, que representa Nei.