Armas passam a ter impostos de 55% com novo decreto de Lula; deputado de SC se manifesta

Alteração no IPI deve ser repassada ao consumidor final de armas, conforme novo decreto assinado pelo presidente Lula

Lene Juncek Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

As armas de fogo comercializadas no Brasil passam a ter um imposto de 55%, a partir do novo decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A medida altera o texto publicado por Jair Bolsonaro em julho de 2022 que definiu as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre armas de fogo, munições e aparelhos semelhantes em 29,25%.

Imagem de LulaA medida altera o texto publicado por Jair Bolsonaro em julho de 2022 – Foto: Agência Brasil/Divulgação/ND

A medida foi publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira (1º). Revólveres, pistolas, espingardas, carabinas, spray de pimenta e outros equipamentos passam a ter uma alíquota de 55%. Já os cartuchos terão uma alíquota de 25%.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A expectativa do Governo Federal é de que, com as novas alíquotas, o potencial de arrecadação chegue a R$ 1,1 bilhão em três anos — R$ 342 milhões em 2024; R$ 377 milhões em 2025; e R$ 414 milhões em 2026. O IPI incide sobre os produtos industrializados, e o valor costuma ser repassado ao consumidor no preço final das mercadorias.

Arma na cintura de um homem.Handsome man actor posing in studio with weapon – Foto: Freepik/Divulgação ND

Deputado de SC se manifesta: ‘Incansável luta’

O deputado federal de Santa Catarina pelo MDB, Rafael Pezzenti, que defende o armamento, criticou a medida em suas redes sociais. “A incansável luta para cumprir a meta fiscal sem diminuir despesas e aumentando impostos”, descreveu.

Rafael Pezzenti defende o armamento – Foto: Rafael Pezzenti/Instagram/Reprodução/NDRafael Pezzenti defende o armamento – Foto: Rafael Pezzenti/Instagram/Reprodução/ND

Na justificativa da medida, o Palácio do Planalto afirma que a decisão se alinha com a proposta de desarmamento da população. Desde que assumiu a presidência, um decreto do dia 2 de janeiro, já alterava as regras para compra de armas e munições. Com isso, ficaram revogadas diversas medidas facilitadoras decretadas por Bolsonaro no início de seu mandato.

A medida — adotada no primeiro dia do governo Lula — reduziu de seis para três a quantidade de armas permitidas para cidadão comum. Além disso, suspendeu a concessão de novos registros de clubes e de escolas de tiro, bem como para novos registros de colecionadores, de atiradores e de caçadores.

Armas expostas em um loja Com novo decreto, IPI sobre as armas deve ser pago pelo consumidor final – Foto: Istock / ND

Proibiu, ainda, o transporte de armas municiadas e a prática de tiro desportivo por menores de 18 anos e reduziu de seis para três a quantidade de armas permitidas para o cidadão comum.

Quase um milhão de armas recadastradas no Brasil

A política de recadastramento de armas permitidas e de uso restrito contabilizou em cinco meses 939 mil armas recadastradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou um aumento de 26% no número de armas de fogo nas mãos de civis em 2022. Os registros ativos de armas de fogo passou de 1.994.891 em 2021 para 2.300.178 em 2022. Em 2017, o número era de 637.972, representando um aumento de mais de 350% nos últimos cinco anos.

O certificado de registro ativos para as atividades de caçador, atirador esportivo e colecionador (CAC) subiu para 783.385. Entre 2018 e 2022, foi observado um crescimento de 665.918 certificados, visto que em 2018, o Brasil tinha 117.467 CACs ativos.