Arthur Lira e Rodrigo Pacheco discutem novo formato para orçamento secreto; veja o que se sabe

Objetivo dos parlamentares é formular um método que dê mais transparência à iniciativa que foi alvo de questionamentos no STF

Foto de Augusto Fernandes, do R7

Augusto Fernandes, do R7 Brasília

Receba as principais notícias no WhatsApp

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), começaram as discussões para propor um novo formato na distribuição de recursos.

Essa medida ocorre após o STF (Supremo Tribunal Federal) pautar para esta quarta-feira (7) o início do julgamento de quatro ações que contestam a validade das emendas de relator — que compõem o chamado chamado orçamento secreto. As informações são do R7.

Presidente do Senado e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) – Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado1Presidente do Senado e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) – Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado1

O objetivo dos dois é formular um método que dê mais transparência à iniciativa, que foi alvo de questionamentos no STF pela falta de publicidade sobre quais deputados e senadores usam o orçamento secreto e quanto cada parlamentar tem direito às emendas de relator.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Uma das propostas cogitadas pelos dois presidentes é de que Câmara e Senado dividam uma parte do orçamento secreto de maneira igualitária e que o restante seja repassado de acordo com o tamanho de cada uma das casas. Atualmente, não há uma regra que obrigue uma divisão uniforme do orçamento secreto entre todos os deputados e senadores.

Nesta segunda (5), Lira e Pacheco estiveram juntos na Residência Oficial da Câmara para debater o tema. Há um receio no Congresso Nacional de que o STF decida que o orçamento secreto é inconstitucional e, com isso, derrube a validade da iniciativa.

Os recursos do orçamento secreto são controlados pelo parlamentar escolhido pelo Congresso para ser o relator da Lei Orçamentária Anual (LOA). Todos os deputados e senadores podem sugerir ao relator qual deve ser a destinação dessas emendas.

Suspensão em 2021

No ano passado, quando o STF passou a analisar o tema, a ministra Rosa Weber, relatora das ações contra o orçamento secreto, suspendeu temporariamente a execução dos recursos e cobrou que o parlamento desse informações mais detalhadas sobre como era feita a repartição da verba, como os nomes de deputados e senadores que usufruíram das emendas em 2020 e 2021 e quais critérios técnicos eram levados em conta para a distribuição dos recursos.

Enquanto o orçamento secreto estava suspenso, Câmara e Senado aprovaram um projeto de resolução sobre o tema que previa, entre outros pontos, a criação de um site para que fossem publicadas todas as informações relacionadas às indicações das emendas. O endereço eletrônico feito pelo Congresso, contudo, não informa com clareza quais parlamentares usufruíram dos recursos.

Além disso, as duas casas publicaram um ato conjunto detalhando alguns dados sobre o uso dos recursos nos últimos dois anos, como para quantos ministérios do governo esses recursos foram destinados e quantas prefeituras foram contempladas com emendas.

Entretanto, a publicação não informou quais parlamentares receberam a verba. De todo modo, Weber continuou cobrando a divulgação dos nomes de todos os parlamentares que usaram emendas em 2020 e 2021, o que foi feito pelo Congresso apenas neste ano.

Governo e PGR defendem

Ao STF, governo federal e Procuradoria-Geral da República (PGR) defenderam a validade do orçamento secreto. Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o Executivo disse que o Supremo não pode interferir em um assunto que é de exclusividade do Congresso Nacional.

“Em se tratando de decisões relacionadas à definição de critérios de alocação orçamentária, não dispõe o Poder Judiciário da indispensável capacidade institucional para tutelar ou supervisionar a escolha técnico-política dos órgãos dos do Governo Federal e do Congresso Nacional legal e constitucionalmente incumbidos dessa tarefa”, disse a AGU.

Já a PGR opinou que “embora a iniciativa dos projetos das leis orçamentárias seja privativa do Presidente da República, ao Congresso Nacional é que cabe deliberar sobre eles, inclusive com a aprovação de emendas aos projetos, independentemente de terem sido formalizadas pelo relator-geral, pelos relatores setoriais, pelas comissões, pelas bancadas estaduais ou, individualmente, pelos parlamentares”.