Vamos tentar mais uma vez um alerta sereno para ver se alguém escuta: um país onde a maioria dos veículos de comunicação tenta fingir que não houve uma manifestação popular gigantesca nas ruas não é um país saudável. Isto não pode acabar bem. Ok?
Manifestações em São Paulo – Foto: Estadão Conteúdo/NDBom, então se alguém ouviu este alerta sereno e de boa fé, o passo seguinte para esse alguém é entender que não está vivendo num lugar seguro. Pode parecer seguro, estável, civilizado. Mas não é. E isto não é uma tentativa de fustigar você, nem de perturbar a sua tranquilidade.
Isto é só uma tentativa de alertá-lo de que, se um conjunto razoável de indivíduos não tomar consciência agora do que está acontecendo diante dos seus olhos, daqui a pouco essa tranquilidade pode ir pelos ares num passe de mágica. E aí, se você tiver ouvido esse alerta, terá plenas condições de perceber que não foi mágica.
SeguirNum dia em que o país inteiro inundou as ruas de gente – e podemos usar tranquilamente a figura do “país inteiro” quando se veem multidões espalhadas pelas capitais e pelo interior de norte a sul do território – a assim chamada grande imprensa bocejou.
Alternou-se entre registros burocráticos do acontecimento – não raro usando imagens do início das manifestações para minimizá-las – e posturas um pouco piores (fica até difícil identificar o que é pior), simplesmente ignorando o fato.
Nesse mesmo dia histórico, o Tribunal Superior Eleitoral atacou o anseio de milhões de brasileiros afirmando, em postagem oficial, que o voto no Brasil já é auditável. Isto é mentira. Existe até laudo da Polícia Federal sustentando que a votação, pelo sistema atual, não pode ser auditada. Mas o TSE preferiu desinformar, tentando confundir o eleitor com a afirmação de que os boletins de urnas impressos nas seções eleitorais já são a auditagem em papel da votação.
Vamos repetir: isto é fake news grosseira. Como você sabe, se há erro ou manipulação do software na urna esses boletins impressos nas seções reproduzirão o erro.
Por isso a proposta atual – que levou o país às ruas – para que cada voto tenha a impressão imediata do seu registro real.Todos que têm boa fé já entenderam isso. Mas os juízes da eleição estão fingindo que não entenderam. Dá para dormir com um barulho desses? E com o consórcio de omissão da grande mídia cancelando o clamor popular?
A Câmara dos Deputados tentou enterrar vivo o voto auditável após pressão de ministros do STF para que partidos trocassem seus integrantes na comissão. Eles fizeram isso, na cara de todo mundo.
Eles não estão de brincadeira. E vão fazer o que for necessário – mentir, coagir e atropelar – para barrar a PEC da eleição limpa, que volta agora à votação. Se você quer continuar vivendo numa democracia, esse pode ser o assunto mais importante da sua vida.