As origens da longa crise política em Santa Catarina

Eleito pelo 17 e por Bolsonaro, Moisés rompeu com o padrinho e ficou sem torcida e sem apoio político

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Com a rejeição do pedido de impeachment do governador Carlos Moisés da Silva encerra-se um capítulo inédito na história de Santa Catarina. Material para análises políticas e científicas estão disponíveis para publicação de uma coleção completa.

Os dois pedidos de impeachment de Moisés tiveram por motivação a isonomia salarial dos procuradores do Estado e a fraude dos respiradores – Foto: Arquivo/Flavio Tin/NDOs dois pedidos de impeachment de Moisés tiveram por motivação a isonomia salarial dos procuradores do Estado e a fraude dos respiradores – Foto: Arquivo/Flavio Tin/ND

Começaria pela absoluta singularidade destes últimos 13 meses, marcados pela calamidade da pandemia e decisões equivocadas mescladas com paradoxos e contradições; e o fato único de um governador sendo processado duas vezes no mesmo mandato.

Os dois pedidos tiveram por motivação a isonomia salarial dos procuradores do Estado e a fraude dos respiradores.

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As origens desta longa crise, contudo, estão no início da atual administração. O sr. Carlos Moisés fez opção errada quando implantou a “república dos coronéis” e se cercou de políticos inexperientes, como o ex-secretário Douglas Borba, o primeiro ministro que transformou a Casa Civil num trampolim para suas ambições políticas.

O isolamento completo na Casa da Agronômica, a ausência do interior catarinense e a falta de diálogo com os principais segmentos políticos, sociais e econômicos abriram o fosso no poder.

A decisão mais grave, contudo, veio antes destes desacertos: o afastamento do presidente Bolsonaro, responsável direto por sua eleição, e até um embate politico infrutífero, improdutivo e prejudicial ao Estado.
A partir dos bloqueios que criou com o Palácio do Planalto, Moisés perdeu parte dos eleitores, ficou sem deputados na Assembleia e a torcida reduzida àquelas dos estádios de futebol na pandemia.

Negar a força eleitoral do 17 que o elegeu e a força de Bolsonaro foi mortal em suas pretensões de reeleição.