Ataque russo mata 23 pessoas em cidade no centro da Ucrânia

Ação atinge zona do país que até agora estava afastada dos combates e foi considerada "ato aberto de terrorismo" pelo presidente Volodymyr Zelensky

AFP Kiev, Ucrânia

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Ataques de mísseis russos deixaram 23 mortos, entre eles três crianças, em uma cidade da região central da Ucrânia, nesta quinta-feira (14). A ação foi classificada como “ato aberto de terrorismo” pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Ataque russo mata 23 pessoas na cidade de Vinnytsia, no Centro Leste da Ucrânia – Foto: Sergei Supinsky/AFP/NDAtaque russo mata 23 pessoas na cidade de Vinnytsia, no Centro Leste da Ucrânia – Foto: Sergei Supinsky/AFP/ND

Em Vinnytsia, imagens divulgadas por equipes de resgate mostraram carros carbonizados ao lado de um prédio de dez andares queimados e destruídos na explosão.

Os ataques aconteceram em uma zona do país que até agora estava relativamente afastada dos combates, no momento em que começava uma reunião em Haia sobre crimes cometidos na Ucrânia.

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Zelensky pede tribunal especial em Haia

Durante um discurso remoto no encontro organizado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), a Comissão Europeia e a Holanda, o presidente Volodymyr Zelensky pediu a criação de um “tribunal especial” para julgar “os crimes de agressão da Rússia contra a Ucrânia”.

Na conferência de Haia, na qual participam ministros das Relações Exteriores e da Justiça, Zelensky afirmou que “neste minuto, 20 pessoas foram mortas, três delas crianças. E muitas, muitas ficaram feridas”.

Mais tarde, o serviço de resgate elevou o balanço de vítimas para 23 mortos e informou que continuavam as buscas por outras 39 pessoas.

De acordo com os militares ucranianos, “três mísseis” atingiram o estacionamento ao lado de uma propriedade comercial no centro da cidade, que abriga escritórios e pequenas lojas.

“A cada dia, a Rússia mata civis, mata crianças ucranianas, lança mísseis contra alvos civis onde não há nada militar. O que é isto senão um ato aberto de terrorismo?”, denunciou no Telegram o presidente ucraniano.

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kouleba, presente na reunião, voltou a denunciar “um crime de guerra russo”.

Presidente Volodymyr Zelensky considerou ataque um “ato aberto de terrorismo” – Foto: Sergei Supinsky/AFP/NDPresidente Volodymyr Zelensky considerou ataque um “ato aberto de terrorismo” – Foto: Sergei Supinsky/AFP/ND

Reações na ONU e UE

Em um comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques russos em Vinnytsia e pediu que os responsáveis prestem contas.

Guterres está “aterrorizado com o ataque com mísseis de hoje contra a cidade de Vinnytsia […] O secretário geral condena qualquer ataque contra civis e infraestruturas civis, e reitera seu apelo à prestação de contas por essas violações”, escreveu em nota o porta-voz Stephane Dujarric.

A UE (União Europeia) também considerou o ataque russo uma “atrocidade”.

“A União Europeia condena, nos mais duros termos, os ataques contínuos e indiscriminados contra alvos civis, incluídos hospitais, instalações médicas, escolas e refúgios”, escreveu a organização em comunicado.

Por sua vez, a chefe da redação do grupo de mídia estatal Rossiya Segodnya, Margarita Simonian, afirmou no Telegram que o exército russo lhe informou que havia atacado “a casa dos oficiais, para onde os nacionalistas foram enviados”.

Bombardeio ‘maciço’

Nas últimas semanas, Moscou passou a concentrar sua estratégia no sul e leste do país.

No sul, a cidade de Mykolaiv, perto de Odessa (maior porto da Ucrânia), foi alvo de um grande bombardeio na manhã desta quinta-feira (14). Segundo o boletim diário da presidência, “duas escolas, infraestruturas de transporte e um hotel foram atingidos”.

No leste, na bacia mineira do Donbass, parcialmente sob controle de separatistas pró-Rússia desde 2014, as forças leais a Moscou afirmaram que estão perto de concretizar seu próximo objetivo.

“Siversk está sob nosso controle operacional, o que significa que o inimigo pode ser atingido por nosso fogo em toda a região”, afirmou um dos líderes rebeldes pró-Rússia, Daniil Bezsonov, citado pela agência russa de notícias TASS.

Segundo o governador da região de Luhansk (que, junto com Donetsk, forma o Donbass), Serhiy Haiday, “os ataques maciços de artilharia e morteiros continuam [e] os russos estão tentando avançar em direção a Siversk e abrir o caminho para Bakhmut”. Um civil foi morto em um bombardeio em Bakhmut na madrugada desta quinta-feira (14).

Armamento pode estar sendo contrabandeado

A Ucrânia vem recebendo armamento dos países ocidentais e a União Europeia manifestou recentemente sua preocupação de que estes sejam contrabandeados para fora do país.

Diante dos temores de Bruxelas, um assessor presidencial ucraniano pediu aos legisladores que estabeleçam um comitê que supervisione o armamento recebido.

As armas fornecidas pelo Ocidente serão “registradas e enviadas ao front de batalha”, disse o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Andriy Yermak, no Telegram.

Apesar das várias rodadas de negociações para acabar com o conflito, Kiev e Moscou nunca tiveram sucesso. Mas ambas as delegações obtiveram alguns avanços sobre a exportação de grãos ucranianos pelo Mar Negro.

A Ucrânia é um dos maiores exportadores de trigo e outros cereais. Quase 20 milhões de toneladas de grãos estão bloqueadas nos portos da região de Odessa pela presença de navios de guerra russos e de minas, instaladas por Kiev para defender sua costa.

A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, afirmou nesta quinta que a guerra na Ucrânia é o “maior desafio” da economia mundial, em declarações feitas na véspera de uma reunião de ministros das Finanças do G20 na Indonésia.