Audiência pública é primeiro embate sobre a revisão do Plano Diretor de Florianópolis

Em reunião tensa, prefeitura apresentou os principais pontos da proposta; promotor do MPSC alertou sobre judicialização caso não sejam feitas 13 audiências

Receba as principais notícias no WhatsApp

As principais diretrizes da proposta de revisão do Plano Diretor de Florianópolis foram apresentadas à população na audiência pública desta sexta-feira (17), no auditório da Deputada Antonieta de Barros, da Alesc, com transmissão ao vivo pela internet.

Audiência pública sobre a revisão do Plano Diretor foi realizada na Assembleia Legislativa – Foto: Reprodução/NDAudiência pública sobre a revisão do Plano Diretor foi realizada na Assembleia Legislativa – Foto: Reprodução/ND

O secretário de Mobilidade e Planejamento Urbano, Michel Mittmann, defendeu as alterações como forma de frear, pelo menos parcialmente, o “processo destrutivo da cidade”.

Segundo ele, uma das metas é simplificar o texto atual, em busca de uma “cidade inclusiva, ambientalmente adequada e sustentável sob o ponto de vista econômico e social”.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Mittmann destacou a inclusão de mecanismos de incentivo à construção de habitação social e de regularização fundiária, além de estímulos ao adensamento de algumas áreas – para dar mais autonomia dos bairros e reduzir a necessidade de grandes deslocamentos diários.

“É hora de enxergar o modelo de cidade que a gente está construindo para nós e para a geração futura. O atual modelo de ocupação é uma bomba-relógio”, disse.

O vice-prefeito Topázio Silveira Neto (Republicanos), que também defendeu a “simplificação para deixar o plano mais compreensível e evitar erros de interpretação e insegurança jurídica”, garantiu mais uma audiência – ainda sem local e data definidos – com “tempo suficiente para todos participarem”.

Topázio não falou, no entanto, sobre a recomendação da 28ª Promotoria de Justiça da Capital para que sejam feitas 13 audiências distritais e uma reunião geral.

Presencialmente, o promotor Rogério Ponzi Seligman reiterou o apelo. Ele argumenta que a ampliação da consulta popular é uma exigência legal em casos de revisão do Plano Diretor.

“A participação da população na discussão sobre o Plano deve respeitar a diversidade. Se for levado à Câmara dessa forma, ele vai ser judicializado”, advertiu o representante do MPSC.

Grupos contrários à revisão, ou que defendem reuniões nos bairros para mais discussão sobre o texto, tentaram obstruir a audiência desta sexta-feira (17).

Ironicamente os que defendiam “mais democracia” eram os que passaram a atrapalhar as falas de alguns inscritos que defendiam a urgência de modernização da atual legislação municipal.