Balanço governo Udo Döhler: “As obras do Rio Mathias foram um pesadelo para nós”

No seu último ano à frente da Prefeitura de Joinville, prefeito faz balanço dos mandatos, apresenta projetos para 2020 e elenca desafios ao novo prefeito

Luana Amorim Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Eleito para governar Joinville em 2012 e 2016, Udo Döhler (MDB) já traçou as prioridades para este último ano de mandato: infraestrutura e mobilidade urbana. Em sete anos, o governo veio com uma meta inicial: criar uma cidade voltada para as pessoas.

Prefeito faz análise do mandato até o momento e discute as metas para 2020 – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/NDPrefeito faz análise do mandato até o momento e discute as metas para 2020 – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/ND

Mas, apesar de algumas conquistas importantes como na área da educação e da saúde, o governo teve alguns percalços nesse período. Entre eles, a “novela” do rio Mathias, cujas obras foram prorrogadas mais de uma vez. No entanto, o prefeito garante: sai este ano.

Melhorias na pavimentação da cidade – outro ponto de reclamação dos joinvilenses – também serão priorizadas nesta reta final de governo. Udo afirma, ainda, que “não deve se aposentar em 2021” e que, nas próximas eleições municipais, vai “apoiar o candidato do partido independentemente de quem esteja no palanque”.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Em entrevista à reportagem do ND+, o prefeito da maior cidade do Estado faz um balanço da gestão, apresenta projetos e cita desafios para o novo prefeito. A série começa a ser apresentada nesta segunda-feira (20), com o balanço do governo e a infraestrutura, e encerra nesta terça (21), com futuro de Joinville, a relação com o governo do Estado e os planos políticos.

Prioridade deste último ano será a infraestrutura – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/NDPrioridade deste último ano será a infraestrutura – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/ND

O início do mandato e as prioridades do governo

Eleito em 2012 com 54,65% dos votos válidos, Udo relembra que encontrou uma Prefeitura com “situação econômica extremamente adversa e praticamente insolvente”.

Por conta disso, além de colocar em dia o salário dos servidores, a atitude serviu para colocar em prática um novo modelo de gestão – que alega ser o principal legado nesses dois mandatos.

“Em 2013, decidimos construir dois marcos: a Joinville de 2030 e a Joinville de 2045. Ou seja, o que iria acontecer com a cidade nos próximos 15 e 30 anos”, conta.

Entre as ações realizadas, esteve a digitalização de Joinville. Agora, segundo Udo, a Prefeitura é 100% digitalizada, o que teria gerado economia ao município e proporcionado investimentos em diversos outros setores, como educação e saúde.

Infraestrutura é prioridade para 2020

A meta para o final do último mandato de Udo é focar na infraestrutura. Entre os projetos, está a pavimentação e a revitalização de dezenas de ruas na cidade, que serão custeadas por meio de financiamentos junto ao Banco do Brasil. Reivindicação antiga dos moradores que só agora será priorizada pelo governo.

“Primeiro, tivemos que resolver os problemas da educação, da segurança e da assistência, e depois a infraestrutura. Nós estamos investindo R$ 200 milhões em pavimentação. Aí vem outro mote: que bom, tá tapando os buracos, mas não adianta ter uma rua toda pavimentada se há congestionamento”, conta.

Além disso, a Prefeitura alega que a demora permitiu que o governo angariasse ainda mais recursos para as obras. Entre as ruas que serão contempladas, estão a Helmut Fallgatter e a Albano Schimidt, no bairro Boa Vista, e a rua Blumenau, no Centro da cidade.

Outro fator também apontado pela demora nas revitalizações foram os repasses. Um dos exemplos citado por Udo foi da 15 de Novembro, que leva até o Vila Nova, obra que seria custeada pelo governo do Estado, mas que agora será realizada com recursos próprios. Além disso, a pavimentação da Estrada Timbé, reivindicada há 40 anos pelos moradores, também será realidade em 2020, garante o chefe do Executivo.

Estrada Timbé é uma das vias que está no pacote de obras da Prefeitura – Foto: NDTV/ReproduçãoEstrada Timbé é uma das vias que está no pacote de obras da Prefeitura – Foto: NDTV/Reprodução

Projetos devem melhorar mobilidade urbana

Udo Döhler faz questão de frisar que o governo municipal está com ao menos oito projetos para melhorar a mobilidade urbana de Joinville, mas que ainda estão em fase de elaboração. Um dos projetos, por exemplo, envolve a entrada pela cidade através da 15 de Novembro.

“Ali nós temos um viaduto e a Expoville que, quando tem feira, é um congestionamento só. Esse projeto nós começaremos a executar no mês que vem. Então, desde o entroncamento com a Marquês de Olinda até a 101, aquela passagem lá, debaixo do viaduto, aquilo muda totalmente. Esse é um problema de mobilidade que, só com sinalização, vamos reduzir em um terço o congestionamento. E temos mais oito projetos sendo trabalhados nesses sentido. Além de entregar a rua pavimentada, vamos melhorar a mobilidade.”

O prefeito afirma, entretanto, que os projetos de mobilidade serão iniciados e finalizados esse ano, mas as pavimentações não. “A gente não termina esse ano”.

Quando o assunto é mobilidade urbana, o transporte coletivo também é pauta, principalmente o de Joinville, que foi protagonista em uma decisão judicial que obrigou a cidade a aumentar a tarifa no último ano. Além disso, também há questões relacionadas ao contrato, já que uma nova licitação deveria ser realizada, mas que até agora não há novidades.

“A lei existe para ser cumprida. Então, atualmente, o transporte coletivo está judicializado. Sobre o processo licitatório, vai acontecer, existe prazo de 48 meses para que ele aconteça. Enquanto isso, as nossas tarifas, daqui pra frente, são determinadas por decisão judicial”, sublinha.

A previsão é de que nas próximas semanas seja anunciado o percentual para o reajuste das passagens. Mas, enquanto isso, a Prefeitura afirma que vem tentando junto às empresas responsáveis alinhar alternativas para tentar reduzir a passagem e melhorar a qualidade dos ônibus.

“Hoje, a passagem de ônibus é cara. Estamos perdendo passageiro e muitos passageiros não usam o transporte público no momento porque ele é caro. A tarifa é cara, vai continuar cara, se nós não avançarmos com corredores de ônibus, bilhetagem eletrônica. Alguns avanços já aconteceram. Eu tinha que dar conforto ao ônibus, então tem ônibus que já tem piso rebaixado, alguns estão chegando agora com ar-condicionado. Então, se tem conforto no transporte coletivo eu vou começar a usá-lo mais, porque é muito mais seguro que um automóvel, uma motocicleta, e assim por diante”, argumenta.

Obras do Rio Mathias tiveram início em 2014 – Foto: NDTV/ReproduçãoObras do Rio Mathias tiveram início em 2014 – Foto: NDTV/Reprodução

 “Um pesadelo para nós”

Quando se fala em obras na cidade, é impossível não lembrar de todos os atrasos e entraves acerca da macrodrenagem do Rio Mathias. Iniciada em 2014, o projeto prevê a construção de uma galeria de condução e conduto forçado de aproximadamente 2.500 metros de extensão por debaixo das ruas na área central da cidade.

A obra ainda prevê um sistema de contenção e escoamento do rio Mathias, para diminuir as cheias causadas pela alta da maré no rio Cachoeira.

“Isso foi um pesadelo para nós, enfim, concorrência pública é assim, o preço mais barato leva a obra. Devo considerar que o Ministério Público e o próprio Tribunal de Contas foram importantes para a recuperação e a retomada das obras. Naturalmente, tivemos algumas surpresas. Não tínhamos o inventário do subsolo. Ao cavar, encontrávamos um cano de água que não sabíamos que existe ali, ou água pluvial, ou telefone, então, as interferências foram extremamente complicadas. É uma obra importante e que já mostrou sua importância na última chuva. Mas, claro, mesmo quando ela ficar pronta, não vamos ficar totalmente livres das inundações, já que até em dia de sol tem rua que fica inundada”, explica.

Segundo dados da Prefeitura de Joinville, o valor do investimento no projeto na licitação foi de R$ 45.872.405,22. Porém, por conta dos reajustes previstos em contrato e do primeiro aditivo, a obra está em R$ 53.323.156,16.

“As filas na Saúde desapareceram”

Saindo da infraestrutura e entrando na área da Saúde, o prefeito é enfático em dizer que a distribuição da saúde pública da cidade “é a melhor distribuição da saúde pública do País”. A área, inclusive, terá um foco menor este ano.

Porém, apesar dos investimentos, ainda há muitas reclamações. Dezenas de pessoas reclamam da demora nas filas ou da falta de medicamentos nos postos. Questionado a respeito desse assunto, Udo mais uma vez é categórico.

“Hoje, dos 160 medicamentos que nós temos disponíveis para o usuário da atenção básica, quando está faltando é um, dois, três, ou seja, ninguém sai de um posto de saúde com falta de medicamento da atenção básica. Então, se tá faltando remédio é de média a alta complexidade, que é de responsabilidade do Estado, que não tem o que fazer, é o governador que tem que resolver. A insulina, por exemplo, em anos anteriores nós chegamos a investir, comprando insulina sintética porque o Estado não entregava aqui. Mas, felizmente, hoje isso está resolvido inclusive com decisões judiciais que obrigam o Estado a cuidar da insulina. Mas na atenção básica hoje não faltam medicamentos.”

Educação e saúde também foram prioridades do governo – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/NDEducação e saúde também foram prioridades do governo – Foto: Jaksson Zanco/Prefeitura de Joinville/ND

Já em relação às filas, Udo afirma: “Hoje as filas desapareceram”. Entre as melhorias que contribuíram para isso, o prefeito cita o aumento no número de leitos no Hospital São José de 7 para 31. Além disso, ele afirma que esse ano serão entregues mais 56 novos leitos.

Dados da Prefeitura, no entanto, mostram que ainda há filas. Em relação às cirurgias oftalmológicas, por exemplo, de acordo com lista de espera disponível no site da Prefeitura, ao menos 260 pessoas ainda aguardam nas filas. Já em relação aos exames, ainda há 143 a espera para realização da endoscopia, por exemplo.

E a educação?

Outro carro-chefe da gestão foi a educação. Recuperação de escolas, investimento na área da robótica e criação de espaços makers foram algumas das iniciativas que garantiram um salto qualitativo no setor.

“Nós tínhamos 10 mil crianças nas creches e atualmente temos 22 mil crianças. Nos tornamos referência, não só na educação infantil, mas também na educação fundamental. Depois de recuperar as escolas, garantir climatização e uma infraestrutura adequada, agora estamos iniciando fortemente na robótica e nos espaços makers, porque sabemos que daqui a 20 anos boa parte das profissões vai desaparecer”, conta.

Leia também:

Tópicos relacionados