Bastidores de uma área dominada por um forte líder político que se vê enfrentado

Nos últimos movimentos políticos de Criciúma é flagrante a inquietação com os desdobramentos que a próxima eleição municipal terá

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Desde 2008 quando venceu a eleição municipal de Criciúma o atual prefeito Clésio Salvaro exerce uma extraordinária liderança. Agora as circunstâncias o colocam diante de um quase calouro se comparado tempo de liderança de ambos. Trata-se do deputado federal Ricardo Guidi (PSD).

Clésio Salvaro e Ricardo Guidi são personagens da política de Criciúma. – Foto: Arte: Sofia DessuyClésio Salvaro e Ricardo Guidi são personagens da política de Criciúma. – Foto: Arte: Sofia Dessuy

Salvaro foi capaz de superar forças políticas como o PT, que bancado pelos movimentos sindicais dominou a massa do eleitorado no início da década de 2000. Nesta mesma linha entrou o MDB que no final da década de 1990 chegou a ser chamada de “Máquina Mortífera”, dada sua força. Antes dele o PP, então liderado pelo falecido ex-deputado Altair Guidi, havia ocupado espaço. Por fim, Salvaro rivalizou e neutralizou a liderança de ninguém menos o ex-governador Eduardo Pinho Moreira.

Quando surgiu à política, recém egresso de uma quase insignificante posição de vereador de Siderópolis, lançou-se à Assembleia Legislativa e por duas vezes ficou na suplência (1994 em quinto) e (1998 em primeiro). Depois engatou dois mandatos de deputado estadual. Perdeu a eleição municipal de 2004 para o MDB e de lá para cá dominou todas as eleições, inclusive quando elegeu Márcio Búrigo (PP) para sua sucessão em uma eleição suplementar.

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Agora, findo o segundo mandato seguido mantém os mesmos índices de aprovação sempre superiores a 75 por cento o que supõe que a sua capacidade de transferência de votos é incontestável. Tem como processo de sucessão o seu fiel escudeiro vereador Arleu da Silveira, cuja eleição parece ser uma questão de honra para Salvaro.

O que ameaça essa pretensão é o jovem recém reeleito deputado federal Ricardo Guidi, que é do mesmo partido que Salvaro escolheu para ir, o PSD. Ambos evidentemente sem diálogo sobre o futuro, apesar da mesma sigla. Ocorre que na mediação está nada menos do que o hoje mais hábil político de Santa Catarina depois do governador Jorginho Mello, Júlio Garcia, que ao seu estilo parece dar tempo ao tempo. E ai é que reside o mistério.

Do alto da sua liderança Salvaro habilmente parece delegar a Júlio Garcia o futuro seu e dos seus, prática até então antes nunca adotada pelo hábil prefeito.

Guidi insisti em dizer que não sai do PSD, mas aceita, à revelia do partido, um cargo no primeiro escalão do Governo do Estado e se se aproxima da ala mais jovem e bolsonarista como a liderada pela deputada federal e com grau de parentesco Júlia Zanatta. E expressa isso no seu posicionamento na Câmara Federal votando com a oposição mesmo que o seu PSD tenha tido inclinação diferente.

Aos olhos do hoje é difícil enxergar Salvaro no mesmo palanqe com Guidi e seus aliados de hoje candidato a prefeito.

Criciúma convive atualmente com o seu maior dilema político nos últimos 20 anos, pois até então todos sabiam como as eleições iriam começar a terminar.