Alfinetas educadas, tentativa de aproximação com “parabéns para você”, críticas a governos anteriores e apresentação propostas com base em temas de relevância para a população como saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico.
Com formato inovador, focado na apresentação de ideias, o debate realizado pelo grupo ND reuniu oito dos dez candidatos ao governo de Santa Catarina, na noite da última quarta-feira (17).
A discussão de temas de relevância como saúde, educação, saneamento básico e infraestrutura deu lugar também para as alfinetadas e críticas como a do governador Moisés ao governo anterior, citando dívidas como a da saúde, pagas em seu governo.
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Debate promovido pelo Grupo ND aconteceu nesta quarta-feira — Foto: José Somensi/NDAliás, Moisés compareceu ao debate afiado, com temas na ponta da língua, pronto para rebater adversários. O canhão que normalmente se aponta para quem está no poder, não soltou balas que atingissem em cheio o atual governador de Santa Catarina. Moisés concorre à reeleição pelo Republicanos.
Ponto que chamou atenção também foi o pedido de voto de Esperidião Amin para o presidente Bolsonaro. Amin é do PP e concorre ao governo do estado em coligação com o PSDB. No Brasil, o PP está coligado com o PL, do presidente Bolsonaro. Ocorre que em Santa Catarina, o senador Jorginho Mello tem entre suas principais bandeiras ser “bolsonarista”. Mello, no entanto, não chegou a solicitar o voto para o presidente.
Já o candidato do PT, Décio Lima, solicitou voto para o ex-presidente Lula na despedida do debate que aconteceu a partir das 20 horas e foi transmitido via Portal ND+. Décio Lima, aliás, tem como bandeira a candidatura de Lula, compareceu ao debate com adesivo de seu candidato e em todas as falas cita o ex-presidente.
O ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, do União Brasil, que teve avaliação positiva de sua gestão na Capital, passou a impressão que está “atravessando a ponte” quando colocou a mesa questões como a situação de rodovias e a necessidade de diálogo com setores da sociedade em busca de soluções. Quando o assunto é a eleição nacional, Loureiro mantém o discurso que pretende governar, se eleito, mantendo boa relação independente de quem for o presidente, ou seja, não assume nenhuma candidatura nacional apesar de seu partido, o União Brasil, ter uma candidata.
Chamou atenção também a postura do candidato do Pros, Ralf Zimmer, autor do primeiro pedido de impeachment do Governador Carlos Moisés da Silva. Ele apontou a metralhadora para o candidato do União Brasil, Gean Loureiro e amenizou críticas ao governador. Ao final do debate, Zimmer tentou puxar inclusive um “parabéns a você” para Moisés, que estava de aniversário nesta quarta-feira.
Odair Tramontin, do Novo, levanta a bandeira no partido, que tem entre os expoentes o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O partido Novo rejeitou o uso do Fundo Eleitoral e esse é um dos pontos constantemente citado em debates, concretizando a ideia de impulsionar as ideias da sigla. “Alfinetador” educado, Tramontin lembrou ao governador Moisés que o governo anterior que ele critica está agora em sua coligação.
O ex-deputado Jorge Boeira, do PDT, demonstrou certa cautela em suas colocações e manteve-se mais neutro em relação a críticas. Boeira concorre ao governo em chapa pura do partido e teve substituído seu vice, Dalmo Claro de Oliveira, que declinou.
O formato do debate foi de “duelo”, ou seja, nos dois primeiros blocos, houve sorteio de dois candidatos e de dois temas, com tempo total de cinco minutos para exposições. O primeiro tema foi a segurança pública, discutida por Esperidião Amin, do PP e Jorginho Mello, do PL.
O segundo tema foi Saneamento Básico, discutido entre Odair Tramontin, do Novo e Ralf Zimmer, do Pros, o terceiro Infraestrutura, debatido entre Gean Loureiro, do União Brasil, e o Governador Moisés, do Republicanos, e o quarto Inovação, tema que foi colocado a mesa por Décio Lima, do PT e Jorge Boeira, do PDT.
No segundo bloco, foram discutidos os temas: apoio à cultura, que gerou embate entre Lula e Bolsonaro. Isso porque, apesar de o debate ser entre candidatos ao Governo de Santa Catarina, os presenciáveis foram amplamente citados, já que esse tema caiu para Jorginho Mello, do PL e Décio Lima, do PT. Governabilidade foi o assunto para Ralf Zimmer e Gean Loureiro e Sistema Prisional para Esperidião Amin e Jorge Boeira. Por último, o governador Moisés e Odair Tramontim falaram sobre a Máquina Pública.
No último bloco, os candidatos responderam perguntas elaboradas por jornalistas do grupo ND. Foram convidados os candidatos de partidos, federações ou coligações com no mínimo cinco parlamentares no Congresso Nacional, segundo a legislação eleitoral.