‘Bolsa Família do Tarcísio’: como funciona o programa social do governo de SP

SuperAção SP rapidamente ganhou apelido por potencial eleitoral e objetivo de superação da pobreza, mas tem diferenças para programa federal

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Adriano Assis São Paulo

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Lançamento do Bolsa Família do TarcísioPrograma apelidado de ‘Bolsa Família do Tarcísio’ foi lançado em meio e está em tramitação na Alesp – Foto: Pablo Jacob/Governo de SP/ND

Lançado no mês de maio, o Programa de Superação da Pobreza no Estado de São Paulo, o SuperAção SP, está em tramitação na Assembleia Legislativa (Alesp), e ganhou rapidamente o apelido de “Bolsa Família do Tarcísio” no meio político. Tanto pelo foco em erradicação da pobreza como pelo potencial de voto.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) é cogitado como candidato a presidente em 2026, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político, não reverta sua inelegibilidade. O governador de São Paulo, porém, segue afirmando que irá disputar a reeleição.

No lançamento do SuperAção SP, Tarcísio demonstrou força política, contando com a presença de 210 prefeitos, além de secretários, políticos e deputados estaduais. “Queremos que as pessoas conquistem direitos sociais. Esses direitos vão ser possíveis por meio da renda, do aumento do poder aquisitivo. O mais importante é garantir o direito ao trabalho e à emancipação”, declarou o governador no evento.

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Presidente da Alesp, André do Prado (PL), é um dos principais apoiadores do projeto – Foto: Pablo Jacob/Governo de SP/NDPresidente da Alesp, André do Prado (PL), é um dos principais apoiadores do projeto – Foto: Pablo Jacob/Governo de SP/ND

O presidente da Alesp, André do Prado (PL), teve lugar de destaque no lançamento do “Bolsa Família do Tarcísio” e foi um dos convidados a discursar. “A Assembleia está de mãos dadas com o governo nesse desafio. Nossa missão é aprovar leis e garantir orçamento para iniciativas que realmente impactem a vida das pessoas. O SuperAção SP é uma resposta concreta a quem mais precisa”, afirmou o parlamentar.

Trilhas do ‘Bolsa Família do Tarcísio’

O programa SuperAção SP é dividido em trilhas. A primeira delas, proteção social, incluem famílias elegíveis ao Bolsa Família, mas que não estão recebendo o benefício federal. Podem participar famílias que recebam menos de R$ 218 mensais por pessoa. Essas famílias serão encaminhadas aos serviços de assistência social e poderão receber até R$ R$ 150,33 por pessoa.

A segunda trilha do “Bolsa Família do Tarcísio”, superação da pobreza, foca na inclusão do trabalho, “conta com três módulos e acompanhamento personalizado, feito por um agente da Superação, que as visitará em casa”, explica o governo do estado.

Os participantes recebem R$ 200 por família que concluir o plano de desenvolvimento, já os membros que participarem de cursos presenciais, receberão R$ 1.200 de ajuda de custo, em duas parcelas. Há um prêmio de R$ 600 para as famílias que cumprirem as metas do plano de desenvolvimento. Quem concluir todos os módulos, ainda pode receber um bônus de R$ 1,8 mil.

Para ingressar no “Bolsa Família do Tarcísio” as famílias precisam estar cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Também é necessário ter renda familiar per capita (excluindo auxílios sociais) menor que R$ 759.

Semelhanças e diferenças entre SuperAção SP e Bolsa Família

Por mais que os programas Bolsa Família e SuperAção SP busquem a erradicação da pobreza e sejam iniciativas de transferência de renda, são modelos diferentes. Até porque, o programa federal, tem 22 anos de história, passando por melhorias e com acesso a orçamento menos restritivo.

Os dados do Bolsa Família podem ser consultados pelo aplicativo do próprio programa e pelo do Cadastro Único – Foto: Agencia Brasil / NDOs dados do Bolsa Família podem ser consultados pelo aplicativo do próprio programa e pelo do Cadastro Único – Foto: Agencia Brasil / ND

Em 2025, o Bolsa Família deve beneficiar pouco mais de 20 milhões de pessoas, com investimento de R$ 13,8 bilhões. Já o “Bolsa Família do Tarcísio” ainda aguarda aprovação da Alesp, sem ter saído do papel. Ele prevê, em sua primeira fase, atingir 105 mil famílias, com investimento de R$ 500 milhões.

O programa federal é destinado a famílias com renda per capita (por pessoa) de R$ 218 por mês. Ele também tem obrigações mais robustas, como manter os filhos da escola, a vacinação dos menores de 7 anos em dia, e comparecer regularmente ao serviço de saúde local, para acompanhamento nutricional das crianças.

Por outro lado, o “Bolsa Família do Tarcísio” terá agentes que farão atendimento individualizado às famílias e tem o foco em formação e profissionalização.

Repercussão do programa

“Ele fecha o ciclo da assistência. Ele trabalha não só com a entrega do que é necessário aquele que está em condição de vulnerabilidade, mas também capacita. Ele confere emancipação, autonomia e inclusão produtiva aqueles que necessitam. É um programa inovador”, defendeu o deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos) durante lançado do SuperAção SP.

A secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Andrezza Rosalém, pontou o foco do “Bolsa Família do Tarcísio” no atendimento individualizado aos participantes. “A gente quer garantir autonomia por meio da inclusão produtiva. O programa mapeia as necessidades das famílias, elabora um plano individual e conecta essas pessoas a serviços, benefícios e formação”, afirmou, em participação ao programa da Agência SP.

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), em seu primeiro discurso após o lançamento do programa, evitou críticas diretas, mas considerou a proposta insuficiente. “É importante o propósito anunciado pelo governador de contribuir para a erradicação da pobreza no nosso estado. Mas quero reafirmar que a melhor forma de, efetivamente, erradicar a pobreza, melhorar a distribuição da renda e promover dignidade e liberdade real da população será a instituição da Renda Básica da Cidadania”.

Deputado Guilherme Cortez, líder do Psol na Alesp, vê interesse eleitoral de Tarcísio no programa – Foto: Rodrigo Romeo/Alsep/NDDeputado Guilherme Cortez, líder do Psol na Alesp, vê interesse eleitoral de Tarcísio no programa – Foto: Rodrigo Romeo/Alsep/ND

Líder do Psol da Alesp, o deputado Guilherme Cortez, foi mais incisivo ao ND Mais. “Tarcísio provavelmente deve estar agradecendo à imprensa pela comparação, porém, ele próprio sequer menciona o nome do Bolsa Família para não desagradar sua base bolsonarista e de direita, que há anos vem pregando a pecha de que o Bolsa Família é uma política ‘populista’ ou ‘assistencialista’”, diz o parlamentar.

Cortez acredita em outros objetivos do governador de São Paulo para a criação do SuperAção SP. “Não é novidade nenhuma que políticos aderem a programas de transferência de renda às vésperas das eleições para ganhar votos, como fez Bolsonaro e faz Tarcísio agora. Isso não tem outro nome: oportunismo eleitoral”, critica.