Bolsa Família pode ficar fora do teto de gastos, decide ministro do STF; veja detalhes

Gilmar Mendes determinou neste domingo (18) que recursos podem ser obtidos por meio de abertura de crédito extraordinário

Foto de R7

R7 Brasília

Receba as principais notícias no WhatsApp

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, decidiu neste domingo (18), que os recursos para o pagamento do novo Bolsa Família estão fora do teto de gastos.

Mendes atendeu ao pedido do partido Rede Sustentabilidade e determinou que dinheiro para pagamento do benefício social seja mantido em R$ 600 mensais e os recursos podem ser obtidos por meio de abertura de crédito extraordinário. As informações são do R7.

Ministro Gilmar Mendes do STF – Foto: Fellipe Sampaio /SCO/ STFMinistro Gilmar Mendes do STF – Foto: Fellipe Sampaio /SCO/ STF

“Reputo juridicamente possível que eventual dispêndio adicional de recursos com o objetivo de custear as despesas referentes à manutenção, no exercício de 2023, do programa Auxílio Brasil (ou eventual programa social que o suceda) pode ser viabilizado pela via da abertura de crédito extraordinário (…), devendo ser ressaltado que tais despesas (…) não se incluem na base de cálculo e nos limites estabelecidos no teto constitucional de gastos”, afirmou o ministro na decisão.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Mendes determinou ainda que o relator do Projeto de Lei Orçamentária de 2023, senador Marcelo Castro, “deverá ser comunicado da presente decisão, considerando a tramitação do PLOA para o exercício de 2023”.

Gilmar Mendes analisou um mandado de injunção apresentado pelo partido Rede Sustentabilidade, que argumenta que foi descumprida uma decisão da Corte que determinava a manutenção do pagamento da renda mínima.

Segundo o magistrado, existe espaço fiscal para o pagamento aberto a partir da aprovação de novas regras para os precatórios.

PEC da Transição

A decisão do ministro pode ajudar o governo eleito a cumprir a promessa de campanha de pagar o Bolsa Família no valor de R$ 600.

O texto da PEC da Transição tem sofrido resistência no Congresso por dois motivos principais: o valor da proposta, que é de R$ 175 bilhões, e o prazo no qual o programa de transferência de renda ficaria fora do teto de gastos — regra que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior.

Inicialmente, o PT queria que o programa social ficasse fora do teto de gastos de forma permanente. Depois, esse tempo foi flexibilizado para quatro anos, que é a duração do mandato de Lula na Presidência. No Senado, a proposta foi desidratada, para ter validade de dois anos.

Na Câmara, o diálogo com opositores do governo eleito é mais duro. Parlamentares têm pressionado para que o projeto tenha validade de um ano e com valor menor do que o aprovado no Senado.