Bolsonaro inelegível: bancada federal de SC comenta a decisão do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral formou maioria para decidir que o ex-presidente Jair Bolsonaro ficará oito anos sem concorrer a cargo político

Danila Bernardes Brasília

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Na retomada do terceiro dia de julgamento, a primeira a votar foi a ministra Carmen Lúcia, que também é vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Antes mesmo de ler seu voto, ela adiantou que seguiria o relator para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Deixando o placar em 4 a 1 contra Bolsonaro.

Ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE. – Foto: Wilton Junior/Estadão/NDEx-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE. – Foto: Wilton Junior/Estadão/ND

Mesmo faltando os ministros Nunes Marques e Alexandre de Moraes, a condenação já ficou definida. E com final do julgamento foram cinco votos para condenar Bolsonaro por oito anos. Nesse período ele não pode se candidatar. E dois para a não condenação.

O motivo do julgamento foi a reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, onde durante a transmissão da TV oficial do governo, foi possível ouvir Bolsonaro, então presidente, falando mal do sistema eleitoral brasileiro. Ele não apresentou provas do que disse.

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O assunto repercutiu nas redes sociais, com aliados do ex-presidente criticando o resultado e opositores comemorando. O mesmo aconteceu com a bancada de Santa Catarina no Congresso Nacional.

O senador Jorge Seif (PL-SC), um dos principais apoiadores de Bolsonaro, disse ao ND+ que o que já era esperado aconteceu. “Um homem que não tem um crime de corrupção, que só fez bem ao Brasil, que só falou a verdade, mas a verdade assusta muito. Eles queria um país apático a tudo que acontece na política”, afirmou Seif.

Segundo o senador, o legado de Bolsonaro não terminou. Que ele fez muitos líderes, mas está inconformado com a decisão. Mesma situação que se encontra a deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC).  “Foi sem justa causa e com interpretações incompatíveis com o texto legal, que gera instabilidade jurídica, econômica, política e social, além de abrir precedentes perigosos e que marca a história jurídica e política do Brasil, ao tornar Bolsonaro inelegível”, afirmou a deputada.

Já aliados do presidente Lula, comemoraram a decisão do TSE. Pedro Uczai (PT-SC), acredita que o caso vai servir de exemplo para quem tenta descredibilizar o sistema eleitoral. “A decisão do TSE é o reconhecimento da democracia. Da importância das urnas, do voto popular. Que o Brasil é um país sério que vai respeitar as instituições, vai respeitar o poder do povo de decidir seu futuro. E aqueles que querem deslegitimar o que e mais nobre, as instituições e a democracia, perdem o direito a participar do jogo democrático”, afirmou.

Ana Paula Lima (PT-SC), disse que se trata de punir quem cometeu crimes. “Bolsonaro praticou diversos crimes contra o Estado democrático de direito. Torná-lo inelegível por 8 anos mostra que a justiça está sendo feita e que o Brasil não compactua com ações contra a democracia. As mentiras contra o processo eleitoral, criando e estimulando o ódio entre brasileiros, acabou”, afirmou a deputada.

Repercussão Nacional

Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), se manifestou em uma rede social. Ela acredita que a decisão do TSE foi além da manifestação de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral. “A decisão do TSE tem uma enorme força didática. O tribunal condenou os métodos da extrema-direita, como a disseminação industrial de mentiras, as ameaças à democracia, o uso da máquina pública para perseguir adversários e prevalecer na disputa eleitoral”, comemorou.

Já Valdemar Costa Neto, presidente do PL (Partido Liberal), chamou o ato de injustiça e que hora de fortalecer. “Não tem como acreditar no que está acontecendo: a primeira vez na história da humanidade que um ex-presidente perde os direitos políticos por falar. Vamos trabalhar dobrado e mostrar nossa lealdade ao Presidente Bolsonaro. Podem acreditar que a injustiça de hoje será capaz de revelar o eleitor mais forte da nação. E o resultado disso será registrado nas eleições de 2024 e 2026. Mais do que nunca, o Brasil precisa de força”, afirmou.