O ex-vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, deputado federal Coronel Armando (PSL-SC) visitou nesta sexta-feira (5) a redação do Grupo ND.
O parlamentar aproveitou o momento para falar sobre a crise de saúde em Santa Catarina, as medidas restritivas decretadas pelo governo do Estado com o fechamento de várias atividades neste final de semana, os desafios da economia do país no pós-pandemia do coronavírus e a falta de adversários políticos para impedir a possibilidade de uma reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Deputado Coronel Armando disse não ver adversários para enfrentar Jair Bolsonaro no pleito eleitoral de 2022 – Foto: Leo Munhoz/NDBolsonaro sem adversários em 2022Para Coronel Armando, não há adversários na corrida presidencial que vença o atual chefe do Executivo federal, Jair Bolsonaro, em 2022.
Seguir“Como você vai retirar Bolsonaro de uma reeleição? Um dos cenários é ganhando a eleição dele, mas na minha opinião vai ser reeleito. Candidato de esquerda não tem, mesmo que o Lula venha, eu acredito que o Lula vai no efeito Orloff (um chavão dos anos de 1990 para comparar Brasil e Argentina), vai ser Cristina Kirchner – atual vice-presidente da Argentina, que foi presidente da Argentina de 2007 até 2015. Não vai arriscar a história do Lula, concorrer com Bolsonaro para presidente. Podem, no máximo, colocar o Lula de vice para puxar o apoio dos partidos de esquerda”, avaliou.
As outras possibilidades, segundo o Coronel Armando, também não devem fazer frente a Bolsonaro. O deputado lembrou que o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, poderia ser essa pessoa que representaria uma força política para 2022, mas sua saída do governo federal minou a chance dele na corrida presidencial.
“Na direita não tem candidato no nível de densidade eleitoral de Bolsonaro. Eu não vejo, por exemplo, o ex-ministro Sérgio Moro. O Moro no termo militar, ele ultrapassou a linha de partida do ataque antes da hora. Se ele não tivesse aberto a boca e tivesse saído de boca fechada, o Moro hoje teria uma chance de construir uma figura para enfrentar o Bolsonaro”, finalizou.
Pandemia e economia
Para o Coronel Armando, Santa Catarina chegou nesse momento da pandemia em que é preciso despolitizar o assunto. “Santa Catarina, nesse momento, é um dos estados com maior crise e todo mundo tem que ajudar. O momento é de salvar as pessoas”, analisou o deputado.
Deputado federal Coronel Armando (PSL) esteve no Grupo ND – Foto: Leo Munhoz/ NDSegundo o parlamentar, o Ministério da Saúde enviará médicos da Força Nacional da Saúde, já que se tem observado a falta de pessoal na linha de frente nos hospitais. “O que falta às vezes, não é o material, é o pessoal. Prefeitos estão com dificuldades na contratação de equipes médicas. Essa categoria está trabalhando no seu limite”, frisou.
Coronel Armando disse ainda que além da saúde da população, deve-se voltar os olhos também para a economia. Segundo ele, o governo federal está se empenhando na aprovação do novo auxílio emergencial.
O Senado Federal aprovou o novo auxílio no último dia 4 de março. O texto será discutido esta semana na Câmara dos Deputados. “Tem muita gente desempregada, passando fome”, comentou.
O projeto de lei que autoriza os Estados, os municípios e o setor privado a comprar vacinas contra a Covid-19 com registro ou autorização temporária de uso no Brasil aprovado pela Câmara de Deputados foi apontado pelo Coronel Armando como válido.
Porém, para ele, no efeito prático, os Estados e municípios terão dificuldades em conseguir realizar esse serviço sem a participação do governo federal. “Acho que dificilmente vai se concretizar”.
Medidas restritivas e a economia brasileira
De acordo com o Coronel Armando, os governos estaduais devem buscar um ponto de equilíbrio. E devem cobrar da população o cumprimento das medidas preventivas, como usar máscara, álcool em gel, evitar aglomeração indevida.
“Nós não podemos parar. O trabalho é possível, sim. Evitar aglomerações desnecessárias, isso é o que a população deve fazer”, disse o deputado, que defendeu o tratamento precoce com o uso, por exemplo, do medicamento Ivermectina .
“Apesar da crítica ao tratamento preventivo, eu tomo Ivermectina. Ah não vai ter efeito! No mínimo, vou saber se tenho verme, mal não vai fazer para mim”, completou, aos risos.
O deputado federal apontou que o governo Bolsonaro terá desafios enormes para recuperar a economia brasileira. Ele lembrou que, devido ao decreto de calamidade pública no ano passado, não era preciso respeitar o teto de gastos, e o país gerou mais de R$ 1 trilhão de dívida pública.
Coronel Armando criticou os constantes reajustes nos preços dos combustíveis e disse que terá efeito drástico na economia do país.
“Na área econômica tivemos uma queda no PIB de 4,1%. Temos um problema grave que é o preço dos combustíveis. Por mais que não queiramos dizer, o preço da gasolina subiu 43,1%. O presidente Bolsonaro já procurou mudar algo, o presidente da Petrobras saiu, procurou retirar os impostos federais no combustível, mas mesmo assim ainda se tem um preço elevado. Nossa economia tem muito a ver com os combustíveis”, avaliou.