Braga Netto diz que está preso e Moraes dispara: ‘Eu sei, eu que decretei’

O general está preso desde dezembro e é apontado como integrante do "núcleo crucial" do suposto plano de golpe

Foto de Carolina Sott

Carolina Sott Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp
Braga NettoBraga Netto durante interrogatório no STF – Foto: Antonio Augusto/STF

O início do interrogatório do general da reserva e ex-ministro Walter Braga Netto arrancou risadas de quem acompanhava a audiência na sala do STF nesta terça-feira (10). Enquanto Alexandre de Moraes fazia as perguntas de praxe, como nome, estado civil e se já havia sido processado ou preso, Braga Netto respondeu rindo: “Estou preso, presidente”.

Moraes respondeu: “Fora esta vez”. O general completou: “Fora esta vez, não”. Foi então que o ministro concluiu: “Eu sei que o senhor está. Eu que decretei”. O comentário gerou risos na sala de audiência. Braga Netto participa da audiência por videoconferência, pois está preso no Rio de Janeiro.

Troca irônica entre Moraes e Braga Netto gera risos:

Braga Netto diz estar preso e Moraes reage com ironia – Vídeo: TV Justiça/Reprodução

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Braga Netto é acusado de integrar o chamado “primeiro núcleo” de uma organização criminosa que, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), teria atuado para tentar dar um golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os crimes atribuídos ao ex-ministro estão:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado com violência e grave ameaça contra o patrimônio da União;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Por que Braga Netto foi preso?

O general foi preso preventivamente pela Polícia Federal em dezembro de 2024. Segundo a investigação, ele tentou acessar informações sigilosas da delação de Mauro Cid e interferir nas apurações.

A defesa do general nega todas as acusações e classificou a denúncia como “ilógica e fantasiosa”, dizendo que o documento “se parece com um filme ruim e sem sentido”. Os advogados afirmam ainda que há erros graves, como a menção a um suposto plano de prender uma pessoa que já está morta.

Interrogatório no STF acontece nesta terça-feira – Foto: Antonio Augusto/STFInterrogatório no STF acontece nesta terça-feira – Foto: Antonio Augusto/STF

Além de Braga Netto, o STF deve decidir se aceita a denúncia contra outras sete pessoas apontadas como integrantes do mesmo grupo de articulação golpista. Se a Corte aceitar a denúncia da PGR, os acusados passam à condição de réus e poderão ser julgados pelos crimes mencionados.