BRICS: saiba como essa cooperação entre países se destaca no mundo

Criado em 2006, o BRICS é grupo de países que vem exercendo mais destaque no cenário geopolítico mundial, saiba os motivos

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Mateus Pereira Florianópolis

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Unindo países com economia emergente, o BRICS é um bloco cooperativo que vem ganhando mais relevância internacional, inclusive com rendimento maior que a União Europeia.

Bandeiras dos países fundadores do BRICS. Da esquerda para a direita: África do Sul, China, Brasil, Índia e Rússia As reuniões do Brics começaram a acontecer em 2006, com o encontro dos países-membros – Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Formado em 2006 por cinco países membros, o BRICS propaga o discurso de um mundo multipolar, onde as negociações financeiras e políticas não sejam pautadas apenas nos interesses de grandes potências, mas também nas necessidades e oportunidades oferecidas pelo sul Global.

O que é o BRICS?

Antes de se tornar um projeto cooperativo econômico consolidado, o BRICS era apenas um conceito que englobava algumas das principais economias emergentes.

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Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill cunhou o termo “BRIC” para identificar Brasil, Rússia, Índia e China como países com alto potencial de crescimento e impacto no desenvolvimento econômico global.

Em sua visão, essas nações se tornariam motores do crescimento mundial nas próximas décadas, devido à sua capacidade produtiva e exportadora.

Anos mais tarde, em 2006, ministros das Relações Exteriores destes quatro países encontros para discutir formas de cooperação e benefícios mútuos.

Três anos depois, em 2009, ocorreu a primeira cúpula do BRIC na Rússia, marcando o início da parceria de forma mais estruturada.

Por fim, em 2010, a África do Sul foi convidada a integrar o grupo, tornando-se oficialmente BRICS, um ano mais tarde.

A inclusão do país fortaleceu a presença do bloco em diferentes continentes e ampliou sua influência no cenário geopolítico e econômico internacional.

Representantes e governantes dos países do BRICS segurando as mãos em frente a um painel azul Representantes do BRICS em cúpula anual – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O que significa BRICS e quais são os países que o integram

A sigla BRICS é um acrônimo com as iniciais dos cinco países fundadores na língua inglesa. São eles:

  • Brasil;
  • Rússia;
  • Índia;
  • China;
  • South Africa (África do Sul)

Mais recentemente, em 2023, outros países se juntaram a iniciativa, aumentando a força da parceria global.

Assim, o BRICS também conta com novas nações em sua formação, sendo eles:

  • Emirados Árabes Unidos;
  • Egito;
  • Etiópia;
  • Irã;
  • Arábia Saudita.

Como funciona a estratégia do BRICS

A estratégia do BRICS baseia-se no diálogo contínuo entre seus países-membros, promovendo a cooperação em diversas áreas, como economia, política, sociedade e cultura.

Esse alinhamento é garantido por meio de reuniões periódicas entre os representantes das nações envolvidas, além das tradicionais cúpulas anuais.

Um dos principais objetivos do bloco é reformular a governança global, oferecendo alternativas às instituições financeiras tradicionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que são historicamente lideradas por potências ocidentais.

Para fortalecer economias emergentes e fomentar projetos estratégicos, o BRICS conta com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB – New Development Bank).

Criado em 2015, para financiar iniciativas de infraestrutura sustentável e desenvolvimento econômico em países em crescimento, o banco se consolidou como uma instituição financeira multilateral do Sul Global.

Atualmente, a presidência do NDB é ocupada por Dilma Rousseff, reforçando a importância do Brasil dentro do bloco.

Dilma Rousseff, mulher branca com cabelos curtos sorrindo sentada em frente a um microfone Dilma é eleita Mulher Economista de 2023, após assumir Banco do Brics – Foto: Daniel Ramalho – AFP

Dados econômicos atuais do BRICS

Com a adesão de novos países ao grupo (Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito, Arábia Saudita e Etiópia), o BRICS concentra 40% da população mundial e 37% do PIB global, segundo o FMI.

Esse número já supera o impacto da União Europeia, que detém cerca de 30% da economia do mundo.

Isso sem falar que o grupo concentra 44% das reservas de petróleo e 53% das reservas de gás natural do planeta, fortalecendo ainda mais a presença dessas nações nas discussões econômicas e sociais que envolvem o planeta.

O papel atual do Brasil dentro do BRICS

O BRICS funciona com uma presidência rotativa, na qual cada ano, um país é responsável por coordenar as ações de expansão e tratativas dentro do bloco.

Atualmente, esse país é o Brasil. Logo, seu papel é liderar a abordagem com os membros e parceiros sobre questões essenciais a serem levantadas dentro do ciclo.

Buscando soluções para problemas que afetam os países emergentes, o país trabalha para promover a integração e desenvolvimento na América do Sul, solidificando parcerias com países vizinhos.

A atuação do Brasil também envolve a promoção de transações comerciais em moedas locais, como uma alternativa à oscilação do dólar.

Moedas dentro de um pote de vidro As transações em moedas locais é um dos objetivos principais do BRICS – Foto: Freepik/ND

Isso sem falar na contribuição do país para integração dos membros na expansão tecnológica.

Objetivos do BRICS

Com maior relevância no cenário geopolítico e econômico universal, o BRICS tem ao seu favor o crescimento acelerado de países como China e Índia, aumentando a influência do bloco, se fortalecendo diante de potências como EUA e União Europeia.

Somado a isso, o BRICS cumpre um papel estratégico na diversificação das relações comerciais, promovendo acordos entre os países-membros e ampliando suas parcerias com outras economias.

Atualmente as principais metas do BRICS está o fomento do crescimento econômico dos países-membros, o fortalecimento das moedas nacionais nas transações comerciais, o estímulo a cooperação financeira e a redução da dependência do dólar e do Banco Mundial.

Politicamente, o grupo busca garantir mais espaço em organizações globais, como ONU (Organização das Nações Unidas) e G20, se tornando influentes em pautas necessárias a serem discutidas, trazendo implementos para as nações participantes.