Buscas por jornalista britânico e indigenista desaparecidos no Amazonas são reforçadas

Marinha do Brasil, Funai, Ministério Público Federal e Procuradoria Geral da República integram as buscas

Redação ND Florianópolis

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As buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Araújo Pereira foram intensificadas nesta terça-feira (7). No último domingo (5), os dois desapareceram após uma viagem para realizar uma entrevista na região do Univaja (Vale do Javari), no Amazonas.

Buscas envolvem várias autoridades locais e nacionais – Foto: Comando Militar do Amazonas/AFP/NDBuscas envolvem várias autoridades locais e nacionais – Foto: Comando Militar do Amazonas/AFP/ND

Participam da operação a Polícia Federal e a Marinha do Brasil – ambos acompanhados pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela PGR (Procuradoria Geral da República). Também há buscas sendo feitas pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Nas incursões locais, são utilizados um helicóptero, duas embarcações e uma moto aquática. Sete militares atuam em uma lancha.

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O jornalista Dom Phillips atuava como correspondente britânico do jornal The Guardian no Brasil. Aos 57 anos, o jornalista trabalhava em um livro sobre o Vale do Javari e, para isso, estava entrevistando os moradores. Um porta-voz do jornal inglês está em contato com as embaixadas britânicas e brasileiras. “O Guardian está muito preocupado e busca urgentemente informações sobre o paradeiro e a condição de Phillips”, informou.

O material era apurado ao lado do indigenista Bruno Araújo Pereira, que recebia ameaças regulares de garimpeiros e madeireiros ilegais. Araújo é funcionário da FUNAI. O órgão informou em nota que “ele não estava na região em missão institucional, dado que se encontra de licença para tratar de interesses particulares”.

Discussão nacional

O presidente Jair Bolsonaro (PL) também se pronunciou sobre o desaparecimento em entrevista ao SBT. “Realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer”, declarou.

Buscas do jornalista e do indigenista são feitas por terra, água e ar – Foto: Comando Militar do Amazonas/ AFPBuscas do jornalista e do indigenista são feitas por terra, água e ar – Foto: Comando Militar do Amazonas/ AFP

Bolsonaro também levantou suspeitas sobre os desaparecidos terem sido assassinados: “Pode ser um acidente, pode ser que tenham sido executados. A gente espera, e pede a Deus, que sejam encontrados brevemente”.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo acompanha as buscas pelo jornalista e pelo indigenista. A pasta envia os esforços necessários para encontrar o profissional de imprensa e o servidor da Funai.

“Na hipótese de o desaparecimento ter sido causado por atividade criminosa, todas as providências serão tomadas para levar os perpetradores à Justiça”, disse o ministério em nota.

Relembre o caso

Phillips e Pereira viajaram para entrevistar os habitantes indígenas ao redor de uma base de monitoramento da Funai e chegaram ao lago Jaburu na sexta-feira (3) à noite, informaram Univaja (União das Organizações Indígenas do Vale do Javari) e OPI (Observatório de Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato).

Jornalista britânico atuava no Brasil há 15 anos – Foto: João Laet/AFPJornalista britânico atuava no Brasil há 15 anos – Foto: João Laet/AFP

Em nota, Unijava e OPI disseram que os desaparecidos “receberam ameaças”.

Eles começaram a viagem de retorno na madrugada de domingo (5), fazendo uma parada na comunidade de São Rafael, onde Pereira havia programado uma reunião com um líder local para discutir as “invasões” em suas terras, segundo o comunicado.

Como o líder da comunidade não chegou, os dois homens decidiram seguir até Atalaia do Norte, uma viagem de aproximadamente duas horas. A última vez em que foram vistos foi na localidade de São Gabriel, perto de São Rafael.

Viajavam em um barco novo, com 70 litros de gasolina, o que era “suficiente para a viagem”, e usavam equipamentos de comunicação por satélite.

Informações dão conta que dois pescadores foram detidos pela Polícia Federal na noite de segunda (6) no âmbito do caso, incluindo a pessoa com a qual deveriam se reunir.

Editor do The Guardian, o jornalista Jonathan Watts acusou, em rede social, os militares e a polícia brasileira de não auxiliarem nas buscas nesta terça-feira (7). “Parece que o governo desmobilizou os recursos que haviam publicamente prometidos”, postou.

*Com informações do R7 e da Agência Brasil.