Campanha apática e desinteresse do eleitor são fatores para alta abstenção em Blumenau

Índice de 31,04% de abstenções na cidade ficou acima da média nacional; número de abstenções foi maior do que a votação do candidato derrotado

Redação ND Blumenau

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A eleição municipal em Blumenau foi decidida no último domingo (29), com a vitória e reeleição de Mário Hildebrandt (Podemos) sobre o ex-prefeito da cidade, João Paulo Kleinübing (DEM), mas, além do número de votos recebidos pelos candidatos, outro número também chama a atenção no pleito blumenauense: o de abstenções.

Índice de abstenções em Blumenau foi maior que média nacional no segundo turno das eleições – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/NDÍndice de abstenções em Blumenau foi maior que média nacional no segundo turno das eleições – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/ND

O índice de 31,04% é o maior da história recente nas eleições da cidade, de acordo com os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A taxa de Blumenau também ficou acima da média nacional, que foi de 29,47% no segundo turno.

Em números absolutos, 76.681 eleitores deixaram de ir às urnas na segunda etapa de votação em Blumenau. O número é maior que a diferença entre os dois candidatos, que foi de 66.565 votos, além de ser quase o dobro da votação recebida por Kleinübing, que foi de 42.026 votos.

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Somadas, as abstenções, os votos nulos – 13.490 votos, ou 7,92% – e os votos em branco – 6.226 votos, ou 3,65% -, o número de eleitores que deixaram de votar ou de optar por um dos candidatos chega a 96.397 votos. Esta quantidade representa 39,02% do eleitorado blumenauense. Como comparativo, Mário Hildebrandt elegeu-se com 108.591 votos.

Pandemia, ressaca política e campanha apática

O doutor em Comunicação e analista político Clóvis Reis afirma que a primeira conclusão que se pode tirar dos números de abstenção em Blumenau é o claro desinteresse do eleitor local pelo processo eleitoral deste ano.

“Tirando as pessoas muito próximas aos candidatos, você não percebia torcida nas ruas. O blumenauense não se envolveu emocionalmente com a eleição”. Porém, a pouca importância que o eleitor de Blumenau deu ao pleito municipal pode ser explicada por outros fatores.

O primeiro é a pandemia de coronavírus. Para Reis, mais do que os cuidados exigidos para evitar a transmissão da Covid-19, as exigências da crise sanitária causaram um desgaste nas pessoas. “Está todo mundo meio sem paciência para qualquer coisa, você percebe nas pessoas um desgaste, um stress, uma incomodação. As pessoas não estão satisfeitas com nada”, avalia.

A “ressaca política” é o segundo fator apontado pelo especialista. Ele acredita que o envolvimento intenso da população nas eleições de 2018, onde as pessoas se empenharam muito nas defesas de seus candidatos, provocou a reação inversa no pleito atual. Isso causou a sensação de “ressaca” e acabou afastando os eleitores do debate político.

Reis pontua ainda um terceiro fator: a apatia da campanha eleitoral. Para ele, os candidatos não tiveram sucesso em mobilizar os seus eleitores em agentes que captassem mais votos, ou mesmo convencessem outras pessoas a participarem da eleição.

“As pessoas fizeram as suas opções, mas elas não externavam isso, não se tornavam canais de divulgação das mensagens dos candidatos. O eleitor estava distante, mas a campanha dos candidatos não conseguiu romper esse bloqueio e envolver as pessoas”, analisa.

Escolha pela tradição

Além do desinteresse pelo pleito de modo geral, o analista político cita ainda uma característica do blumenauense que ajuda a explicar não apenas o resultado, mas a dinâmica da eleição: o gosto pela tradição.

Com 12 opções de voto no primeiro turno, Blumenau escolheu levar para a segunda fase da eleição o atual e o ex-prefeito da cidade. Reis pontua que uma novidade – o candidato Odair Tramontin, do Novo – chegou a despertar interesse e por pouco não foi para o segundo turno. Mesmo assim, a curiosidade não foi suficiente para que ele desbancasse os nomes já conhecidos da população.

Confira os índices de abstenção das últimas eleições municipais em Blumenau:

2020
Eleitorado: 247.014
Abstenção
– 1º turno:
66.873 – 27,07%
– 2º turno: 76.681 – 31,04%

2016
Eleitorado: 230.167
Abstenção 
– 1º turno: 20.823 – 9,05%
– 2º turno: 26.723 – 11,61%

2012
Eleitorado: 230.064
Abstenção 
– 1º turno: 32.116 – 13,95%
– 2º turno: 35.757 – 15,54%

2008
Eleitorado: 212.190
Abstenção
– 1º turno: 24.575 – 11,58%

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