Campanhas de candidatos ao governo de SC custaram R$ 34,7 milhões

09/11/2022 às 17h25

Governador eleito Jorginho Mello (PL) registrou o maior gasto do Estado nesta eleição, com R$ 10,1 milhões. Série de reportagens do Grupo ND irá mostrar despesas de outros políticos

Lorenzo Dornelles e Vanessa da Rocha Florianópolis

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Com o fim do prazo para prestação de contas da campanha eleitoral, que encerrou na última semana, os montantes aplicados pelos candidatos passam a ter os contornos definidos.

Em Santa Catarina, as campanhas eleitorais dos 8 postulantes ao governo do Estado de partidos com representatividade no Parlamento totalizaram R$ 34,7 milhões. Desse total, 74,6%, o que corresponde a R$ 25,9 milhões, saíram dos cofres públicos através do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

Levantamento exclusivo do NDI (Núcleo de Dados e Jornalismo Investigativo do Grupo ND) mostra o detalhamento das prestações de contas. Em geral, os candidatos aplicaram a maior parte dos recursos em publicidade. O montante chegou a R$ 22 milhões. O eleito Jorginho Mello (PL) lidera o ranking das despesas. Ele gastou R$ 10,1 milhões, o que representa mais de um terço do que foi gasto em todas as campanhas ao governo do Estado.

Campanhas de candidatos ao governo de SC custaram R$ 34,7 milhões – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDCampanhas de candidatos ao governo de SC custaram R$ 34,7 milhões – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Outras campanhas

A segunda maior despesa foi de Carlos Moisés (Republicanos), que gastou R$ 8,1 milhões, seguido de Esperidião Amin, do PP, (R$ 5,8 milhões), do petista Décio Lima (R$ 4,8 milhões) e de Gean Loureiro, do União (R$ 4,4 milhões).

As outras campanhas que não chegaram a fechar R$ 1 milhão são de Jorge Boeira (PDT) com gastos de R$ 634 mil, Ralf Zimmer (Pros), que teve despesas no total de R$ 600 mil, e Odair Tramontin (Novo) que gastou R$ 525 mil. Todos utilizaram recursos públicos, com exceção de Jorge Boeira, que usou recursos próprios e Odair Tramontin, que foi o mais econômico e utilizou verbas de doação.

Publicidade liderou entre os políticos

Dos R$ 34,7 milhões usados pelos 8 candidatos ao governo, a maior fatia foi destinada para publicidade. Os oito candidatos desembolsaram R$ 22 milhões em despesas, como a produção de programas de rádio e televisão, anúncios em impressos e impulsionamento em páginas da internet.

Jorginho Mello apresentou a maior despesa com gastos que somaram R$ 5,8 milhões, seguido de Carlos Moisés com despesas de R$ 5,1 milhões. Depois da publicidade, o segundo maior gasto foi com a contratação de terceirizados para serviços variados, que podem envolver desde a publicidade até a manutenção de espaços de trabalho de campanha. Essa despesa totalizou R$ 5,6 milhões.

Na sequência aparecem as despesas com eventos e mobilizações de rua (R$ 1,5 milhão),seguido de transporte (R$ 1,2 milhão).

O valor de cada voto em Santa Catarina

Considerando que o objetivo principal dos gastos de campanha é convencer o eleitor, o candidato que teve o melhor custo-benefício de investimento de recursos por voto obtido foi o eleito Jorginho Mello.

O montante de R$ 10,1 milhões dividido pelo número de 2.983.949 votos equivale a R$ 3,40 por voto. Por outro lado, o candidato Ralf Zimmer foi o que mais desembolsou verba pública por voto obtido. Os R$ 600 mil da campanha se reverteram em poucos mais de 3 mil votos, o que equivale a um custo de R$ 156,74 por voto.

Prestação de contas segue modelo padronizado do TSE

Os candidatos tiveram até o dia 1º de novembro para apresentar as contas à Justiça Eleitoral. Além de apresentar o comprovante das despesas, há um relatório a ser preenchido. Na primeira parte, há o detalhamento das fontes de receita.

Já nas despesas, há 41 tipos de possibilidades de despesas. No preenchimento da ficha, os candidatos devem fazer a classificação. O modelo é padronizado e busca facilitar a fiscalização do uso dos recursos públicos.

“Quase nada” de verba foi devolvida aos cofres públicos

Instituído em 2018, o Fundo Eleitoral representou a principal fatia dos gastos de campanha. O dinheiro público é distribuído entre os partidos, que por sua vez, repassam aos candidatos.

Há a opção de economizar a verba e devolver aos cofres públicos. Entretanto, a soma das devoluções de todos os oito candidatos é de apenas R$ 5,7 mil. O retorno mais elevado foi de Décio Lima, com a devolução de R$ 3,5 mil e o menor foi de Esperidião Amin, que devolveu um valor de R$ 26,78 dos quase R$5 milhões que recebeudo Fundo Eleitoral.

Fonte: Divulgacand e Tribunal Superior Eleitoral – Foto: Ranking dos gastosFonte: Divulgacand e Tribunal Superior Eleitoral – Foto: Ranking dos gastos