Campanhas para a presidência custaram R$ 215 milhões só de recursos públicos

10/11/2022 às 18h25

Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) concentram mais da metade do total das despesas entre todos os candidatos, que somou R$ 266 milhões este ano. Petista foi o que usou mais recursos, com R$ 91,9 milhões

Lorenzo Dornelles e Vanessa da Rocha Florianópolis

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Nas eleições mais caras aos cofres públicos, a disputa pelo Palácio do Planalto chama a atenção pelos valores volumosos. Foram R$ 215,9 milhões somente de verba pública. No total, os 7 candidatos de partidos que têm representatividade no Congresso usaram R$ 266,8 milhões de recursos para suas campanhas.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, foi a principal origem com R$ 181,1 milhões, enquanto o Fundo Partidário somou mais R$ 34,8 milhões.

Os dois principais expoentes da disputa lideraram as despesas. Juntos, Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) gastaram R$ 150,8 milhões, o equivalente a mais da metade do que foi gasto entre todos os candidatos.

Palácio do Planalto – Foto: José Cruzr/Agência Brasil/NDPalácio do Planalto – Foto: José Cruzr/Agência Brasil/ND

Detalhamento 

Da quantia total utilizada pelos candidatos à presidência da República, a área da publicidade é para onde foi a maior parte dos recursos. Dos R$ 266,8 milhões gastos pelos 7 candidatos, R$ 159,6 milhões (59,8%) foram para este tipo de serviço.

O mais custoso aos candidatos foi a produção de programas de rádio, televisão e vídeo,que somados custaram R$ 73,8 milhões. Mas acompanhando o impacto das redes sociais e dos algoritmos de pesquisas de internet, os candidatos também estão mais atentos a outros serviços.

Bolsonaro desembolsou R$ 5 milhões com o Facebook, enquanto Lula utilizou R$ 10 milhões de sua verba de campanha com o Google. Três candidatos declararam gastos com pesquisas eleitorais. Bolsonaro, que desde antes de sua eleição à presidência questiona os números divulgados pelos institutos de pesquisas de intenção de voto, é o que mais gastou verbas em pesquisas e testes. Foram R$ 4,9 milhões investidos no serviço. Simone Tebet, do MDB, (R$ 2,1 milhões) e Ciro Gomes, do PDT (R$ 608,3 mil), também desembolsaram recursos em pesquisas.

Bolsonaro tem receita deR$ 88 milhões em doações

Outro recurso utilizado pelos candidatos foram as doações. O candidato do PL, Jair Bolsonaro, lidera essa vertente com uma receita de R$ 88,2 milhões, que é equivalente a 95,9% dos R$ 91,9 milhões recebidos através de doações entre todos os candidatos.

Lula, do PT, recebeu um valor de R$ 2,8 milhões, enquanto Felipe D’Ávila, do Novo, recebeu R$ 390mil, seguido de Ciro Gomes (PDT), que recebeu R$208,9 mil, Simone Tebet, do MDB (R$ 200 mil), e Soraya Thronicke, do União (R$ 70 mil). O candidato Padre Kelmon, do PTB, não recebeu doações.

Candidatos ao Senado por SC usaram R$ 12,8 milhões

Na campanha ao Senado por Santa Catarina a soma das despesas dos 8 candidatos dos partidos com representação mínima no Congresso Nacional representa um valor de R$ 12,8 milhões. Diferente das corridas eleitorais para o governo do Estado e presidência da República, o líder de gastos não foi eleito.

O ex-governador Raimundo Colombo (PSD) declarou uma despesa total de R$ 3,4 milhões em sua campanha, enquanto o eleito, Jorge Seif (PL), gastou R$ 3,2 milhões, em 2º lugar. Na carona da ascensão do PL, Seif Júnior se apoiou na força do bolsonarismo no Estado para conquistar a sua cadeira e venceu nomes tradicionais da política catarinense.

Os dois primeiros colocados do ranking custaram um total de R$6,7 milhões, o que representa 52,2% do que foi gasto pelos 8 candidatos. Tendo em vista que o objetivo da campanha é obter votos, o investimento foi relativamente proporcional à atração de eleitorado.

Seif e Colombo concentraram 56% dos votos, com uma soma de 2.092.323, sendo que a maior parte (1.484.110) foi para Jorge Seif, do PL.

Valores da campanha 

A lista das campanhas mais caras ao Senado tem em 3º lugar o candidato do MDB, Celso Maldaner, com despesa de R$ 2,6milhões, seguido de Dário Berger, do PSB, com R$ 2,2 milhões.

Os outros candidatos tiveram gastos abaixo de R$ 1 milhão. A candidata Hilda Deola, do PDT, ficou no 5º lugar, com R$ 499 mil, na frente de Afrânio Boppré, do PSOL, (R$ 452 mil), Kennedy Nunes, do PTB, (R$ 241 mil) e Luiz Barboza, do Novo, (R$ 201 mil).

Peso da publicidade

Publicidade concentra 76,7% das despesas: A maior parte do total de R$ 12,8 milhões gastos pelos candidatos foi destinada para a publicidade das campanhas, que teve um montante de R$ 9,8 milhões.

Só o serviço de produção de programas de rádio, televisão e vídeo concentrou R$ 5,7 milhões dos candidatos. Raimundo Colombo foi o candidato que mais investiu neste item, com R$ 1,6 milhão. A área ainda soma gastos em impulsionamento de conteúdos, produção de jingles e slogans, carros de som, criação de páginas na internet, adesivos e ações em jornais, revistas e materiais impressos em geral.

Devolução de dinheiro público

Entre as receitas dos 8 candidatos, um total de R$ 7,9 milhões saíram dos cofres públicos, através do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. A verba pública distribuída pode ser economizada e devolvida, entretanto apenas R$ 14,3 mil voltaram.

Kennedy Nunes devolveu a maior quantia (R$ 14 mil) enquanto Celso Maldaner devolveu R$ 43 e Hilda Deola R$ 1,89. Os outros candidatos que fizeram uso dos fundos de financiamento público não realizaram devoluções.

Presidentes – Foto: ARTE LEANDRO MACIELPresidentes – Foto: ARTE LEANDRO MACIEL
Senadores – Foto: ARTE LEANDRO MACIELSenadores – Foto: ARTE LEANDRO MACIEL