Candidatos ao governo de SC apresentam seus projetos em debate na NDTV a dias do 2º turno

Décio Lima (PT) e Jorginho Mello (PL) apresentaram propostas para áreas como Saúde, Educação, Saneamento Básico e Infraestrutura no debate realizado neste sábado (22)

Bruna Stroisch e Maria Fernanda Salinet Florianópolis

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A oito dias do 2º turno das Eleições 2022, a NDTV realizou, na tarde deste sábado (22), o debate entre os candidatos ao governo de Santa Catarina. Décio Lima (PT) e Jorginho Mello (PL) estiveram frente a frente e destacaram seus projetos para o Executivo catarinense para os próximos quatro anos.

Debate promovido pela NDTV – Foto: Leo Munhoz/NDDebate promovido pela NDTV – Foto: Leo Munhoz/ND

Com formato dinâmico, os candidatos se enfrentaram com tema livre e também responderam aos questionamentos de convidados, representantes de entidades de Santa Catarina e jornalistas do Grupo ND.

O encontro, dividido em quatro blocos, foi mediado pelo jornalista Paulo Alceu. O portal ND+ também acompanhou o debate em tempo real.

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Emprego

O primeiro bloco iniciou com tema livre. O candidato Jorginho Mello (PL) abordou o tema “emprego” em seu questionamento.

“Emprego é uma das coisas mais importantes que temos. Quando você tem emprego, tem dignidade. Não desvia para outros caminhos, quando jovem, por exemplo. Quando pude fiz um grande projeto de ajuda financeira que foi o Pronamp. Aqui em Santa Catarina salvamos 750 mil empregos. Além disso, 75 mil empresas deixaram de fechar. Eu quero pedir ao candidato Décio, qual a sua preparação para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina?”, perguntou.

“Os maiores desafios são emprego e qualificação de mão de obra. Nós queremos criar 21 institutos estaduais das 21 microrregiões para qualificar mão de obra específica. Nós criamos o super simples, o MEI social, um conjunto de políticas que protagonizaram a economia de Santa Catarina. Tenho apresentado a criação do Banco de Santa Catarina para oferecer crédito subsidiado ao microempreendedor enfrentar adversidades.”, respondeu o Décio Lima (PT).

O candidato Jorginho Mello comentou que tem trabalhado em defesa do micro e pequeno empresário. “Quero fazer o Pronamp tanto para a cidade quanto para o interior. O Pronamp é uma linha de crédito que aprovamos e fui autor. Emprestou mais de 62 bilhões para os brasileiros em dificuldades na pandemia. Quero investir em qualificação profissional”, disse o postulante.

Jorginho Mello durante o debate – Foto: Leo Munhoz/NDJorginho Mello durante o debate – Foto: Leo Munhoz/ND

Educação

O candidato Décio Lima questionou Mello sobre Educação. “Estamos passando por grandes desafios, 27 mil jovens e crianças na pandemia contabilizam na evasão escolar, problemas nos institutos estaduais. Qual é a sua proposta para isso?”

“Quero fortalecer desde os primeiros passos os nossos alunos pequenos. Quero fazer parceria com os municípios para que a gente construa creches para que a mãe possa trabalhar com tranquilidade. Até porque muitas mães são as únicas que provêm renda. Quero que os professores participem da grande mudança que propomos em SC. Qualificação profissional é fundamental para elevarmos Santa Catarina para onde merece. Professores motivados, capacitados, com desejo de ensinar. E depois na faculdade, que é o sonho de todo o pai e de toda a mãe.”, respondeu Jorginho Mello.

Décio Lima disse que quer garantir que não haja cortes na educação como o que aconteceu recentemente e deseja retomar os investimentos. “Fizemos o Caminho da Escola, Prouni. O governo federal acabou de cortar recursos da educação, estamos com dificuldade de manter os institutos federais, inclusive com a alimentação. Já contabiliza R$ 9 milhões de cortes. Quero pedir que o senhor garanta, com a sua relação com o atual presidente, para que pare os cortes na educação”, disse Décio.

Jorginho Mello, por sua vez, negou que houve cortes de verbas da Educação por parte do governo federal.

“O governo federal não cortou verba nenhuma. O orçamento está apertado. O próprio ministro da Educação deu entrevista dizendo que não cortou verba nenhuma. Isso é uma ‘espuma’ que estão fazendo. Precisamos fazer com que nossa universidade e escola possam se fortalecer. Qualificação profissional dará a oportunidade do jovem colocar dinheiro no bolso. Quero aliviar o sofrimento do avô, pai, mãe, padrinho, que tem que fazer ‘vaquinha’ para pagar a universidade. Educação abre portas”, conclui Mello.

Investimentos e infraestrutura

Entre os convidados a fazer perguntas aos candidatos esteve o presidente da Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina), Sérgio Rodrigues Alves. Ele questionou quais serão as prioridades de investimento durante a gestão e trouxe à tona a questão da infraestrutura estadual.

Debate foi ao ar pela NDTV. Presidente da Facisc questionou os candidatos – Foto: Leo Munhoz/NDDebate foi ao ar pela NDTV. Presidente da Facisc questionou os candidatos – Foto: Leo Munhoz/ND

“Quero dizer que a economia cresce e os empregos aumentam quando impactamos a infraestrutura, como a Ponte Anita Garibaldi, com um crescimento de R$ 9 bilhões do nosso PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, vou recuperar recursos do governo federal através do presidente Lula e apresentar o maior projeto de infraestrutura”, respondeu o candidato Décio Lima.

“O empresário de Santa Catarina faz o dever de casa. Em todos os aspectos. A presença do governo no cangote dos empresários é pesada. Precisamos terminar as obras de infraestrutura o mais rápido possível. Vamos alocar recursos suficientes para que a gente termine as obras.”, disse Mello.

Segurança Pública

O comentarista e colunista do Grupo ND Moacir Pereira questionou os candidatos sobre Segurança Pública.

“Se a segurança ainda está bem é pela qualidade da Polícia Militar. Vamos fortalecer a PM, a Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Científica, Bombeiros para que cada um tenha o seu projeto e possamos crescer e dar segurança efetiva ao catarinense. Vamos conversar com as forças de segurança porque o atual governo deu às costas para eles. Vamos ver o que está faltando. De forma conversada e harmônica.”, respondeu Jorginho Mello.

Décio Lima afirmou que as instituições de segurança têm uma tarefa histórica que traz muito orgulho ao Estado. “Entretanto, precisamos que esse segmento amplie a nossa capacidade de serviço. Não podemos conviver com nove estupros por dia, um feminicídio por semana, vamos dar prioridade sobretudo, ao cuidado com a mulher.”, mencionou.

Perfil do secretariado e relação com governo federal

O segundo bloco iniciou com questionamento da comentarista e colunista do Grupo ND do Sul do Estado, Karina Mararin. “Qual será o perfil do seu secretariado? Os candidatos estariam dispostos a abrir espaço para outras siglas? Como será relação com governo federal?”.

“As pesquisas mostram que o presidente Lula vai ganhar as eleições, a relação será de recuperação histórica da dívida que ficou com o povo de Santa Catarina. Quero dizer que convivi com o atual presidente por 12 anos no Congresso Nacional, eu sou aquele que sabe conviver com a pluralidade, porque tenho uma formação marcada pelo cristianismo, pelo amor, solidariedade e respeito com as pessoas”, iniciou Décio Lima.

Tive sucesso quando governei a prefeitura de Blumenau, com 85% de aprovação. Vou governar com a sociedade, não será uma equipe dogmatizada, não terá orçamento secreto e relações repugnantes. Todos estarão comigo para enfrentar de forma apaixonada os nossos problemas.”, completou.

“Quero fazer um governo com os melhores quadros de SC. Quadro técnico com profissionais capazes. Tem que ter ficha limpa, passado com serviço prestado ao Estado. Vou ter gente de todas as regiões para me ajudar nesse grande projeto. E ao final dos quatro anos, tenho certeza que os catarinenses vão reconhecer a qualidade das pessoas que vou chamar. Homens e mulheres, sem nenhum preconceito com a classe política. Tem que estar aliado ao que desejo para Santa Catarina”, disse Jorginho Mello à comentarista Karina Manarin.

Política industrial e infraestrutura

O presidente da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Mário Cezar de Aguiar, questionou sobre política industrial e infraestrutura.

É impossível governar Santa Catarina sem que os empresários estejam do meu lado. É assim que quero governar, construir com vocês a solução para que façamos um Estado que não atrapalhe e seja parceiro do empresário, para recuperar 60% dos investimentos de Santa Catarina que antes ficavam para o Estado e nos permitiram grandes avanços, vamos retomar isso”, respondeu Lima.

“O fortalecimento do parque industrial de Santa Catarina se faz necessário. Nossa indústria é pujante e forte. Precisamos inovar em todas as fases para que a indústria de SC possa continuar produzindo o que vem fazendo há muitos anos. A infraestrutura é um problema que debatemos há muito tempo. Quero junto com o presidente Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura colocar no orçamento as emendas de bancada. A Fiesc vai fazer parte dessa luta diária”, respondeu Jorginho Mello ao presidente da Fiesc.

Saneamento

Questionados sobre Saneamento, o candidato Décio Lima disse que é preciso enfrentar o subterrâneo.

“Precisamos potencializar a Casan, dando a ela condições para que possa estabelecer parcerias com a iniciativa privada e trazer investimentos de obras estruturantes através do governo federal para saneamento e sairmos dessas vergonha”, respondeu o candidato do PT.

“Vou fazer com que a Casan funcione melhor. Precisamos investir mais em saneamento. Quero ajudar a manter os municípios hoje com a Casan pois se forem saindo, [a Casan] vai ter dificuldade de sobreviver. Isso será uma tarefa do governador, fazer com que as cidades fiquem no sistema da Casan”, disse Jorginho Mello.

Agronegócio

Durante o tema livre, o candidato Jorginho Mello abordou o Agronegócio.

“O agronegócio é muito importante para SC. Temos 46 cooperativas responsáveis por 70% da nossa produção. É um orgulho para todos nós. O candidato que o senhor defende disse que o agronegócio é coisa de fascista. É muito forte. Queria pedir se o senhor acha mesmo que o nosso agricultor é o vilão de não prestar o grande serviço que presta hoje para SC e o Brasil.”, questionou ao candidato do PT.

“O agronegócio é um processo fantástico da economia, até pelos modelos cooperativos. O MST está criando em SC várias cooperativas, que fazem parte do agronegócio, vamos fazer uma política de paz e amor, sem excluir ninguém.”, disse Décio.

“Quero fazer o seguro para que o agricultor não perca a sua safra. O seu trabalho com a sua família, que luta sol a sol para adquirir um pedacinho de terra. Não vou deixar o MST invadir e fazer baderna e arruaça. O agricultor aqui em SC tem conquistado a sua terrinha com o suor do seu rosto. Quero fazer o seguro ‘Safra Garantida’. Quero ir ao encontro de quem produz. Nossa agroindústria é exemplo para o Brasil em todos os sentidos”, comentou Jorginho Mello.

Educação

O tema Educação voltou à pauta do candidato Jorginho Mello (PL). “Queria perguntar qual o seu plano para Educação. O que o senhor pretende para a Educação desde a pré-escola. Além dos institutos, há outro mecanismo que possa potencializar a mão de obra qualificada e o Ensino Superior?”

“Eu serei um governador atento àquilo que o governo federal produz para educação do catarinense. Defesa dos institutos federais, que não haja cortes, fazer com que esses 100 mil jovens não vivam o que estão vivendo atualmente, inclusive com corte na comida dos restaurantes universitários. Não podemos imaginar a educação sem os valores essenciais, que são nossos professores. Precisamos permitir a carreira e o concurso público dentro de um piso salarial que dignifique todos que protagonizam a educação.” respondeu Lima.

“Quero valorizar os professores. Eles são o maior patrimônio de SC. Fazer com que as escolas técnicas possam ajudar junto com as universidades comunitárias para que utilizemos a estrutura da universidade. Para que termine o Ensino Médio com uma profissão, não só para vestibular, mas para que tenha ganho financeiro”, disse Mello.

Políticas Sociais

Sob o tema livre, o candidato Décio Lima questionou Mello sobre políticas sociais “para enfrentar os flagelos que os catarinenses enfrentam”.

“Quero em primeiro lugar conseguir colocar uma pessoa que conheça e goste de gente em ações sociais. Quero fazer um governo das pessoas. Acredito que se você estiver bem, tudo vai fluir bem. E também já formatei para que a gente consiga fazer um grande programa de restaurantes populares”, abordou Jorginho Mello.

“Não serei um governador que admita que em nosso Estado tenhamos hoje 900 mil catarinenses em vulnerabilidade alimentar e maioria com fome. Eu vou fazer um governo humano, vou ser o governador que a primeira coisa será trazer dignidade e cidadania para atender as feridas do povo catarinense que vivem nessa condição”, respondeu Lima.

Décio Lima durante o debate – Foto: Leo Munhoz/NDDécio Lima durante o debate – Foto: Leo Munhoz/ND

Privatizações

O apresentador do Grupo ND Calebe Moreno pediu a opinião dos candidatos sobre a redução de estatais e privatizações.

“As empresas públicas cumprem um papel importante na economia e na vida do povo catarinense. Eu vou fortalecê-las. Quando administrei o Porto de Itajaí trouxe investimentos que impactaram e o transformaram em cinco estrelas. O porto tem que ser público por uma razão: ele é a porta do mundo, se você privatiza agride a soberania nacional, mas parcerias com iniciativa privada são bem-vindas, desde que dentro da lei”, respondeu Lima.

“Temos 5 portos e 24 aeroportos. [No meu governo], vai ter um secretário Executivo na Secretaria de Infraestrutura para trazer turistas e melhorar o cenário. Têm que ter lucro. Quanto ao porto é um patrimônio nosso, quero cuidar de todos eles em uma única política”, disse Mello.

Municipalismo

Na sequência, os candidatos foram questionados sobre as demandas dos municípios e o que planejam para programas já existentes como SC Mais Moradia e Plano 1000.

“Quero fazer um governo municipalista, com referências ao governador Moisés, que estabeleceu um relacionamento de valorização dos prefeitos. Em respeito ao Plano 1000, vamos transformar em política de Estado. Como municipalista, vamos ter um governo com esse conceito. Vou governar as 21 microrregiões do estado, como a Fecam organizou, trazendo empresários, trabalhadores para que possamos enfrentar os problemas a partir do ano que vem.”, respondeu Décio Lima.

“Fui o único candidato que no encontro da Fecam reafirmou o compromisso de manter o Plano 1000. Ninguém pode ser responsável por paralisar uma obra porque não foi ele que começou. Sou municipalista por convicção. Tenho o privilégio de conhecer todos os 295 municípios de Santa Catarina. Vou discutir com os municípios e fazer tudo aquilo que for possível”, disse Mello.

Saúde

O último tema debatido entre os candidatos antes do fim do terceiro bloco foi Saúde. Décio Lima diz que pretende criar o Sistema Único de Saúde de Santa Catarina a partir de um processo integrado.

“Interromper esses ambientes que trazem muitas vezes disputas entre filantrópico e Estado, sem articulação para oferta de saúde ao povo. Vamos ter um processo isonômico. Vamos incluir neste sistema a saúde básica, para que permita oferecer a saúde integrada com todos os atendimentos, inclusive se precisar, comprarmos serviços privados para atender algumas demandas, como o caso das cirurgias eletivas. Vamos oferecer saúde em um aplicativo, onde o catarinense irá marcar a consulta e ver todos os serviços disponíveis.”, explicou Lima.

“O planejamento de saúde em SC será com hospitais filantrópicos, públicos e privados. Será uma grande parceria. Geridos e administrados por pessoas sérias e comprometidas. Precisamos alocar recursos para terminar o que foi iniciado. Não pode estar paralisado. Passa governo, vem governo e há pouco investimento. Vou fazer a saúde em SC chegar mais perto das pessoas. Regionalmente atender o hospital, capacitar, colocar médico, equipamento e serviço para que atenda a região”, comentou Mello.

Debate promovido pela NDTV – Foto: Leo Munhoz/NDDebate promovido pela NDTV – Foto: Leo Munhoz/ND

Considerações finais

No último bloco, os candidatos tiveram 2 minutos para defender as suas candidaturas (por ordem de sorteio prévio):

Jorginho Mello (PL): Agradeço ao Grupo ND e ao Marcello Petrelli pela oportunidade e quero cumprimentar o candidato Décio. Mais de um milhão de catarinenses não votaram no segundo turno. Precisamos que vocês compareçam no dia 30. A democracia é o processo mais importante da vida. A presença de cada um é fundamental. A fila vai andar mais rápido. Agora são só dois números. Quero pedir o voto do catarinense que honra esse Estado. Trabalha e se dedica dia e noite. Sou de SC, esse Estado que nos orgulha e não se veda por nada. Aqui temos tudo. Uma economia diversificada, povo que trabalha. Quero pedir, é importante para o presidente Bolsonaro. A vitória está próxima. Ele vai ganhar a eleição, não tenho dúvida. Ele precisa agora que você compareça. Dia 30, ajude o idoso a ir votar porque isso é um ato de amor pelo Brasil e SC. Por isso, dia 30 vote 22. Muito obrigado, Santa Catarina.

Décio Lima (PT): Quero cumprimentar o Paulo Alceu, o candidato Jorginho, agradecer a acolhida de todos os funcionários da Record nesta tarde, e agradecer ao Marcello Petrelli por esse evento que fortalece a democracia. Eu e a Bia Vargas, uma mulher negra e mãe, estamos aqui para mostrar algo diferente. Peço que não olhe para mim com o dogma, com rótulo, porque eu trago aqui o que você é, os valores que pertencem à sua vida. Sou o candidato do amor, não sou do ódio. Sou do livro, não sou da arma. Não vou governar Santa Catarina com orçamento secreto, com desrespeito às biografias políticas históricas de Santa Catarina, mas com respeito para fazer um governo inclusivo e de resultado para o nosso povo. Peço reflexão para eleger a esperança que representa o Lula e eu e a Bia para governar o Estado.