Catarinense dom Paulo Evaristo Arns, que lutou contra a ditadura, será homenageado

Homenagem acontece em sessão solene nesta sexta-feira (5), em Forquilhinha, no Sul de SC

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Redação ND Florianópolis

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Reconhecido pela defesa das populações mais vulneráveis, pela luta contra a ditadura militar no Brasil e também pelo seu trabalho religioso, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns será homenageado em sessão solene nesta sexta-feira (5), em Forquilhinha, no Sul catarinense, onde nascia há 100 anos.

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    Dom Paulo Evaristo Arns será homenageado em sessão solene nesta sexta-feira (5), em Forquilhinha, no Sul catarinense - Arquidiocese de São Paulo/Divulgação/ND
    Dom Paulo Evaristo Arns será homenageado em sessão solene nesta sexta-feira (5), em Forquilhinha, no Sul catarinense - Arquidiocese de São Paulo/Divulgação/ND
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    Cardeal teve atuação voltada para a defesa das populações mais vulneráveis e da democracia - Divulgação/ND
    Cardeal teve atuação voltada para a defesa das populações mais vulneráveis e da democracia - Divulgação/ND

A proposta foi do deputado estadual licenciado Padre Pedro Baldissera (PT) e tem como objetivo relembrar a história do catarinense e sua atuação que aproximou a igreja da sociedade, ao trabalhar pelas populações mais vulneráveis e em defesa da democracia.

“O saudoso Dom Paulo Evaristo Arns, que completaria este ano um século de vida, sobrevive como exemplo dos direitos humanos. Ele combateu a ditadura de forma altiva com sua voz baixa e firme. Corajoso e sempre com muito afeto, deixou um legado. Com clareza em sua atuação contra a violência e a violação de direitos humanos, denunciou as mortes e torturas, e na Catedral da Sé celebrou as homenagens às vítimas do regime”, comentou.

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A sessão, em homenagem ao religioso, acontece a partir das 19h no Auditório do Hotel Oma Zita, no centro da cidade. Na oportunidade, a sua família recebe uma comenda do Poder Legislativo Catarinense. Além disso, outras 10 comendas serão entregues a entidades e poderes públicos, decorrentes da homenagem principal.

Quem foi Dom Evaristo Arns?

O cardeal Dom Paulo Evaristo Arns nasceu em Forquilhinha no dia 14 de setembro de 1921 e faleceu em São Paulo em 14 de dezembro de 2016. Ele foi frade franciscano, bispo auxiliar e arcebispo de São Paulo.

Teve sua atuação pastoral voltada aos habitantes da periferia, aos trabalhadores e à formação de CEB (Comunidades Eclesiais de Base) nos bairros.

Ordenado sacerdote em 1945, foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde se formou em estudos brasileiros, latinos, gregos e literatura antiga. Depois, se tornou bispo e arcebispo de São Paulo e se destacou por sua luta política contra a ditadura militar e em favor do voto, no movimento Diretas Já.

Sua atuação contra o regime ganhou destaque já em 1969, quando passou a defender seminaristas dominicanos presos por ajudarem militantes opositores. Três anos depois, como presidente da Regional Sul-1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) liderou a publicação de “Testemunho de paz”. O documento continha fortes críticas ao regime que ganhou ampla repercussão.

Em março de 1973, também presidiu a “Celebração da Esperança”, em memória de Alexandre Vannucchi Leme, estudante universitário morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva um dossiê sobre os casos de 22 desaparecidos.

Então, inicia-se uma série de apelos em defesa da anistia e celebra-se na catedral da Sé o histórico culto ecumênico em memória de Vladimir Herzog, jornalista morto pelo regime militar.

Já no final dos anos 70, Dom Paulo Evaristo Arns trabalhou pela causa dos direitos humanos na Arquidiocese de São Paulo e ao lado do Pastor Presbiteriano Jaime Wright.

No local, coordenou o projeto “Brasil: Nunca Mais”, que demonstrava os  registros de violações de direitos humanos durante a ditadura. Como reconhecimento por sua obra humanitária, Dom Paulo recebeu vários prêmios no Brasil e no exterior.

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