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Catarinense está entre as 61 pessoas com pedido de indiciamento na CPMI de 8 de Janeiro

O produtor rural, apontado pela CPMI como financiador do ato, nega envolvimento e reclama da falta de oportunidade da ampla defesa e classifica relatório como "ilações completamente fantasiosas"

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A CPMI do 8 de Janeiro aprovou por 20 votos favoráveis, 11 contrários e nenhuma abstenção, nesta quarta-feira (18), o relatório final. Os parlamentares referendaram o parecer da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) pedindo o indiciamento de 61 pessoas, entre as quais o ex-presidente Jair Bolsonaro e o advogado e produtor rural catarinense Jeferson da Rocha.

CPMI do 8 de Janeiro vota relatório final com 61 pedidos de - Foto: Foto: Roque de Sá/Agência SenadoCPMI do 8 de Janeiro vota relatório final com 61 pedidos de – Foto: Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O relatório agora será encaminhado a PGR (Procuradoria-Geral da República), a Polícia Federal e o STF (Supremo Tribunal Federal) para que aprofundem investigações e apurem as responsabilidades.

O catarinense Jeferson da Rocha é apontado no relatório final da CPMI como financiador  do ato antidemocrático de 08 de Janeiro em Brasília. Ele foi candidato a deputado federal em Santa Catarina pelo PROS em 2022 e ex-presidente do partido no estado.

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Rocha é diretor jurídico da Andaterra (Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra). E um dos fundadores do MBVA (Movimento Brasil Verde Amarelo) associação que reúne representantes do agronegócio.

Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) destaca que o MBVA foi fundamental na organização dos atos intervencionistas e de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro nos últimos anos.

De acordo com relatório da Abin, “Jeferson Rocha, chamado de líder, é ideólogo com discurso radicalizado e que mantém contato com Alex Silva, liderança do Ucraniza Brasil, grupo extremista violento que atua no país desde 2020”.

Rocha conversou com esse jornalista e negou participação nos atos antidemocráticos de 08 de janeiro. O advogado disse que embora eu tenha sido citado na CPMI em requerimentos, os mesmos não foram aprovados.

Ele é um dos fundadores do Movimento Brasil Verde Amarelo - Foto: Divulgação/NDEle é um dos fundadores do Movimento Brasil Verde Amarelo – Foto: Divulgação/ND

“Eu jamais tive oportunidade de dar a minha versão dos fatos. Do ponto de vista da ampla defesa, do contraditório, do exercício, do direito de defesa é uma violência que aconteceu… São ilações completamente fantasiosas”, afirmou.

O catarinense disse que está desde a criação do MBVA, em 2017, que segundo ele tem uma atuação bem incisiva no ponto de vista político. Rocha deixou claro que tem plena convicção de que não extrapolou os limites da legalidade e da constitucionalidade, ou seja, no ponto de vista do objeto da CPMI que é um fato concreto que foi o dia 08 de janeiro.

“Eu condenei aquilo que aconteceu. Entendo que foi um crime contra o patrimônio público. Entendo que invasão tem que ser punida com rigor”, frisou.

Jeferson Rocha afirmou que não concorda com a ideia de golpe militar, com ato atentatório à democracia. “Todas as vezes que me manifestei, todas elas sempre foram em defesa da democracia, em defesa da legalidade, então realmente eu fico surpreso (com o relatório da CPMI)”.

O advogado também negou qualquer ligação sobre o movimento Ucraniza Brasil. De acordo com ele, houve um contato apenas uma vez com Alex Silva, que é instrutor de tiros, em um curso para atiradores, no mês de agosto de 2020, no município de Capinzal.

Jeferson da Rocha negou qualquer participação nos atos de 08 de Janeiro – Foto: Reprodução/NDJeferson da Rocha negou qualquer participação nos atos de 08 de Janeiro – Foto: Reprodução/ND

“A gente reuniu produtores rurais e ele prestou um curso de defesa pessoal e patrimonial. Minha relação com esse camarada foi profissional, contratei, prestou o curso. Agora o que ele faz ou que ele deixa de fazer”, contou.

CPMI quis atingir lideranças do agro, diz Rocha

Segundo Rocha, a relatora da CPMI, o acusa de algo que não fez e que tomará as medidas judiciais cabíveis. O advogado reforçou que os parlamentares que aprovaram o relatório querem atingir algumas lideranças do agro porque deram importantes no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Querem nos colocar nessa fornada, mas a gente não tem nada a ver e aí acabam nos ligando alguma coisa, mas pelo contrário, tudo que a gente fez e se manifestou foi sempre dentro da legalidade”.

“Ela quebrou os meus sigilos bancários, telefônico, fiscal e eu não reagi, eu concordei porque a até acho que minha vida é um livro aberto. Pode investigar o que for. Posso te afirmar que não incentivei, não pactuei, de nenhum modo com as ações do dia 08 de janeiro. Se conquista a mudança através do poder do voto”, finalizou.