Diversos prefeitos do Sul de Santa Catarina se manifestaram publicamente questionando os dados do Censo Demográfico 2022, sob a justificativa de que não são fidedignos à realidade dos municípios. A preocupação dos políticos é que os números possam impactar no repasse de recursos.
Prefeitos se reúnem na Amrec para discutir números do Censo – Foto: Amrec/Divulgação/NDPor essa razão, os prefeitos da Amrec (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) se reúnem na terça-feira (04) para debater os números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O encontro antecede uma reunião com o superintende estadual do instituto, Roberto Kern Gomes, marcada para o dia 11 de julho, em Florianópolis.
SeguirMunicípios questionam queda populacional
Em nota, a Prefeitura de Criciúma informou que discorda dos números apresentados pelo Censo e que estuda a possibilidade, via Procuradoria, de adotar medidas administrativas e judiciais.
Atualmente, Criciúma aparece com 214.493 habitantes, número inferior à prévia divulgada pelo IBGE, em 2021, segundo a prefeitura.
O município de Siderópolis, no Sul do Estado, também indaga o levantamento. Segundo o prefeito, o Censo demonstrou que em 12 anos a cidade teve um acréscimo de 716 habitantes, ou seja, em 2010 eram 12.998 pessoas, agora são 13.714.
“Mesmo com esse crescimento não estamos contentes com esse número, pois não condiz com os cadastros ativos no SUS, que somam 15.155 pessoas atendidas no município. Nós já havíamos questionado essa diferença quando foi apresentada uma prévia ao município em março”, disse o prefeito de Siderópolis, Franqui Salvaro.
A mesma realidade é apontada pelo prefeito de Cocal do Sul, Fernando de Fáveri. “Nos nossos controles, principalmente através da Secretaria de Saúde, nossa população é de 21 mil habitantes”, destacou. Já os números do IBGE apontam para 17.240 pessoas.
Além deles, os prefeitos de Lauro Müller, Nova Veneza, Treviso, Balneário Rincão, Balneário Gaivota e Laguna questionam os números.
Os prefeitos temem que a queda nos números possa refletir em uma diminuição nos repasses federais, como a distribuição dos recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), principal fonte de receita da maioria das cidades do país.
Coordenador explica diferença entre os números das prefeituras e o Censo
Contudo, o coordenador do Censo 2022 na Região Carbonífera, Gilmar da Silva Coelho, destaca que tem convicção sobre a veracidade do levantamento. “Os dados refletem a realidade não só de Criciúma, como dos outros municípios”, afirmou.
Ele explica que o Censo tem dois pilares básicos: os domicílios e uma data de referência, o que garante um marco espacial e temporal durante a pesquisa.
“Os recenseadores visitam todas as residências e investigam quem mora em cada um deles na data de referência, evitando omissões e duplicidades na contagem”, explicou.
Segundo ele, os municípios costumam usar os dados de cadastros de saúde ou eleitorais, que podem conter duplicidade. Por isso, a possível diferença.
“Recenseadores perceberam isso, inclusive, durante a pesquisa. As agentes de saúde nos ajudaram muito para chegar aos domicílios para o Censo. Em vários municípios, a pessoa ainda tinha cadastro no SUS, mas já havia se mudado, por exemplo”, analisou Coelho.
Apesar de haver dificuldade na contratação de recenseadores, a pesquisa foi feita corretamente, conforme o coordenador. “Tínhamos aproximadamente 150 trabalhadores, mas havia 400 vagas abertas. Isso só fez com que o Censo demorasse mais. A estimativa para conclusão era de três meses, mas foram necessários dez”, destacou.
Ainda conforme Coelho, 95% dos domicílios foram visitados. “Não foi possível contatar somente 5% das residências e esse número foi submetido a um tratamento estatístico que garante a eficiência dos dados”, informou.
O coordenador ainda analisa comparativamente os números nacionais e regionais. Conforme ele, o Brasil como um todo teve um crescimento de 6,5% nos últimos dez anos.
Santa Catarina foi o segundo estado que mais cresceu no país em população, com aumento de 22%. Só perdeu para Roraima, por causa do fluxo de migrantes venezuelanos.