Gestores públicos já sentem a necessidade de operar juntos por soluções criativas. No trabalho em equipes conectadas, o objetivo comum de servir o cidadão com excelência.
Esse avanço já está no horizonte dos futuros processos da prestação dos serviços públicos.
Iniciativa inédita reúne Executivo, Legislativo e Judiciário, Tribunal de Contas e Ministério Público no InovaGovSC – Foto: Reprodução/InovaGovScExemplo disso é o inédito InovaGovSC, que reúne representantes dos poderes e órgãos autônomos com o objetivo de inovar nas práticas administrativas.
O lançamento foi em julho, de forma virtual, para garantir as medidas sanitárias necessárias. Justamente os desdobramentos da pandemia estão entre os fatores que desafiam as administrações.
Os representantes públicos são unânimes em afirmar que, até então, as entidades trabalhavam basicamente sozinhas, com pouco diálogo entre elas. Para o deputado estadual Mauro de Nadal, presidente da AL-SC (Assembleia Legislativa), havia falta de um elo.
Cada qual caminhava dentro do seu sistema, buscando aquilo que entendia melhor para o setor. “E agora, essa interligação permite com que possamos fazer essa troca de informações e até mesmo se utilizar de algo que já está funcionando de um determinado setor e trazer para dentro pro poder ou da forma organizacional da Assembleia, no caso”, afirma Nadal.
“Quando muitos pensam juntos, pensam melhor”, resume o presidente do TCE-SC (Tribunal de Contas do Estado), Adircélio Ferreira Júnior. Ainda em fase inicial, representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público e do TCE têm se reunido semanalmente, para traçar os rumos do trabalho.
Como funciona
O InovaGovSC é formado por representantes da área da inovação de cada poder. Reuniões são feitas todas as semanas para definir diretrizes de atuação conjunta. “Definidas as verticais, estamos no processo de estabelecer os objetivos. E não é simples, são muitas frentes de atuação e somos poucos. Já temos o regimento, os cronogramas de reuniões, o plano de ação, agora estamos organizando”, esclarece a gerente de Inovação da SEA (Secretaria de Estado de Administração), Luana Bayestorff, antecipando que um site específico para as informações dos encontros do projeto ainda deve ser criado.
A maior importância é unir esforços para encurtar alguns caminhos, segundo Luana. “Todas as ações que a gente pensava sozinhos, passamos a pensar em conjunto, e aliado a esses órgãos de controle, a gente tem mais facilidade. É o grande benefício”, diz.
Ambiente favorável para a transformação digital
A integração é “uma iniciativa de inovação”, para o assessor da presidência do TJ-SC (Tribunal de Justiça), Marcos Bianchi. “Nós unimos os setores de inovação de cada um desses órgãos para criar o InovaGovSC, à luz do que já existe no governo federal. Para criar um ambiente integrado de inovação, de desenvolvimento, de ferramentas, de produtos, de técnicas em prol do desenvolvimento do serviço dos serviços públicos”, afirma Bianchi.
“Acho que hoje não tem ninguém, seja do setor público, seja do setor privado, que não esteja pensando em inovação, transformação digital, e nós chegamos à conclusão de nos aproximarmos, porque os projetos eram semelhantes e a troca de experiências poderia contribuir para todos”, acrescenta o promotor do MP-SC (Ministério Público), Guilherme Zattar.
O presidente do TCE-SC, Adircélio Ferreira Jr., destaca que a evolução buscada pela iniciativa se expande além da tecnologia. “A inovação não se limita apenas à tecnológica, é a inovação no sentido de criatividade, de ter um um ambiente propício para soluções inteligentes. O Inova vem nesse contexto”, pontua.
Resposta compartilhada
O projeto proporcionou um novo mundo de trabalho entre as entidades. “Com a criação da rede, passamos a trabalhar de maneira integrada no desenvolvimento de projetos paralelos, no desenvolvimento de ideias, no desenvolvimento de conceitos que sirvam para que possam servir para todos os entes”, descreve Marcos Bianchi, do TJ-SC.
“Isso, primeiro, acelera o desenvolvimentos de ideias e de projetos, porque a gente passa a pensar com cinco organismos e não isoladamente. Segundo, passamos a pensar em projetos sobre serviços públicos de maneira unificada”, completa.
Um exemplo sobre atendimento virtual. Será possível desenvolver uma ferramenta única, que sirva a todo o serviço público e não um específico para cada órgão. “A gente começa a pensar nas iniciativas inovadoras para o Estado como um todo, e não cada órgão, cada representante de poder separadamente”, afirma Bianchi.
Ao melhoram o desempenho das atividades, os representantes públicos esperam entregar uma prestação de serviço melhor ao cliente, o cidadão. “Esperamos ganhar conhecimento daquilo que os outros órgãos já estão um pouco mais avançados do que nós e, em contrapartida, compartilharmos o que eventualmente estejamos um pouco mais avançados, para que haja o progresso mais rápido e uniforme de todos nós nessa área de inovação e tecnologia”, antecipa o promotor Guilherme Zattar.
“O projeto é importante porque ele busca trazer a tecnologia para o ambiente de trabalho. Hoje a gente vê que o mundo se comunica através de um celular. Nós estamos acessando todas as informações do mundo, e nós que estamos a frente da máquina pública, que é servir o cidadão, nós precisamos fazer com que as ferramentas façam parte do nosso dia a dia, e com base nessas ferramentas a gente consiga levar oportunidades para as pessoas que vivem no nosso Estado. Então esse é o grande objetivo, e a Assembleia Legislativa se insere dentro deste contexto, em que ela permite com que o cidadão consiga acompanhar com mais dedicação e transparência tudo aquilo que acontece no dia a dia do próprio parlamentar e da Assembleia Legislativa.”
Mauro de Nadal, deputado estadual, presidente da AL-SC (Assembleia Legislativa)
“Criar um ambiente integrado de inovação, de desenvolvimento, de ferramentas, de produtos, de técnicas em prol do desenvolvimento do serviço dos serviços públicos. Isso gera, consequentemente, soluções. Criamos um ambiente em que essas soluções podem chegar de maneira mais rápida, mais acelerada, mais testada. E elas são unificadas para o Estado todo, independente de onde se busca esse serviço, independente da plataforma que se busca esse serviço de modo que aos poucos a gente vai criando um ambiente de inovação que é do estado e não do judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas, do Governo do Estado, da Assembleia e assim por diante.
Marcos Bianchi, assessor da presidência do TJ-SC (Tribunal de Justiça)
“No geral o que a gente percebia é que as entidades públicas atuavam de maneira isolada sem se comunicar umas com as outras. Então essa troca de experiências, o compartilhamento, não só de dificuldades, mas também como uma troca de ideias acerca das soluções, ela é fundamental para o aprimoramento de todos, acho que todos crescem com isso. É aquela história, né? Quando muitos pensam juntos, pensam melhor. Então isso é uma cultura que felizmente está mudando no serviço público. A gente tem tido iniciativas de parceria com outros órgãos, como por exemplo as compras compartilhadas com o Tribunal de Justiça, com a Assembleia Legislativa, com o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas e com o próprio Tribunal de Contas. Então, são iniciativas que caminham justamente nesse sentido de uma maior integração das entidades públicas visando sempre o aprimoramento dos seus serviços.”
Adircélio Ferreira Jr., conselheiro, presidente do TCE-SC (Tribunal de Contas)
“Nessa área de inovação, a gente percebeu que sim, cada um estava tendo as suas iniciativas, muito embora com contatos esporádicos. Nós já fizemos projetos com a Assembleia Legislativa, já fizemos projetos com Executivo, já fizemos projetos com o Tribunal de Contas e com o Tribunal de Justiça, evidentemente. Mas não existia uma aproximação para uma troca maior sobre inovação e tecnologia. A gente sentiu um pouco essa necessidade e essa conversa do Ministério Público com o Tribunal de Contas, lá no início do projeto, demonstrou o quanto essa proximidade enriqueceria pra todos nós.”
Guilherme Zattar, promotor de Justiça do MP-SC (Ministério Público)
“Eu acredito que tem a necessidade por conta de cada um de nós estar em um estágio. Mas a gente depende muito um do outro, vou te dar o exemplo das contratações públicas, o Estado tem o laboratório, a gente já construiu toda uma metodologia, tem todo um rito a ser seguido, mas na maioria das vezes a gente esbarra na questão de contratação, o que pode ou não pode, o que é permitido pela lei ou o que que vai ser entendido de uma maneira errada às vezes para o Tribunal de Contas ou que a gente possa ter problema com o Ministério Público, então como eles passam pelos mesmos problemas que nós, por que não construirmos juntos esses regulamentos, essas leis?”
Luana Bayestorff, gerente de Inovação da SEA (Secretaria de Estado da Administração)