Conheça a bancada de vereadores do DEM em Florianópolis

Partido do prefeito Gean Loureiro, o DEM terá a maior bancada na Câmara Municipal de Florianópolis, com Josimar Pereira (Mama), Dinho, João Cobalchini e Dalmo

Nícolas Horácio e Paulo Rolemberg Florianópolis

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O DEM, partido do prefeito Gean Loureiro, fez a maior bancada da 19ª legislatura da CMF (Câmara Municipal de Florianópolis). Ao todo, o partido de Gean terá quatro vereadores. Na sequência da série de reportagens com os vereadores empossados de Florianópolis, a bancada do DEM.

Conheça, a seguir, as trajetórias políticas de Josimar Pereira (Mama), Dinho, João Cobalchini e Dalmo, aliados de Gean na CMF.

Josimar Pereira (Mama): o nome da Tapera na Câmara de Vereadores

Para muitos, foi uma surpresa, porém, para Josimar Pereira, o Mamá, 40 anos, os 4.015 votos obtidos – o segundo mais votado em 2020 na Capital -, é o resultado de uma construção. Segundo ele, tudo começou quando disputou sua primeira eleição, em 2016, e ficou na suplência ao ganhar 1.788 votos.

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Josimar Pereira, o Mama, vereador do DEMJosimar Pereira, o Mama, vai iniciar o primeiro mandato como vereador pelo DEM em Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

O manezinho do bairro Tapera, Sul da Ilha, assume seu primeiro mandato com a experiência de ter sido intendente da prefeitura de um dos bairros mais carentes de Florianópolis.

Adaptando-se a uma nova rotina, Mama está com uma agenda atribulada. Fiel aliado do prefeito Gean Loureiro (DEM), Mama deixou o PDT e desembarcou no DEM a convite do próprio Gean.

A candidatura, segundo o parlamentar, foi para atender ao pedido de amigos, colegas e da comunidade da Tapera, para o bairro ter um representante na Câmara.

Veja como foi a votação de Mama nos bairros de Florianópolis:

“Acredito que a nossa vitória foi um conjunto de elementos. Fizemos um trabalho na Intendência da Tapera, tenho uma equipe parceira, meus amigos, minha família e a todos que acreditaram no nosso objetivo”, analisa.

Josimar Pereira disse que sua bandeira será trabalhar junto ao povo, fiscalizando e levando as demandas ao Executivo.

Pescaria e séries durante o descanso

Como um bom manezinho do Sul da Ilha, Mamá agora terá que dividir seu tempo da pescaria com o Plenário e gabinete na Câmara representando o DEM. “Sempre que posso, estou pescando, seja de tarrafa, caniço ou rede”, brinca.

Além disso, terá que arrumar um tempo para assistir o canal Discovery History e suas séries, como por exemplo, “Vikings”, que descreve como uma de suas preferidas.

Dinho: Um mandato que representa Canasvieiras

Edinon Manoel da Rosa, o Dinho, tem 58 anos e iniciará o quarto mandato seguido como vereador em Florianópolis. Disputou as duas primeiras eleições no PT (2000 e 2004), mas não se elegeu.

Dinho considera essas duas experiências importantes e, na terceira tentativa, em 2008, veio a primeira vitória. Daí por diante, mais três vitórias consecutivas nas urnas.

Dinho (DEM), na praia de CanasvieirasO vereador Dinho “em casa” na praia de Canasvieiras, Norte da Ilha, sua base eleitoral – Foto: Anderson Coelho/ND

O DEM é o quarto partido de Dinho. Além do PT, foi membro do PSB e PMDB. Segundo ele, a filiação atual veio após uma conversa com o prefeito Gean, um dos seus maiores aliados na política e que fez o mesmo caminho partidário.

“Não é novidade pra ninguém, eu sou base aliada do governo na Câmara, buscando o melhor para a cidade, trabalhando pelas pessoas, pela comunidade e pela cidade. O prefeito me convidou, eu vim e toquei meu trabalho”, disse.

Dinho se apresentou como candidato em 2020 para “ser o elo entre as comunidades e o Executivo”, mas ele também quer fiscalizar os atos do Executivo, propor legislação e ampliar diretos por meio da reformulação das leis existentes no município.

Quanto à vitória, atribui ao trabalho. Segundo ele, o mandato fica à disposição por quatro anos. O vereador também diz que não frequenta balada e só é encontrado em lugares “do povão”: o mercado, a farmácia, os eventos comunitários e na rua.

Ele conta que chegou na política justamente pelo trabalho comunitário, no qual se envolve desde os 17 anos. Fundador da Associação da Praia do Forte, presidiu a entidade por cinco mandatos, mas sua maior base eleitoral é Canasvieiras, onde presidiu a associação de moradores.

“Começamos com uma diretoria de 14 [pessoas], quando vi, tinha 32 no voluntariado, porque a gente acreditava e acredita que o trabalho comunitário tem que ser intensificado no município. Quem não me conhece, pode até falar mal de mim, mas quem conhece, sabe do meu compromisso, lealdade e fidelidade”, dispara.

Dinho fez 2.749 votos de 2020. Em Canasvieiras, sua base eleitoral, recebeu 519 votos.

Veja a votação recebida pelo candidato Dinho em cada um dos bairros de Florianópolis:

“Fiz uma campanha para muitos mais votos, mas em função do cenário, recebi esses votos como uma vitória. Nas caminhadas, as pessoas diziam ‘olha é contigo que a gente vai, porque tu é um político que não some”, analisa.

Entre os trabalhos entregues em parceria com o prefeito Gean (DEM), Dinho destaca as pavimentações no Canto do Lamin, de Jurerê para Canasvieiras e da Vargem Pequena para Ratones.

Ele também menciona a ampliação e reforma no Colégio Osmar Cunha, do Colégio e do Posto de Saúde de Jurerê e o processo de engordamento da praia de Canasvieiras. Segundo Dinho, o prefeito Gean, assim que recebeu a demanda, sinalizou com a contratação do projeto.

“Hoje está aí, trazendo aquecimento para economia do Norte da Ilha. Pena que estamos em momento crítico por causa da pandemia, se não essa praia seria sucesso nessa temporada e a economia estaria preservada, aquecida e mantida”, destacou Dinho.

Prioridades do mandato

Na campanha, Dinho repetiu: “vou fazer ainda mais e melhor”. Segundo ele, o prefeito está motivado e ele próprio, um filho de pescador, manezinho da ilha, iniciando seu quarto mandato, também está motivado.

“Realmente não esperava estar onde estou. Já cheguei longe, agora, quando o povo constrói, ele não quer desconstruir. Diziam pra mim: ‘aqui em casa não precisa vir, vamos votar contigo, tu nos representa’.”

Mas um eleitor de Dinho merece um agradecimento especial: o pai, que aos 98 anos saiu de casa para ir votar no filho. ‘Vai lá e continua seu trabalho’, disse o seu Manoel Leopoldo da Rosa.

O lado B

Fora da política, Dinho gosta de estar em casa. Ele disse que conseguiu comprar uma propriedade rural em Ratones, depois de 40 anos de trabalho e de juntar as economias.

“Fico com os meus bichos, dando atenção para os cachorros, cuidando do meu jardim, às vezes visitando meus amigos, agora com menos intensidade, mas sempre procurando estar ocupado, capinando, plantando alguma coisa, visitando meu pai”, diz Dinho.

Ainda no entretenimento, Dinho disse que viu e gostou da série “Lúcifer” e também da espanhola “La reina del Flow”. Também aprecia e indica, para quem deseja conhecer a história de Florianópolis, a obra de Virgílio Várzea.

João Cobalchini: “Filho de político, político é”

João Luiz Augusto Cobalchini nasceu em uma cidade construída para a política: Brasília. Aos 35 anos, disputou sua primeira eleição em 2020 e conquistou logo a vitória. Filho do deputado estadual Valdir Cobalchini (MDB), João também era filiado ao MDB.

João Cobalchini (DEM), de camisa azul, segura uma máscara nas mãos e sorriJoão Cobalchini (DEM) vai iniciar seu primeiro mandato como vereador em Florianópolis em 2021 – Foto: Anderson Coelho/ND

Por indicação do partido, exerceu o cargo de secretário adjunto na SMDU (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Planejamento e Desenvolvimento Urbano) no primeiro mandato de Gean Loureiro em Florianópolis.

A ida de Cobalchini para o DEM tem explicação fácil: “Houve uma saída do prefeito e ele nunca me condicionou que eu viesse para o DEM. Acontece que o MDB seguiu outro caminho, então eu não tinha como permanecer e acabei optando por vir para o partido. Sou leal e agradeço muito a oportunidade que o prefeito Gean me deu”, conta.

Na visão de Cobalchini, o MDB errou na estratégia de ir para uma coligação antagônica ao que o partido vinha militando historicamente. “Ficou ainda mais fácil para mim e mostrou que tomei a decisão correta.

Ele conta que resolveu ser candidato depois de trabalhar três anos e meio na administração pública e perceber que é preciso fazer mudanças. Uma das suas principais motivações é o enfrentamento da burocracia.

A vitória, para ele, é resultado do trabalho de três anos e meio na SMDU e ao seu empenho no trabalho. “Quando procura a municipalidade, o cidadão tem todo direito de ter um atendimento justo e uma resposta, nem que seja um não”.

Mas ele avalia que a força do sobrenome Cobalchini também o ajudou na vitória. Na eleição de 2020, Cobalchini fez 2.337 votos.

Veja a distribuição de votos recebidos por João Cobalchini nos bairros de Florianópolis:

“O meu pai tem rejeição zero e onde eu entrava, onde eu chegava, era muito bem recebido, por esse trabalho, que ele começou lá atrás”, ressalta.

Prioridades do mandato

No seu primeiro mandato, Cobalchini quer priorizar o combate à burocracia na administração pública. Segundo ele, é preciso simplificar e até importar bons projetos de outros locais.

“Tem cidade que a gente consegue tirar um alvará em poucos dias e por enquanto Florianópolis ainda não consegue isso”.

Para ele, muitas vezes, a legislação acaba empurrando o cidadão para a ilegalidade. Citando o exemplo da atuação na SMDU, Cobalchini diz que há um excesso de regras e que as pessoas não vão deixar de construir suas casas e que, como a legislação é burocrática e travada, alguns constroem da forma errada.

Horas vagas

João Cobalchini tem duas filhas gêmeas, Julia e Luiza, que completam três anos em 2021. Nos momentos de lazer, o político procura estar com elas. Ele se apresenta como um pai apaixonado, que gosta de passear com as crianças, ir à praia e realizar o que chama de costumes básicos.

“A vida do político não é fácil. Pelo contrário, elas foram sacrificadas agora durante a eleição, porque a gente tem que estar na rua diuturnamente e pretendo, agora, nesse pedacinho que falta [recesso] aproveitar um pouco com elas”.

No entretenimento, Cobalchini disse que gosta de prestigiar séries e filmes que abordam política, por exemplo, a série “House of Cards” e o aclamado filme “A Lista de Schindler”.

Dalmo: o decano da Câmara Municipal de Florianópolis

Decano da Câmara de Vereadores de Florianópolis, Dalmo Deusdedit Meneses, 69 anos, inicia o sétimo mandato como vereador, o primeiro na Capital catarinense a ter esse número de mandatos consecutivos. E, segundo ele, esses devem ser seus últimos quatro anos na vida pública.

Dalmo Meneses (DEM), de camisa cinza, em frente a uma igreja típica de FlorianópolisDalmo Meneses (DEM) vai iniciar o sétimo e – segundo ele – o último mandato como vereador em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Morador do Rio Vermelho, no Norte da Ilha, e católico praticante, o vovô Dalmo tem o neto e a missa como refúgios longe do gabinete. Desde que foi eleito vereador pela primeira vez, Dalmo passou por quatro partidos.

Em 1996, foi eleito pelo PSDB. Em 2000 migrou para o PP, onde ficou por 15 anos. Em 2016, foi eleito para o sexto mandato pelo PSD e, em 2020, venceu no DEM.

Dalmo justifica a ida para o DEM por perceber que a legenda lhe oferecia chances reais de conquistar mais um mandato. Ele conquistou 2.239 votos na eleição de 2020.

Veja a distribuição de votos de Dalmo Meneses nos bairros de Florianópolis:

“Na verdade, foi uma composição que houve na janela [da legislação eleitoral] em maio de 2020. Percebi que o partido não tinha nominata muito forte e vi que fortaleceram o DEM e percebi que tinha, realmente, boas chances”, disse o vereador.

Despedida da Câmara de Vereadores

Segundo Dalmo, essa deve ser sua despedida da vida pública e por isso gostaria de sair eleito. “Última eleição, queria sair com uma vitória. São sete eleições e está na hora de dar uma descansada”, anunciou, mas em seguida, deixou o futuro político em aberto.

A vitória em 2020, para Dalmo, foi atribuída a um grupo que o acompanha ao longo desses anos. De acordo com o vereador, esse grupo disse que “não era hora de parar” por ele tem um compromisso com a sociedade. “Com tudo isso e diante da possibilidade de ganhar, decidi: ‘vou disputar mais essa eleição’”, conta.

Dalmo explicou que fez quase toda a campanha no escritório em casa. Por ser do grupo de risco da Covid-19, preferiu manter o distanciamento. O decano também atribuiu a vitória ao trabalho realizado nos últimos 24 anos como vereador.

“O grupo que eu tenho é muito forte, porque com seis mandatos, você não manter uma base e não se eleger, é muito difícil. Eu vi agora vereadores de primeiro mandato saírem. Na Câmara renovaram 11 cadeiras e eu permaneci. Quando as pessoas falavam em renovação, eu voltei para o sétimo mandato, isso é fruto de um trabalho”, avalia.

Dalmo defende que o político não tenha apenas uma bandeira. “Muitos têm uma bandeira e, às vezes, essa bandeira que ele defende pode não dar certo. A gente tem que dar atenção à população de vários segmentos”, disse.

O católico vovô Dalmo

Na hora do lazer, o vereador se transforma no católico praticante, que tem a missa, na igreja vizinha a sua casa, como indispensável no final de semana. Porém, boa parte do seu tempo fora é com a família, em especial, ao mais novo xodó, o netinho de sete anos.

O vereador Dalmo também colocou um espaço na vida fora da política para a leitura. Na cabeceira estão “Nas Ondas do Rádio – a Paixão Pela Comunicação”, de Osmar Teixeira e “Acreditar – Comece a ser agora quem você quer ser daqui para frente” do padre Mário José Raimondi.