Faz 32 anos que Christiane Sant’ Elena Guze, de 50 anos, atua como mesária na cidade de Araranguá, no Sul de Santa Catarina. Com orgulho dos anos de trabalho nas eleições, a professora conta que é prazerosa a sensação de estar “prestando um serviço à democracia”.
Christiane Sant’ Elena Guze atua como mesária há 32 anos. Este ano, ela foi dispensada do serviço – Foto: Arquivo pessoal/NDNo entanto, este ano, a seção 54 da Escola de Educação Básica Castro Alves não contará com a tradicional presença da mesária. Isso porque ela foi dispensada do serviço por pertencer ao grupo de risco para Covid-19.
“É uma pena, pois adoro participar das eleições. Vou ficar com saudades de trabalhar no pleito este ano. Vai ser o primeiro ano que vou sair de casa só para votar e não para trabalhar”, comenta. Os mesários são responsáveis pela organização e bom funcionamento da seção eleitoral.
SeguirDe acordo com o TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral), mesmo com o protocolo de proteção sanitária que será adotado para proporcionar o máximo de segurança possível a todos os envolvidos no dia da eleição, o convite para atuar no pleito não se aplica aos cidadãos enquadrados no chamado grupo de risco.
Principais desafios
Para a professora, o mesário tem como principal papel – e desafio – fiscalizar o andamento do processo de votação. Fiscalizar não só os eleitores, mas também os próprios mesários.
Segundo Christiane, a importância dos mesários é grande, pois o bom funcionamento da votação depende deles.
“Estamos ali para prestar um serviço não remunerado, mas não deixamos de estar a serviço da Justiça Eleitoral. As pessoas confiam no nosso trabalho e nos nossos princípios e valores. Temos que ser pessoas idôneas e fazer o serviço da melhor maneira possível. Temos que ter consciência de que somos responsáveis pela democracia”, afirma.
Motivação
Christiane diz que o que mais a motiva para atuar como mesária é o fato de que “alguém precisar fazer esse trabalho”. Neste sentido, ser selecionada para o serviço é uma responsabilidade e exige máxima dedicação.
“Temos que pensar que estamos ali por um bem maior, que é acompanhar o processo de votação de cada cidadão. É isso que faz o Brasil e a democracia funcionar”, comenta.
Ela destaca ainda que a liberdade na escolha de um candidato é algo que a sociedade deve zelar.
“O cidadão tem que ter essa noção, de que o voto é importante para escolhermos alguém que pense no povo, e não em benefício próprio. Que seja consciente. Tenho sempre esperança de que amanhã teremos um governo melhor”, projeta.
Situações inusitadas
Para quem acha que o trabalho de mesário é fácil e tranquilo, Christiane cita algumas situações inusitadas pelas quais já passou ao longo dos mais de 30 anos de atuação nas eleições.
Ela conta que já houve casos de pessoas tentando invadir as seções e que, por diversas vezes, a polícia e a Justiça Eleitoral precisaram ser acionadas.
Em 2020, o 1º turno das eleições será no dia 15 de novembro – Foto: Divulgação/TSE/NDQuedas de energia e problemas na urna eletrônica também já aconteceram. “Certa vez, quando uma urna eletrônica pifou tivemos que passar para o voto de papel”, relembra.
A professora conta que os eleitores mais idosos, geralmente, têm dificuldade na hora de votar e precisam de auxílio.
Para Christiane, cabe aos mesários lidar com as ocorrências com calma e atenção para que nada saia do planejado.
Um exército de mesários
No próximo dia 15 de novembro, 5.205.931 eleitores catarinenses estão aptos a votar para elegerem prefeitos e vereadores em 295 municípios.
Segundo os dados do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral) o total previsto de mesários para as eleições municipais de 2020 é de 54.572. Até o momento, foram convocados 50.077. Dentre esse número, 27.855 são mesários voluntários.
O cadastro de mesários voluntários fica aberto ininterruptamente e não há prazo para se cadastrar. O TRE-SC informou que as convocações estão sendo finalizadas, mas ainda há casos de substituição de mesários que tenham sido dispensados, como é o caso de Christiane.
Mesários contarão com equipamentos de proteção para combate à Covid-19 – Foto: Divulgação/TRE-SP/NDEm razão da Covid-19, os treinamentos estão sendo realizados prioritariamente no formato virtual.
Além de cartazes com as orientações de higiene e distanciamento, a Justiça eleitoral fornecerá a cada mesário, os seguintes equipamentos de segurança:
- Máscaras cirúrgicas descartáveis;
- Proteções do tipo face shield;
- Álcool em gel para as mãos e desinfetante para o ambiente da seção eleitoral, que será demarcada para garantir o distanciamento social.