Quem foi Colombo Salles, ex-governador de SC que morreu aos 97 anos; conheça o legado

Gestão moderna e nome disputado na administração pública, Colombo Salles tentou renovar a política catarinense, combatendo oligarquias

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Catarinense de Laguna, com 97 anos, o ex-governador Colombo Salles morreu nesta terça-feira (13), em Florianópolis. Ele foi um dos principais personagens da vida pública de Santa Catarina nos últimos 60 anos.

Colombo Salles foi nomeado por Emílio Médici -Colombo Salles foi nomeado por Emílio Médici – Foto: Alesc

Ele foi formado em engenharia civil pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), estado onde concluiu os estudos secundários depois de frequentar o tradicional Grupo Escolar Jerônimo Coelho, em Laguna.

Projetou-se como dirigente qualificado e estudioso do Departamento de Portos, Rios e Canais, ocupou várias secretarias do governo do Distrito Federal, em Brasília e, de lá foi indicado para ser governador de Santa Catarina, nomeado pelo governo militar, com aprovação pela Assembleia Legislativa.

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Destacou-se em Santa Catarina em cargos federais e depois como secretário executivo do Plameg II no governo Ivo Silveira.

Em 2007, a Editora Insular publicou o livro biográfico “Colombo Salles, o Jogo da Verdade”, com depoimentos, entrevistas e documentos sobre o período de governo há 50 anos.

Livro foi editado pela Insular em 2007 – Foto: Moacir PereiraLivro foi editado pela Insular em 2007 – Foto: Moacir Pereira

Colombo Salles foi nome disputado na administração pública

O site “Memória Política” da Assembleia Legislativa, informa:

“Concluída a formação superior, transferiu-se a trabalho para Blumenau/SC, logo após, foi aprovado em concurso público para o cargo de engenheiro, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Entre 1951 e 1963, lotado no Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais (DNPRC), ocupou cargo de superintendente da Administração do Porto de Laguna. No ano de 1957, viveu por 6 meses com a família na França, onde fez estágio no Laboratoire Central d”Hydraulique de France (Laboratório Central de Hidráulica da França).

Exerceu a chefia do 17º Distrito de Portos e Vias Navegáveis em Santa Catarina, foi engenheiro fiscal da construção da linha de transmissão elétrica do Sul do Estado e lecionou aulas de matemática, química, física e estatística na Escola Técnica do Comércio de Laguna.

Em 1963, chefiou o Gabinete da Administração do Porto do Rio de Janeiro e o 18º Distrito de Portos e Vias Navegáveis. No ano seguinte, mudou-se para Brasília, onde foi chefe de gabinete do prefeito do Distrito Federal, Plínio Cantanhede. Na Capital Federal, assumiu ainda as seguintes Secretarias de: Governo; Serviços Sociais; Finanças; e Educação e Cultura.

Regressou a Santa Catarina e foi Secretário Executivo do II Plano de Metas do Governo (PLAMEG II), na gestão do Governador Ivo Silveira.

Colombo Salles foi governador indicado por Emílio Médici

No ano de 1970, enquanto ministrava uma aula inaugural na Universidade Mackenzie, em São Paulo/SP, recebeu a notícia da sua indicação, por parte do Presidente do Brasil, Emílio Garrastazu Médici, para assumir o cargo de Governador de Santa Catarina.

Referendado pela Assembleia Legislativa catarinense, substituiu Ivo Silveira e tomou posse em 15 de março de 1971, integrava os quadros da Aliança Renovadora Nacional (ARENA). A plataforma de governo foi baseada no Projeto Catarinense de Desenvolvimento (PCD), tendo como objetivo principal a integração das regiões do Estado.

Os investimentos em infraestrutura resultaram na implantação de mais de 500 quilômetros de estradas, o aumento do consumo global de energia elétrica, a modernização da rede de comunicações e a implantação de 85.000 linhas telefônicas no Estado. Na área de saneamento, criou a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN). Entre as obras realizadas, destaca-se a construção da segunda ponte ligando a Ilha de Santa Catarina ao Continente, que recebeu seu nome na inauguração.

Durante o governo, foi seu interino Atílio Fontana. Deixou o cargo em 15 de março de 1975, sendo sucedido por Antônio Carlos Konder Reis.

Retornou às atividades no Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis (DNPVN) – denominação do DNPRC a partir de 1963. Ingressou no corpo docente da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde se aposentou em 1992.

Colombo Salles era primo de Lauro Müller, primeiro governador republicano de Santa Catarina, vice-governador, senador, deputado federal e Ministro das Relações Exteriores; e de Felipe Schmidt, governador no mesmo Estado, deputado federal Constituinte de 1891 e senador.

Conselheiro do TCE e candidato ao Senado

Entre 1983 e 1986, foi Conselheiro do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC).

Nas eleições de 1986, concorreu ao cargo de Senador por Santa Catarina, pelo Partido Democrático Social (PDS), recebeu 25.577 votos, mas não foi eleito.

Colombo Salles era primo de Lauro Müller, primeiro Governador republicano de Santa Catarina, Vice-Governador, Senador, Deputado Federal e Ministro das Relações Exteriores; e de Felipe Schmidt, Governador no mesmo Estado, Deputado Federal Constituinte de 1891 e Senador.