A corrida silenciosa pelo Senado: entenda a preocupação de Lula com 2026

A possível maioria bolsonarista no Senado em 2026 acende o alerta no Planalto: entenda o que está em jogo

Foto de Carolina Sott

Carolina Sott Florianópolis

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SenadoO presidente Lula, durante entrevista no programa Bom Dia, Presidente, nos estúdios da EBC – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ND

As eleições de 2026 ainda estão distantes, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está de olho em uma disputa que pode definir decisões importantes no Brasil: a renovação de dois terços das cadeiras do Senado Federal.

A preocupação do petista não é à toa. Segundo ele, um avanço da bancada bolsonarista no Senado pode “ameaçar a estabilidade das instituições”, especialmente o STF (Supremo Tribunal Federal).

Durante um discurso no congresso do PSB, em Brasília, no último fim de semana, Lula foi direto: “Precisamos eleger senadores da República em 2026. Por que, se esses caras elegerem a maioria dos senadores, eles vão fazer uma muvuca nesse país”, disse.

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O presidente sugeriu, inclusive, que o campo progressista talvez precise abrir mão de candidaturas aos governos estaduais para focar na eleição de nomes fortes ao Senado.

O alvo: Alexandre de Moraes

O alerta de Lula tem um nome específico: Alexandre de Moraes, ministro do STF. Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vêm articulando formas de abrir um processo de impeachment contra Moraes.

A Constituição determina que esse tipo de julgamento cabe exclusivamente ao Senado. Hoje, mesmo com uma composição já considerada conservadora, a Mesa não levou adiante nenhuma tentativa formal contra ministros do Supremo. Mas a ameaça existe – e pode crescer.

Lula e Alexandre de Moraes – Foto: Joédson Alves/ Agência BrasilLula e Alexandre de Moraes – Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

“Não é porque a Suprema Corte é uma maçã doce. Não. É porque precisamos preservar as instituições que garantem o exercício da democracia nesse país”, disse Lula.

Para os bolsonaristas, o supremo, especialmente Moraes, estaria violando direitos humanos ao julgar os acusados do processo de tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Risco repetido no Senado

Em 2018, enquanto a esquerda concentrava as suas energias na tentativa (frustrada) de evitar a eleição de Bolsonaro à Presidência, o então deputado do baixo clero levou uma série de aliados ao Congresso – muitos deles desconhecidos do público, mas fiéis à sua agenda.

Foi assim que chegaram ao Senado nomes como Major Olimpio (SP), que morreu em 2021 vítima da Covid-19, Damares Alves (DF), Marcos Pontes (SP) e o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (RS).

Senado Federal, em Brasília – Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/NDSenado Federal, em Brasília – Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/ND

O resultado foi um Congresso com forte presença da direita e extrema direita, o que tem dificultado a governabilidade de Lula desde seu retorno ao Planalto. A previsão para 2026, caso o campo progressista não se organize, é de que o cenário se agrave.

Com 81 cadeiras, o Senado é responsável por aprovar indicações para cargos importantes, como embaixadores e ministros do STF, além de julgar crimes de responsabilidade cometidos por essas autoridades.

Isso significa que, se a maioria dos senadores estiver alinhada a Bolsonaro ou a Lula, isso pode definir as escolhas, o futuro das eleições e as decisões judiciárias no país.