A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) e outras entidades do setor repudiaram o pedido de quebra de sigilo bancário da Rádio Jovem Pan feito pela CPI da Covid-19 no Senado Federal.
O requerimento que pede a quebra de sigilo bancário da emissora de rádio é um dos 135 que serão apreciados pela comissão no retorno dos trabalhos após recesso, marcado para a próxima terça-feira (3). A suspeita dos parlamentares é de que a emissora poderia ter contribuído para a disseminação de fake news relacionadas à pandemia do novo coronavírus.
CPI da Covid-19 volta aos trabalhos nesta terça-feira (3) – Foto: Pedro França/Agência Senado/NDO pedido é referente ao período que vai do início de 2018 até o presente e envolve todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras.
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Em nota, a Abert “repudia, com veemência” o requerimento dos senadores que integram a CPI da Covid-19, sob alegação de disseminação de notícias falsas.
“Tal iniciativa não aponta qualquer dado ou informação concreta que justifique a adoção de medida extrema contra uma emissora que está no ar há quase 80 anos, cumprindo o papel de informar a população sobre fatos de interesse público”.
A nota ainda diz que a CPI “tem como objetivo investigar ações e eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia” e que “qualquer tentativa de intimidação ao trabalho da imprensa é uma afronta à liberdade de expressão, direito garantido pela Constituição”.
A Acaert, por sua vez, afirma apoiar a manifestação da Abert e que o pedido de quebra de sigilo da Rádio Jovem Pan é “uma grave ameaça à liberdade de imprensa no país”.
“A Radiodifusão não pode e não deve abrir mão de cumprir sua relevante missão em levar a informação ao cidadão do país. Não há espaço para retrocesso, censura e muito menos para demagogia”, diz em nota o presidente da Acaert, Silvano Silva.
“O segmento exige maturidade da classe política que deve atuar em rigoroso respeito à liberdade de opinião dos veículos de comunicação. Respeitando, desta forma, o intocável direito à informação da sociedade brasileira”, encerra a Acaert.