A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (30) um requerimento para convocar o empresário catarinense Luciano Hang para prestar depoimento. O documento foi apresentado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard, ambos convocadospara prestar depoimento à CPI da Covid – Foto: Divulgação/HavanNo requerimento, Calheiros afirma que “O depoimento da referida pessoa, por esta CPI é imperioso e imprescindível para o desenrolar da fase instrutória e, obviamente, para futuro deslinde das investigações”.
O pedido do relator foi aprovado na mesma sessão em que o empresário Carlos Wizard, um dos mais fortes aliados de Hang no ramo empresarial, também prestou depoimento.
SeguirO dono da rede de lojas Havan é um dos empresários brasileiros mais alinhados ao bolsonarismo, sendo até considerado radical por uma parte dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Hang também já é alvo do “inquérito das fake news”, investigação do STF (Supremo Tribunal Federal) que apura a participação de empresários e pessoas ligadas ao presidente na disseminação de mensagens em massa na campanha eleitoral de 2018.
O empresário teve, inclusive, algumas contas de redes sociais retiradas do ar em 2020. Com o bloqueio ainda em vigor, Luciano Hang criou novos perfis no Twitter e no Facebook em maio deste ano.
A reportagem do ND+ entrou em contato com a assessoria de imprensa de Luciano Hang. Por meio de nota o empresário respondeu que recebe a convocação de forma tranquila e que está a disposição da CPI para qualquer esclarecimento.
Na nota o empresário diz que sempre esteve preocupado com o vírus, mas também o desemprego. Hang cita ainda doações feitas por ele para auxiliar no combate a pandemia e termina lembrando que perdeu a mãe a amigos próximos por coronavírus.
Confira a nota na íntegra:
“Recebo com tranquilidade a notícia da possível convocação para a CPI da Covid-19 e estou à disposição para qualquer esclarecimento. Nada melhor do que a verdade para elucidar os fatos.
Assim que a pandemia chegou ao país, no começo de 2020, sempre deixei claro que temos dois inimigos: o vírus e o desemprego. Me posicionei a favor da saúde, sem deixar de lado os cuidados com a economia do Brasil. Lutei publicamente para que as indústrias, empresas, comércios, escolas e demais atividades seguissem abertas, mantendo os empregos e o sustento das famílias.
Intensifiquei as doações e incentivos à saúde. Compramos 200 cilindros de oxigênio para Manaus (AM), no valor de quase R$ 1 milhão, durante o período mais crítico do estado. A Havan destinou mais de R$ 5 milhões para áreas da saúde em 2020. Doamos respiradores, macas, roupas de cama, utensílios de cozinha e máscaras descartáveis a diversos hospitais. Custeamos a vinda de profissionais da saúde de outros estados para fortalecer o atendimento na região de Brusque (SC). E, com a união de empresários da cidade, conseguimos doar testes e medicamentos à Secretária de Saúde.
Até hoje mantivemos todos os nossos 20 mil colaboradores, não desligamos nenhum por conta da pandemia e deixamos gestantes, pessoas com comorbidades e grupo de risco em casa. Continuamos investindo, abrindo lojas e acreditando no Brasil.
Além disso, também me empenhei na luta pela compra e doação de vacinas pela iniciativa privada. Lançamos um abaixo-assinado com o objetivo de mudar a Lei para acelerar o processo de vacinação no Brasil e, consequentemente, diminuir a fila do SUS. Abraçamos essa causa, pois queríamos muito conseguir imunizar os trabalhadores e também dar a chance de outros empresários fazerem o mesmo.
Eu mesmo peguei o vírus, perdi a minha mãe e amigos muito próximos. Acredito na importância de trabalharmos juntos para vencer essa guerra. É preciso buscar soluções para os problemas.
Por fim, continuo onde sempre estive: do lado do Brasil e dos brasileiros. Estou de consciência limpa, não tenho e nunca tive nada a temer. Vamos em frente!”
A reportagem foi atualizada nesta quarta-feira (30), às 20h20, com a resposta do empresário catarinense, Luciano Hang.