Com uma inflação oficial de 108% e real acima de 150%, a Argentina terá eleições presidenciais em outubro com duas alternativas: ou a maioria decreta o fim do peronismo ou mantem no poder um dos mais desastrosos governos de sua história recente.
Catarinenses que passaram o feriadão em Buenos Aires colheram depoimentos insuspeitos e puderam testemunhar realidades gritantes.
A primeira e triste constatação está no completo desiquilíbrio de preços. A variação é constante e o governo perdeu o controle, sofrendo profundo desgaste que atinge o coração do kirchnerismo.
SeguirO PIB argentino deve cair este ano a 3,5% negativos, outra raridade econômica. E a informalidade se espalha.
Calle Florida, rua famosa da Capital argentina – Foto: Reprodução/InternetAquela Argentina rica, com a melhor distribuição de renda da América Latina, desapareceu. A classe média evaporou-se, exceção, claro, dos super funcionários apaniguados e as empresas vinculados ao governo.
Buenos Aires tem hoje flagrantes inimagináveis no passado, como a mendicância e os miseráveis pedindo comida nos restaurantes.
A Calle Florida perdeu seu charme. Lojas fechadas, pichações, redução do padrão dos pedestres e argentinos gritando “câmbio” a cada cinco metros da mais famosa via da Capital. Dá pena!
Em compensação, os restaurantes dão show de qualidade e, sobretudo, de preços. Carnes de alto padrão e vinhos finos por preços populares. Os táxis são os mais baratos do mundo. Bandeiradas com R$ 3,00 e corridas de 15 km por R$ 20,00.
E o que dá inveja nos brasileiros: apesar de baixíssimas temperaturas, altas horas da noite, milhares circulando pelas ruas, nas livrarias, ocupando restaurantes e centros comerciais.
A crise só tem uma explicação: o desastre do populismo.