O debate entre os candidatos ao governo de Santa Catarina promovido pelo Grupo ND na noite desta quarta-feira (17) foi marcado pelo duelo de ideias.
Transmitido com exclusividade pelo ND+, oito candidatos debateram temas como educação, saúde pública, combate à criminalidade e saneamento básico. O encontro foi mediado pela jornalista e apresentadora Márcia Dutra.
Debate foi promovido pelo Grupo ND com transmissão pelo ND+ – Foto: Leo Munhoz/NDForam convidados os candidatos de partidos, federações ou coligações com no mínimo cinco parlamentares no Congresso Nacional, de acordo com a legislação eleitoral.
SeguirForam eles: Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Gean Loureiro (União Brasil), Jorge Boeira (PDT), Jorginho Mello (PL), Carlos Moisés (Republicanos), Odair Tramontin (Novo) e Ralf Zimmer (Pros).
No primeiro bloco, os candidatos foram sorteados em pares. Ambos se dirigiram a um púlpito e, frente a frente, debateram um tema igualmente sorteado pela mediadora. Cada um teve 2 minutos e meio. A mesma fórmula repetiu-se no segundo bloco, mas com outros temas.
Combate à criminalidade
O debate foi aberto pelos candidatos Jorginho Mello (PL) e Esperidião Amin (PP). Eles trataram sobre o tema “combate à criminalidade”.
A pergunta ressaltou que uma das maiores preocupações dos cidadãos hoje é com a segurança em todos os níveis. Foi apontado que Santa Catarina registra cerca de 50 feminicídios a cada ano.
Jorginho Mello (PL) afirmou que a situação é “ruim” em Santa Catarina. “É preciso fazer com que seja cuidado de uma forma melhor. Precisamos valorizar a polícia, criar delegacias especiais, chamar policiais em concurso, valorizar, mexer na escala para que possamos combater feminicídio, a violência doméstica, enfim, muitos assuntos que prejudicam a segurança pública.”
Amim (PP) afirmou que o que traz “vexame” ao Estado é a violência contra a mulher e à criança. “Nós não podemos dizer que o Estado está em uma boa situação no assunto e o foco é na fraqueza. Isso vai nos exigir um trabalho de complementar com forças policiais melhores treinadas e assistência social”, disse.
Saneamento básico
Na sequência foi sorteado o tema “saneamento básico”. Os escolhidos foram os candidatos Odair Tramontin (Novo) e Ralf Zimmer (Pros).
Foi perguntado quais são as propostas dos catarinenses considerando que Santa Catarina está no ranking vergonhoso do saneamento, uma vez que 70% das moradias não possuem rede coletora de esgoto.
Ralf Zimmer (Pros) afirmou que o tema é caro ao partido Novo. “Santa Catarina é o único Estado do Brasil que gastou mais com marketing e propaganda do que com saneamento. Nosso governo vai ser diferente. Vai investir mais no setor”, propôs.
Odair Tramontin (Novo) afirmou que o Novo no Congresso fez parte e foi defensor do marco do saneamento. “A questão nos coloca na rabeira do índice de vergonha. Dados os números de doenças transmissíveis, é um tema importante. Então é necessário fazer uma reflexão sobre o papel da Casan, que é a responsável pelo saneamento básico de Santa Catarina.”
Infraestrutura
O atual governador Carlos Moisés (Republicanos) debateu infraestrutura com o ex-prefeito de Florianópolis Gean Loureiro (União Brasil).
Foi questionado quais projetos os candidatos têm para resolver os problemas das classes produtoras catarinenses que têm se manifestado sobre a falta de infraestrutura no agronegócio. A questão das rodovias também foi levantada.
O candidato do Republicanos afirmou que o setor é a bandeira principal de seu governo. “Assumimos o governo em 2018 com 74% das rodovias estaduais em condições ruins ou péssimas. Conseguimos avançar mesmo em pandemia, sem deixar de fazer projetos.”
“Não apenas o agro, mas toda a economia catarinense vem comprometendo a sua competitividade e cada vez mais dificulta a chegada dos insumos […] 70% das rodovias do Oeste são precárias e precisamos estudar as atitudes para resolver essa situação precária”, afirmou Gean.
Projetos de inovação
“Projetos de inovação” foi o tema debatido na sequência. A dupla sorteada foi Jorge Boeira (PDT) e Décio Lima (PT). Foi questionado o que o candidato pretende executar para que haja o fomento de inovação para o Estado.
“Vamos inovar o próprio Estado. Temos que entender que o processo produtivo mudou e caminha em uma concepção de inteligência. Quero buscar junto com o Lula investimento em escolas técnicas para que possam produzir e ser laboratório da construção do mundo digital em Santa Catarina”, disse Lima.
Segundo Boeira, nenhum país no mundo cresceu sem fortes investimentos na educação, ciência e tecnologia. “É necessário que o conhecimento saia da escola em parceria com o Estado e empresas, e consiga transferir para a sociedade os valores que a ciência pode trazer”.
Apoio à cultura
O segundo bloco iniciou com o sorteio de uma nova dupla de candidatos. Décio Lima (PT) debateu com Jorginho Mello (PL). O tema foi “apoio à cultura”.
Questionados sobre o que os candidatos farão para apoiar o setor, Lima começou dizendo que a cultura está sendo “massacrada” no Brasil.
“Quero dizer que serei um governo da cultura, mas a primeira coisa é produzir através do Conselho Estadual de Cultura uma nova conduta deliberativa e que tenha autonomia. O Conselho poderá participar na organização do orçamento e investimentos. [O Conselho] não será do governo, mas sim da sociedade e dos protagonistas da cultura de Santa Catarina”, emendou Décio Lima.
Jorginho Mello, por sua vez, apontou que o atual presidente “estancou uma sangria em que muitas ONGs e artistas famosos se favoreceram de verba cultural em detrimento dos menores”. Além disso, disse que é necessário criar um calendário de eventos culturais em Santa Catarina, assim como do turismo religioso.
Jorginho Mello – Foto: Leo Munhoz/NDGovernabilidade
Ralf Zimmer (Pros) debateu “governabilidade” com Gean Loureiro (União Brasil). A pergunta questionou as estratégias da futura equipe de governo para gerir a relação com o governo federal, considerando que Santa Catarina recebe pequena parte dos recursos que arrecada.
“A governabilidade é feita com responsabilidade. Significa saber se relacionar entre os poderes e inclui o Ministério Público, o Poder Judiciário, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa e no caso de Santa Catarina, saber se relacionar com o governo federal. Buscar parcerias efetivas. Mas, independente do presidente, vou sentar ao lado dele e identificar os problemas. Governabilidade são entregas e ter uma gestão fiscal responsável”, disse Gean.
Ralf Zimmer criticou a cultura da reeleição e apontou que é necessário humildade e um sistema coeso. “O que denota que Santa Catarina não tem a união necessária para que o recurso de Brasília venha para o Estado […] Precisamos de um alinhamento com o governo federal sem o compromisso de eleição porque o que importa é Santa Catarina”, complementa.
Sistema prisional
Outro tema debatido foi “sistema prisional”. A dupla da vez foi Esperidião Amin (PP) e Jorge Boeira (PDT). Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que o Estado tem em torno de 24 mil presos para 20 mil vagas. Faltam 4 mil vagas nos presídios e ainda há mais de 7 mil mandados a serem cumpridos.
“Caso seja eleito, vai manter os presídios públicos ou pensa em privatizar as unidades carcerárias?”, diz a pergunta.
Esperidião Amin voltou a falar sobre segurança pública, afirmando que “o nosso governo terá um lado: dar forças capazes de impulsionar o sistema prisional o maior prestígio e procurar a melhor qualificação.”
“É melhor abrir escolas e fechar cadeias A melhor maneira de desocupar é dar oportunidade através da laborterapia, ou seja, educação com prevenção e trabalho como correção”, complementa Amin, que ainda lembrou que o Estado conta com bons exemplos para aperfeiçoar no sistema prisional.
Jorge Boeira afirmou que se o Estado quiser reduzir o número de presidiários, é preciso investir em educação. “Nossos jovens da periferia, aqueles que vêm de famílias mais pobres, precisam ter oportunidade de crescer com igualdade. Esse é o projeto para Santa Catarina. Investimento significativo em educação para que possamos reduzir a criminalidade”.
Na sequência, o candidato do PDT afirmou que o estado de Minas Gerais tem um trabalho interessante: as prisões agrícolas. “O apenado de melhor comportamento tem a oportunidade de ir para prisões agrícolas. Lá, estão livres praticamente. Agora, se fugirem, não tem mais a oportunidade. Essa é a melhor maneira que avaliamos: a ressocialização. Queremos que cada vez, o cidadão tenha instrução, oportunidade para que não cometa o delito.”
Máquina pública
Os candidatos Moisés (Republicanos) e Odair Tramontin (Novo) debateram o tema “máquina pública”. Foi questionado se o candidato tem proposta de enxugamento da estrutura do Estado.
O candidato Moisés apontou feitos durante a sua gestão como, por exemplo, a redução da estrutura e também o fim do uso do papel por parte do governo estadual, gerando economia na gestão pública. Afirmou ainda que quitou a dívida da saúde no primeiro ano. “Nossa forma de gestão trouxe integridade e transparência por meio digital”.
Odair Tramontin falou que quem ouve Moisés tem a impressão de que ele vive em outro Estado. “A máquina pública está inchada. Vamos enxugar a máquina pública, extinguindo cargos e economizando bilhões de reais”.
“Queremos primar pela eficiência, pelo bom emprego dos recursos públicos que vem dos catarinenses, empreendedores e trabalhadores que produzem impostos.”, finalizou.
Terceiro bloco
No terceiro e último bloco, cada candidato teve 1 minuto para responder perguntas formuladas pela equipe do Grupo ND, também sorteadas. O candidato Esperidião Amin (PP) foi o primeiro sorteado e foi questionado sobre “educação”.
O questionamento aponta que a educação de Santa Catarina hoje ocupa posição de destaque no país: a décima posição no Ranking Geral do IDEB. Entretanto, é necessário avançar no Ensino Médio, que é responsabilidade do Estado: combater a evasão escolar pós-pandemia e preparar os jovens para o mercado de trabalho, onde sobram vagas.
Sobre o que o candidato pretende fazer para melhorar o cenário, Amin respondeu que o povo catarinense considera a educação como prioridade.
“O que eu quero oferecer ao povo catarinense são professores que merecem ser qualificados no salário e ter qualificação permanente. O jovem e empreendedor precisa, além do financiamento, estímulo do governo e a porta do sistema financeiro aberto.”
A segunda pergunta foi para o candidato Odair Tramontin (Novo). Ele foi questionado sobre o fortalecimento dos municípios. Cerca de 60% dos municípios catarinenses possuem menos de 10 mil habitantes. São cidades pequenas que demandam atenção do Estado.
Foi questionado que política específica o candidato pretende implantar para fomentar o desenvolvimento destas cidades caso seja eleito. Boeira disse que o Partido Novo é municipalista.
“O Estado pode suprir essa necessidade através do estímulo de consórcios que é o somatório das forças dos municípios que resolvam sua deficiência técnica, especialmente na educação”, afirmou.
Foram sorteados temas que nortearam o debate – Foto: Leo Munhoz/NDA terceira pergunta foi para o candidato Jorginho Mello (PL). Ele foi questionado sobre o duodécimo. A pergunta diz que parte da arrecadação dos impostos em Santa Catarina vai para os poderes, de forma automática. Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Ministério Público do Trabalho e Udesc recebem 21,88% de toda a arrecadação do Estado.
“Como a arrecadação aumenta sempre, estas instituições recebem cada vez mais recursos. O senhor pretende mudar este modelo?”, foi o questionamento direcionado ao candidato.
“Cada órgão tem seu planejamento de acordo com as suas demandas e crescimento. Qualquer alteração será feita com muita conversa com os poderes que têm um percentual da sua verba e torcem pela melhoria do Estado. Então, não é justo falar de mexer no duodécimo sem saber o que significa”, respondeu o candidato do PL.
O candidato Ralf Zimmer (Pros) foi questionado sobre redução ou aumento de impostos.
A carga tributária elevada penaliza o cidadão comum e enche os cofres do governo, além de encarecer a produção e reduzir o consumo. Sobre a sua proposta para que os catarinenses paguem menos impostos, Zimmer respondeu que é preciso mudar o modelo do Estado.
“85% do que é arrecadado é gasto com funcionalismo e estrutura arcaica como prédios que não precisam ser mantidos e empresas terceirizadas. Precisamos enxugar. Precisamos aprofundar o teletrabalho e isso vai reduzir o custeio e o principal tributo que é o ICMS. O governo que está aí ‘assaltou’ as pessoas com uma grande tributação e não baixou o tributo catarinense”, tachou.
Gean Loureiro (União Brasil) foi questionado sobre desastres ambientais. Destacou-se que Santa Catarina é um dos estados mais atingidos por tragédias climáticas. Ao candidato, foi perguntado sobre como o Estado pode proteger a vida dos cidadãos com ações efetivas de prevenção e o que falta para evitar mortes e tragédias a cada ano.
“Primeiro, é necessário ter infraestrutura para o controle do fluxo de água que alaga muitas regiões de Santa Catarina. Essa manutenção é fundamental. Hoje não temos controle de desastres meteorológicos e previsibilidade maior, que terá um tempo de resposta muito mais rápido. Nós tivemos experiências com a prefeitura de Florianópolis com prevenção dos fatos ocorridos e isso diminuiu muito os gastos e até mesmo óbito de pessoas. Estamos evitando em Florianópolis e vamos evitar em Santa Catarina com muito investimento em tecnologia, e o governo e sociedade trabalhando juntos”, afirmou Gean Loureiro.
O candidato Décio Lima (PT) foi sorteado para responder o questionamento sobre saúde pública. Foi dito que o Estado passou recentemente, em julho, por uma crise de falta de leitos hospitalares. Sobre os planos para tornar a saúde pública mais acessível à maioria da população, Lima respondeu que hoje Santa Catarina vive de recursos muito menores do que viveu no ano passado, por exemplo, com diferença de 700 milhões.
“Temos milhares de catarinenses nas filas de cirurgias. Eu quero criar uma sinergia entre os serviços e o Estado”, respondeu o candidato do PT.
A sétima pergunta foi para o candidato Jorge Boeira (PDT). O tema foi gestão pública. No serviço público estadual há servidores com salários acima da medida do mercado, se comparados com a iniciativa privada. Além disso, agregam benefícios como licença-prêmio, ponto facultativo e estabilidade no emprego.
Sobre o que pretende fazer para mudar este quadro, Boeira afirmou que o tema de direito adquirido, o Estado não pode mais alterar. “Agora, eu venho da iniciativa privada, onde a gente busca fazer mais com menos. Claro que a minha experiência de quatro mandatos no Legislativo e Câmara permitiu entender que precisamos rediscutir o estado brasileiro porque recursos são concentrados na União. Portanto, tem uma concentração de renda no governo federal”, respondeu.
A última pergunta foi para o candidato Moisés (Republicanos). O atual governador foi questionado sobre estatais. Foi perguntado se ele pretende privatizar ou extinguir alguma estatal.
“Eu costumo dizer que a eficiência é o que se faz dentro da Casan e mostramos que a Companhia e a Celesc podem trazer resultado positivo. Ela pode investir em energia trifásica, tratamento de nascentes e programa de armazenamento rural e investimento de resiliência hídrica. As nossas empresas estão de parabéns”, disse Moisés.
Considerações finais
Por fim, foram disponibilizados mais 30 segundos para cada candidato destinado às considerações finais. Ralf Zimmer (Pros) agradeceu à equipe do Grupo ND pela oportunidade e completou: “o Pros é diferente. O Pros vai governar para você, catarinense.”
Candidatos no Debate ND+ com a mediadora e jornalista do Grupo ND, Márcia Dutra – Foto: Leo Munhoz/NDJorginho Mello (PL) também agradeceu e se apresentou aos catarinenses. “Sou Jorginho Mello, sou do Oeste de Santa Catarina, advogado, filho de família de sete irmãos, passei dificuldade […] quero ser governador de Santa Catarina com seu apoio.”
Décio Lima (PT) se disse “candidato do Lula injustiçado”. Quero fazer um governo aliado com o Brasil trazendo investimentos para melhorar a vida do povo catarinense”, completou.
Já Esperidião Amin (PP) agradeceu a toda a equipe do Grupo ND pelo exemplo de democracia e deixou o pedido de voto. “Ofereço o ‘saber fazer’. Ofereço ‘time’. Peço voto para governador Esperidião Amin, candidato ao senado Kennedy Nunes e candidatos e candidatas a deputados estaduais e federais e Jair Bolsonaro para presidente.”
Moisés (Republicanos) agradeceu Udo Döhler, candidato a vice-governador, ao candidato a senador Celso Maldaner e ao povo de Santa Catarina.
“Saio feliz daqui sabendo que muitas propostas dos candidatos vem ao encontro do que estamos fazendo em Santa Catarina. Colocando o Estado em primeiro lugar, sempre à frente. Peço seu voto no dia 2 de outubro.”
Gean Loureiro (União Brasil) afirmou que o espectador teve a oportunidade de conhecer o trabalho realizado em Florianópolis. “Somos um Estado de muitas capitais. Quero levar nossa capacidade de trabalho, renovação. Por isso, quero pedir uma oportunidade. O seu voto. Me dê quatro anos apenas, que vamos revolucionar Santa Catarina mudando a vida das pessoas para melhor.”
Jorge Boeira (PDT) afirmou que é preciso enxergar o Estado como um todo, ressaltando as diferentes regiões “que precisam conversar entre si e entender que as regiões, principalmente, as mais pobres precisam ter mais atenção.”
Odair Tramontin (Novo) mencionou o trabalho que o partido Novo vem fazendo em Joinville, com o prefeito Adriano Silva e em Minas Gerais, com o governador Romeu Zema.